Professora usa guarda-chuva em sala com goteira: 'Era isso ou não dar aula'

Publicado em 23/03/2023, às 23h45
Arquivo pessoal -

UOL

Um vídeo que mostra uma professora usando um guarda-chuva para se proteger de uma goteira na sala de aula viralizou esta semana no Pará. O caso ocorreu na manhã da sexta-feira (17) em uma das salas da Escola Estadual de Ensino Integral Gaspar Viana, em Marabá (PA).

LEIA TAMBÉM

A professora é Edna Diniz, 52, que ministra a disciplina de física para alunos do segundo ano do ensino médio na escola, que funciona em um prédio alugado, no bairro de Nova Marabá. Ela conta que foi a única alternativa para não atrasar o conteúdo programático.

"Cheguei para dar aula e a sala estava inundada, os alunos tiveram que escorrer com o rodo, tinha água caindo em cima de mim, não tive alternativa. Era isso ou não dar aula. E foi o que fiz, peguei a sombrinha e fui ensinar", disse ela.

Segundo Edna, a unidade de ensino está funcionando no prédio alugado desde 2018, após a sede oficial ter perda total em um incêndio. O prédio é alugado e tem 12 salas, cada uma com 35 alunos, em média. Mas o local é improvisado e apresenta vários problemas estruturais.

"Nem é preciso cair uma chuva forte para alagar a sala. Qualquer chuva já molha tudo. Neste dia nem estava chovendo forte. Antes disso a água só escorria pelo quadro. Agora já cai em cima da gente".

Além das goteiras, a professora lista outros problemas do prédio. "Todo o prédio é problemático. Tem infiltrações nas paredes, não há janelas em algumas salas, nem ar condicionado. Não há um refeitório para que os alunos façam o lanche, nem local para o descanso dos estudantes", relata.

Devido a isso, a escola, que originalmente é de ensino integral, passou a funcionar apenas pelo horário da manhã, o que refletiu na evasão escolar na região.

"Esse prédio não foi construído para funcionar como escola, principalmente em tempo integral. É uma pena que uma escola com tradição de aprovação do Enem e que tinha mais de 1200 alunos, hoje só tenha pouco mais de 300 por não ter condições de abrigá-los".

Ainda segundo a professora, as obras do prédio original da unidade de ensino começaram somente em 2020, dois anos depois do incêndio, e estão paradas há pelo menos seis meses.

"Eles só levantaram as paredes e deixaram lá. Perguntamos para os operários e disseram que está parada (a obra) por pelo menos seis meses", lamenta.

A professora diz que não esperava a repercussão do vídeo, mas que acredita que ele possa ajudar a mudar a realidade do local.

"Não achei que ia viralizar, nem fiz isso (usar o guarda-chuva) com esse intuito. Mas o que a gente quer enfatizar é a necessidade da construção da nova escola, pois a comunidade está sofrendo com isso".

UOL entrou em contato com a Secretaria de Estado de Educação do Pará, mas ainda não houve retorno com um posicionamento sobre o caso.

Gostou? Compartilhe

LEIA MAIS

Campanha convoca familiares de desaparecidos para coleta de DNA Morre veterinária atacada por cachorro no canil do Senado Federal 'Saiu rindo', diz segurança sobre colega que liderou espancamento que matou ciclista no Rio Empresária que morreu após cirurgia plástica fez seis procedimentos no rosto, diz família