Folhapress
A Polícia Civil do Amazonas indiciou quatro pessoas pela morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, que morreu em novembro de 2025 após receber adrenalina por via venosa. O inquérito do caso, concluído nesta semana, aponta que Benício morreu em decorrência de um erro médico.
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A médica Juliana Brasil, responsável por receitar o uso do medicamento, vai responder pelos crimes de homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica.
Em nota, o advogado Sergio Figueiredo, responsável pela defesa da profissional, chamou a decisão do indiciamento de "precipitada e dissociada da realidade causal que culminou no lamentável óbito do menor Benício."
A técnica de enfermagem Raíza Bentes foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, e os diretores da unidade hospitalar, Antônio Guilherme Macedo e Édson Sarkis Gonçalves, foram indiciados por homicídio culposo.
O hospital foi procurado por email nas tardes da segunda-feira (4) e terça-feira (5), mas não respondeu até a publicação da reportagem. As defesas de Raíza, Antônio e Edson não foram localizadas. A reportagem solicitou ao Tribunal de Justiça do Amazonas, por email, informações sobre os advogados, mas não obteve retorno.
Benício deu entrada no Hospital Santa Júlia, da rede privada de Manaus, com tosse e suspeita de laringite. Segundo os pais, o quadro piorou após a administração de adrenalina por via intravenosa, quando a indicação seria por nebulização. O menino morreu no dia 23 de novembro.
Segundo a polícia, foram ouvidas 39 pessoas no curso do processo. Entre as principais provas estão mensagens trocadas com outro profissional durante a piora do quadro de Benício, nas quais a médica reconheceu o erro na prescrição.
A defesa de Juliana Brasil, por sua vez, afirma que houve uma sucessão de falhas técnicas na UTI do hospital e que a criança passou por uma série de procedimentos após o atendimento inicial, o que teria contribuído para a piora do quadro e para a morte, ocorrida cerca de 14 horas depois.
"Durante esse período crítico, a criança sofreu quatro paradas cardiorrespiratórias, sendo submetida a um manejo intensivo que incluiu a utilização de 71 frascos de adrenalina, número que, por si só, evidencia a gravidade do quadro e a intensidade das intervenções realizadas já em ambiente de UTI."
O advogado Sergio Figueiredo também sustenta que Benício não estava sob responsabilidade da médica no momento da intubação e que houve uma falha no prontuário eletrônico que teria alterado a forma de administração do medicamento. Ele também diz que a técnica de enfermagem teria sido orientada a administrar o medicamento por via inalatória, mas optou por não buscar esclarecimento com Juliana.
Além disso, o advogado afirma que a criança teve liberação de dieta por parte do hospital, o que teria causado broncoaspiração em uma das tentativas de intubação e agravado o quadro.
No início das investigações, os advogados Alessandra Vila e Felipe Braga, que então faziam a defesa de Juliana Brasil disseram que um exame de raio-X, solicitado pela médica, mas não realizado inicialmente pelo hospital, identificou na UTI um quadro de pneumonia bilateral na criança.
Segundo a polícia, o indiciamento por fraude processual ocorreu porque não foram constatadas falhas no sistema da unidade hospitalar, contradizendo a alegação da defesa de um suposto problema no prontuário eletrônico. A corporação também afirma que Juliana Brasil se apresentava como pediatra sem ter especialização na área.
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