Assessoria
Os relógios inteligentes ganharam espaço na rotina de milhões de pessoas ao monitorar frequência cardíaca, qualidade do sono, oxigenação e atividade física. Embora essas informações possam incentivar um estilo de vida mais saudável, especialistas alertam que o excesso de monitoramento também pode aumentar a ansiedade e levar a interpretações equivocadas sobre a própria saúde.
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Segundo o médico Djairo Araújo, especialista em Nutrologia e Medicina Esportiva, a tecnologia deve ser usada como uma ferramenta de apoio, e não como substituta da avaliação médica. “Os dados podem ajudar na prevenção e incentivar hábitos saudáveis, mas pequenas oscilações são naturais. O problema surge quando qualquer alteração passa a ser vista como sinal de doença”, explica.
Riscos do uso excessivo
Uma das dúvidas mais comuns envolve a frequência cardíaca. O especialista destaca que os batimentos variam ao longo do dia por diversos fatores, como atividade física, estresse, ansiedade, consumo de cafeína, alimentação e qualidade do sono. “O coração responde constantemente ao que acontece no organismo. Avaliar apenas um número isolado, sem considerar o contexto, pode gerar preocupação desnecessária”, afirma.
Outro ponto que merece atenção é o acompanhamento constante de indicadores como pontuação do sono e saturação de oxigênio. De acordo com o médico, essas informações são estimativas e não substituem exames clínicos. “A tecnologia deve ajudar a pessoa a cuidar melhor da saúde, e não fazer com que ela passe o dia procurando uma doença.”
Alertas médicos e interpretação correta dos dados
Alguns dispositivos também conseguem emitir alertas para possíveis arritmias. No entanto, Djairo reforça que essas notificações não confirmam um diagnóstico. “O relógio pode levantar uma suspeita, mas a confirmação depende da avaliação médica e, quando necessário, de exames específicos.”
O especialista ressalta que o uso consciente da tecnologia é fundamental para evitar interpretações precipitadas e exames desnecessários. Os dispositivos podem ser aliados importantes, desde que seus dados sejam analisados com equilíbrio e dentro de um contexto clínico adequado.
Apesar das limitações, os relógios inteligentes continuam sendo aliados importantes quando utilizados com equilíbrio, principalmente por incentivarem a prática de atividade física, o combate ao sedentarismo e a adoção de hábitos mais saudáveis.
“O objetivo é usar a tecnologia como incentivo ao autocuidado. Um alerta não é um diagnóstico, assim como a ausência dele não significa que está tudo bem. O acompanhamento profissional continua sendo fundamental”, conclui Djairo Araújo.
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