Alunos da EJA em Maceió podem se formar em cursos profissionalizantes

Publicado em 22/08/2026, às 16h33
Semed, em parceria com o Senai, oferece 23 formações profissionais para mais de mil alunos - Foto: Ascom Semed
Semed, em parceria com o Senai, oferece 23 formações profissionais para mais de mil alunos - Foto: Ascom Semed

Por Redação

Uma parceria entre a Prefeitura de Maceió e o Senai oferece 23 cursos profissionalizantes a cerca de 1.060 estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos, visando garantir escolaridade e oportunidades no mercado de trabalho.

Os cursos abrangem diversas áreas, como logística, eletricidade e moda, e são estruturados para intercalar teoria e prática, permitindo que os alunos apliquem os conhecimentos adquiridos em suas rotinas profissionais.

A iniciativa tem gerado impactos positivos, com relatos de alunos que buscam novas qualificações e oportunidades, além de promover uma visão mais ampla sobre o mundo do trabalho e a importância da educação contínua.

Resumo gerado por IA

Uma parceria entre a Prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), beneficia cerca de 1.060 estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai) da rede pública municipal de ensino, que podem cursar 23 cursos profissionalizantes, distribuídos em áreas como alimentação, automotiva, construção civil, elétrica, logística, tecnologia da informação e moda.

O secretário de Educação de Maceió, João Folha, pontuou que, ao aliar educação e trabalho, além de garantir a escolaridade, a Prefeitura de Maceió também assegura uma formação que ajuda os estudantes da Ejai a terem oportunidades no mercado de trabalho.

“Nossos estudantes da Ejai têm a oportunidade de concluir não somente os estudos, mas também uma formação profissional que dialoga diretamente com o mundo do trabalho. Essa parceria entre a Prefeitura de Maceió e o Senai amplia horizontes, fortalece a autonomia dos nossos alunos e cria novas possibilidades. É uma iniciativa que mostra que nunca é tarde para aprender, se qualificar e construir novos caminhos para o futuro”, frisou.

Um dos alunos é Antônio Corrêa de Santos, que aos 72 anos decidiu voltar a estudar. Aposentado e com uma trajetória profissional marcada por diferentes atividades, ele encontrou na sala de aula da Escola Municipal Maria de Lourdes Pimentel não somente uma nova oportunidade de aprender, mas de se profissionalizar em uma nova área. “Entrei sem saber de nada, nem o que era, mas hoje aprendi muitas coisas”, disse.

Quando começou o curso de logística, sequer conhecia a área. Hoje, pretende concluir a formação e já pensa em fazer outro curso, desta vez, de eletricista. A história dele é uma das que ajudam a mostrar o impacto dessa iniciativa, que busca aproximar a educação básica da formação para o mundo do trabalho e oferecer aos estudantes novas possibilidades de qualificação profissional.

As formações permitem que os alunos tenham contato com conhecimentos que podem ser utilizados tanto para ingressar no mercado de trabalho quanto para aprimorar sua atuação profissional. Entre os cursos ofertados, estão, ainda, de confeiteiro, padeiro, eletricista de automóveis, mecânico de motocicletas, pintor de obras, eletricista instalador predial, assistente administrativo, assistente de Recursos Humanos, almoxarife, auxiliar de operações logísticas, operador de computador, costureiro e modelista.

Na prática, os estudantes da Ejai conciliam os conteúdos da formação profissional com a rotina escolar. As aulas são organizadas de maneira intercalada, alternando atividades teóricas e práticas, ao longo da semana, e relacionando o aprendizado profissional aos conhecimentos trabalhados na modalidade.

Adaptações e ludicidade

A instrutora do Senai, Ana Paula Vasconcelos, ministra o curso de Operador Logístico para uma turma formada por 10 alunos, na Escola Municipal Maria de Lourdes Pimentel. Para ela, a parceria representa uma oportunidade de alcançar pessoas que estavam afastadas dos estudos ou do mercado de trabalho.

“Fomos convidados nessa parceria da Prefeitura com o Senai para dar oportunidade a pessoas que estavam há algum tempo paradas, ampliando as perspectivas delas no mercado de trabalho e fazendo com que se interessem mais e tenham mais conhecimentos”, explicou.

Segundo a instrutora, todos os estudantes demonstram interesse e disposição para aprender, levando para a sala de aula não apenas dúvidas, mas também experiências acumuladas ao longo da vida. O trabalho exigiu adaptações, onde foi necessário realizar passar os conteúdos técnicos de forma mais acessível e lúdica, sem deixar de lado os conhecimentos necessários para a formação profissional.

E completou: “Com a aula, a gente tinha que mostrar conceitos técnicos, mas de uma forma um pouco mais lúdica, mas que eles tivessem o conhecimento, trazer a realidade também e as experiências”, afirma Ana Paula.

O aprendizado também saiu da sala de aula. Durante uma visita técnica ao Senai, os estudantes conheceram, na prática, atividades relacionadas à organização de estoques, identificação de produtos e inserção de informações em um sistema logístico. A experiência, segundo a professora, deixou os alunos empolgados.

Visão mais ampla

Para a vice-diretora da escola, Elusa Silva, a formação tem ajudado os estudantes a perceberem que a logística está presente em diferentes espaços da vida cotidiana e profissional. “É um curso que tem dado a eles oportunidades de poder aplicar os conhecimentos que eles vêm adquirindo, tanto no mercado de trabalho, como também no seu cotidiano, uma vez que eles começam a perceber também que a logística está presente em outros espaços”, explicou.

A vice-diretora escolar ainda destacou a evolução dos estudantes e a importância das adaptações realizadas pela professora Ana Paula para atender às necessidades da turma. “Nós vimos que eles vêm evoluindo, eles estão motivados, mesmo com as dificuldades, porque muitos estão ainda no processo de alfabetização”, afirmou.

A técnica da Educação de Jovens, Adultos e Idosos da Semed , Nilzete Souza, acompanha as formações e esteve na escola para observar uma das turmas. Segundo ela, os estudantes demonstram concentração e interesse durante as aulas, e o curso contribui para ampliar a percepção dos alunos sobre o mundo do trabalho. “Percebi alunos focados no curso e percebi também que a formação agregou muito à vida deles, deixando-os com uma visão mais ampla do mundo do trabalho”, ressaltou.

Construindo trajetórias

Na sala de aula, as histórias são diferentes, mas o desejo de seguir em frente se aproxima. Há estudantes que querem melhorar de posição no trabalho, outros que buscam uma nova profissão e aqueles que simplesmente descobriram que nunca é tarde para aprender.

Carlos Roberto, 56 anos, trabalha em uma empresa e encontrou no curso de logística uma oportunidade para ampliar os conhecimentos que utiliza no dia a dia. “Aprender sobre estoque e organização no serviço pode representar um caminho para crescer. Quero crescer em uma empresa, e, para isso, o curso é fundamental”, pontuou.

A formação também tem despertado sonhos que vão além do mercado de trabalho. Aos 46 anos, Maria de Lima Silva, voltou a estudar e encontrou no curso uma motivação para continuar os estudos e obter uma qualificação profissional. “Eu me sinto muito feliz e penso muitas coisas boas, como chegar lá na frente e fazer faculdade”, revelou.

A experiência de Maria revela uma das dimensões mais humanas da iniciativa: a possibilidade de transformar a relação dos estudantes com o próprio futuro. Para quem passou anos distante da escola, cada novo aprendizado pode significar também uma conquista pessoal.

Novas possibilidades

José Hilton Goiânia Silva, 51 anos, migrou do interior para a capital para estudar e está aprendendo a ler e escrever. Ele também trabalha em uma distribuidora de alimentos e afirma que os conhecimentos adquiridos no curso de Operador de Logística têm ajudado a compreender melhor atividades que já fazem parte de sua rotina profissional. “Estou começando a estudar. Cheguei aqui na cidade, nunca estudei na vida, comecei agora. Graças a Deus, estou aprendendo a ler. Quero aprender mais e estou estudando para aprender muita coisa”, relatou.

Na Escola Municipal Natalina Costa, o curso de Almoxarifado foi concluído em julho de 2026. A aluna da segunda fase da Ejai, Jeanne Karla Lima da Silva destacou a importância de participar da formação. “Agradeço a Deus por essa rica oportunidade. Sempre que puder, todos os cursos que forem oferecidos serão bem-vindos”, afirmou.

Adryelle Alves da Silva, que está matriculada na 1ª fase da Ejai, destacou a qualidade e os conhecimentos adquiridos na formação profissional. “O curso foi muito bom. Aprendi muitas coisas e vou receber a certificação. Valeu muito a pena!”, comemorou.

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