Por que comer pode ajudar você a superar uma gripe forte, segundo estudo

Publicado em 06/05/2026, às 16h10
- Freepik

Galileu

Ler resumo da notícia

Em algum momento da vida, você provavelmente já ouviu que se alimentar bem é essencial, especialmente ao enfrentar um resfriado ou uma gripe. Mas você já parou para pensar no motivo por trás disso?

LEIA TAMBÉM

Um novo estudo, publicado no dia 29 de abril na revista científica Nature, indica que, quando bem alimentadas, algumas células de defesa do corpo apresentam vantagens metabólicas que ajudam o organismo a responder de forma mais eficiente a infecções.

Na pesquisa, realizada pela Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, pesquisadores analisaram como a alimentação influencia o comportamento das células T — um tipo de glóbulo branco que combate diferentes vírus, bactérias e até mesmo tumores. Quando um agente agressor invade o organismo, o sistema imunológico ativa essas células, que passam a se multiplicar para combater a ameaça.

Para isso, os autores do estudo coletaram sangue de 31 voluntários saudáveis em momentos diferentes: antes da primeira refeição do dia e, novamente, cerca de seis horas depois, período em que os participantes já podiam se alimentar.

Ao analisar as amostras de sangue, eles observaram que, após as refeições, as células T conseguiam absorver melhor açúcares e outros nutrientes que são essenciais para seu processo de ativação. Como esse processo exige muita energia, ele se torna mais eficiente quando essas células estão bem nutridas, o que aumenta a capacidade de resposta a agentes infecciosos.

“Não é que as células T em jejum não funcionem. É que as células T alimentadas sempre saem vencedoras quando as comparamos diretamente”, explicou Greg Delgoffe, imunologista da Universidade de Pittsburgh e autor sênior do estudo, em um comunicado.

A equipe também conduziu testes com camundongos, que mostraram resultados semelhantes. Nesses animais que foram alimentados, as células se multiplicaram rapidamente e ofereceram maior proteção contra infecções. De acordo com a revista Smithsonian, também foram observados efeitos a longo prazo em um tipo específico de células T, conhecidas como células da memória.

Essas células fazem parte da defesa de longo prazo do sistema imunológico, pois conseguem “lembrar” de agentes infecciosos já enfrentados pelo organismo e reagir de forma mais rápida em invasões futuras. Nos camundongos alimentados, elas apareceram em maior quantidade e se mantiveram metabolicamente mais ativas ao longo do tempo, o que indica uma resposta imunológica mais eficiente e duradoura.

Os resultados também podem ter implicações para tratamentos médicos, como a imunoterapia contra o câncer. Em testes realizados pela equipe, células usadas nesse tipo de terapia apresentaram maior atividade quando foram coletadas após a alimentação, indicando que o estado nutricional pode influenciar a eficácia do tratamento.

Agora, os pesquisadores pretendem aprofundar essas descobertas, investigando se tipos específicos de dieta ou nutrientes podem intensificar esse efeito. A expectativa é entender melhor de que forma a alimentação pode ser usada para melhorar a resposta do organismo em vacinas, terapias imunológicas e no combate a infecções, embora mais estudos ainda sejam necessários para confirmar essas possibilidades.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Inflamação silenciosa pode travar o emagrecimento mesmo com dieta e exercício, afirma especialista Tratamento com injeção contra surdez conta com resultados positivos e preliminares Anvisa e PF vão combater venda ilegal de medicamentos emagrecedores O que acontece no corpo de quem tem intolerância a lactose? Entenda