Terra
Dois policiais militares do Paraná foram presos preventivamente nesta segunda-feira, 29, por suspeita de extorsão, tortura e sequestro de um rapaz, em Pontal do Paraná. Conforme a denúncia no Ministério Público obtida pelo Terra, a vítima teve o braço quebrado e pagava R$ 3 mil por mês para não sofrer mais agressões.
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Os mandados de prisão foram cumpridos na operação Operação Hubris, pelo Núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que apura o caso. Segundo o Gaeco, foram encontradas provas dos crimes cometidos pelos agentes em uma casa de veraneio na cidade e na sede da 5ª Companhia da Polícia Militar em Pontal do Paraná.
A denúncia aponta que a tortura ocorreu na madrugada do dia 19 de agosto de 2025, em uma casa no bairro Chácara São Pedro. Os policiais Patrick Luiz da Rosa e Rodrigo Ramos Patrício Pinto, no exercício de suas funções, agrediram um rapaz com chutes e golpes de cassetete, tendo quebrado o seu braço. A violência causou “intenso sofrimento físico e mental”, segundo o MP.
Ainda de acordo com o documento, o crime foi cometido para obter informações do tráfico de drogas na região. Além disso, entre essa data e o dia 4 de novembro de 2025, os agentes extorquiram a vítima em R$ 3 mil por mês, preço cobrado pelo “sossego e a cabeça” dele. O valor poderia ser pago em duas parcelas de R$ 1,5 mil a cada 15 dias.
Diante das provas levantadas pelo órgão, foi apresentada a denúncia ao Judiciário no dia 15 de junho de 2026. No dia 23, a juíza da Vara Criminal da Auditoria da Justiça Militar da Região Metropolitana de Curitiba, Maria Cristina Franco Chaves, os tornou réus no processo.
A reportagem procurou a defesa de Patrick Luiz da Rosa, mas não teve retorno até o momento. Já os advogados de Rodrigo Ramos Patrício Pinto não foram localizados.
Vídeo teria colaborado com a prisão
Segundo a TV RPC, afiliada da Rede Globo, um vídeo compartilhado entre policiais mostra os agentes torturando a vítima com socos e chutes. Segundo a reportagem, o Gaeco descreve que os PMs diziam que o homem "a todo momento urra de dor em meio aos estrondos secos provocados pelas agressões”.
Outros episódios contra a mesma vítima foram realizados ainda na sede da 5ª Companhia do 9º Batalhão da Polícia Militar, “na presença de demais militares estaduais e de civis", segundo a investigação.
O que diz a PM
Em nota ao Terra, a Polícia Militar do Paraná informou que os policiais estão afastados de suas funções. A corporação também reafirmou o “compromisso permanente com a legalidade, a moralidade, a ética e a transparência, destacando que não compactua com qualquer conduta que contrarie os preceitos legais e os valores institucionais”.
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