Muitas pessoas passam a infância e a juventude sem apresentar qualquer sinal de alergia e acreditam que estão livres desse tipo de problema. No entanto, cada vez mais adultos têm recebido o diagnóstico de doenças como rinite alérgica, asma, dermatite atópica e até alergias alimentares, mesmo sem histórico anterior.
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Embora a situação cause estranhamento, ela é mais comum do que se imagina. Segundo o alergista e imunologista Renato Praxedes, as alergias podem surgir em qualquer fase da vida, resultado da interação entre predisposição genética, mudanças no sistema imunológico e fatores ambientais.
"Existe a ideia de que a alergia é uma doença exclusiva da infância, mas isso é um mito. O organismo muda ao longo da vida e a exposição constante a agentes presentes no ambiente pode favorecer o aparecimento de doenças alérgicas mesmo em pessoas que nunca tiveram sintomas", explica.
Entre os fatores que podem contribuir para esse cenário estão o aumento da poluição, as mudanças climáticas, a maior exposição a produtos químicos, ambientes fechados com mofo e ácaros, além do estresse e das mudanças no estilo de vida. Alterações hormonais, algumas infecções e determinados medicamentos também podem influenciar o surgimento de reações alérgicas.
Os sintomas variam conforme o tipo de alergia, mas alguns sinais merecem atenção. Espirros frequentes, nariz entupido, coceira nos olhos, tosse persistente, falta de ar, lesões na pele ou reações após o consumo de alimentos ou medicamentos podem indicar a necessidade de uma avaliação especializada.
Renato Praxedes destaca que um dos principais desafios é que muitas pessoas confundem os sintomas com gripes frequentes, sinusites ou irritações passageiras, o que acaba atrasando o diagnóstico.
"Quando os sintomas aparecem repetidamente ou sempre após contato com poeira, mofo, pelos de animais ou outros fatores específicos, é importante investigar. Nem toda tosse persistente ou congestão nasal está relacionada a infecções. Identificar a causa é fundamental para indicar o tratamento mais adequado", afirma.

Outro alerta do especialista é sobre a automedicação. O uso frequente de antialérgicos e descongestionantes pode aliviar temporariamente os sintomas, mas não resolve a origem do problema e pode retardar o diagnóstico correto.
Após a avaliação clínica, exames específicos podem auxiliar na identificação dos agentes causadores da alergia, permitindo um tratamento personalizado. Dependendo do caso, a abordagem pode incluir controle ambiental, medicamentos e imunoterapia, conhecida como vacina para alergia.
"O mais importante é que as doenças alérgicas têm controle e tratamento. Quanto mais cedo o paciente procura atendimento, maiores são as chances de controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar significativamente a qualidade de vida", conclui Renato Praxedes.