Assessoria
Receber um exame com resultados alterados nem sempre significa que existe uma doença. Medicamentos, vitaminas, suplementos e hormônios podem modificar parâmetros laboratoriais e influenciar a interpretação dos exames, mesmo quando a saúde está em dia.
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Segundo o médico Djairo Araújo, especialista em Nutrologia e Medicina Esportiva, um dos erros mais frequentes é o paciente informar apenas os medicamentos prescritos e esquecer de mencionar suplementos, fitoterápicos e vitaminas.
“Os exames laboratoriais nunca devem ser interpretados de forma isolada. Eles precisam ser avaliados junto com a história clínica, os sintomas e tudo o que o paciente utiliza no dia a dia. Muitas vezes, uma alteração é apenas o efeito esperado de um medicamento ou suplemento, e não um sinal de doença”, explica.
Entre os exemplos mais comuns está a creatina. O suplemento pode elevar os níveis de creatinina, exame frequentemente utilizado para avaliar a função dos rins, sem que isso represente lesão renal. Da mesma forma, a biotina, bastante utilizada para fortalecer cabelos e unhas, pode interferir em exames hormonais, especialmente os relacionados à tireoide.
Hormônios, como testosterona, anticoncepcionais e corticoides, também podem modificar exames de colesterol, glicemia, hemoglobina, hematócrito, enzimas hepáticas e hormônios sexuais. Já os medicamentos utilizados no tratamento da obesidade costumam promover melhora de parâmetros como glicemia, colesterol, resistência à insulina e gordura no fígado, refletindo a resposta ao tratamento.
Além disso, medicamentos de uso comum, como anti-inflamatórios, antibióticos, antidepressivos, anticonvulsivantes, diuréticos e remédios para pressão arterial, também podem alterar exames relacionados à função renal, função hepática, eletrólitos e perfil lipídico.
Para o especialista, a preparação para um exame vai além do jejum. Informar corretamente todos os medicamentos, suplementos e vitaminas utilizados é essencial para que o médico faça uma interpretação segura dos resultados.
“Na medicina, não tratamos apenas números. Tratamos pessoas. Por isso, conhecer tudo o que o paciente utiliza faz parte de um diagnóstico preciso e evita preocupações ou investigações desnecessárias”, conclui Djairo Araújo.
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