STF reagiu à indústria de delações, diz Lula sobre absolvição de Gleisi

Publicado em 20/06/2018, às 15h31

Redação

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em carta, que o STF (Supremo Tribunal Federal) "reagiu claramente à indústria de delações premiadas" ao absolver a senadora Gleisi Hoffmann (PR) da acusação de ter participado de um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro desviado da Petrobras.
A carta foi lida nesta quarta-feira (20) pela própria Gleisi durante reunião fechada das bancadas de deputados e senadores do PT, em Brasília.

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"Pela primeira vez o STF reagiu claramente diante da indústria das delações em um caso concreto, desmoralizando o discurso e a prática da Lava Jato", escreveu o ex-presidente de sua cela, em Curitiba.
Lula chamou de "mentiras" e "notícias falsas" as acusações contra a senadora e disse que os procuradores "nunca levaram em conta os argumentos da defesa e as contradições entre os depoimentos dos delatores" que, segundo o petista, "mudavam de versão cada vez que suas mentiras eram derrubadas pelos fatos e pela investigação".

"Agora me pergunto: quem vai te pedir desculpa por quatro anos de acusações falsas", completa o ex-presidente.
Gleisi foi recebida pelos correligionários com flores e música, e se emocionou ao ler a carta enviada a ela pelo ex-presidente.
Nesta terça-feira (19), os ministros da segunda turma do STF entenderam que a PGR (Procuradoria-Geral da República) não conseguiu provar os crimes que foram imputados à senadora pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot.

Eles criticaram a estrutura da denúncia, considerada com base apenas em delações de pessoas com interesses em fazer as acusações e que não apresentaram provas para corroborar os depoimentos.
A PGR ainda pode recorrer à turma.

LEIA A ÍNTEGRA DA CARTA DO EX-PRESIDENTE LULA 

"Querida companheira Gleisi Hoffmann,Recebi com muita alegria a notícia de que o STF, por unanimidade, declarou você e o companheiro Paulo Bernardo inocentes, perante as falsas acusações da Lava Jato e da Procuradoria Geral da República.

As mentiras dos delatores e dos procuradores eram tão evidentes que não havia outra decisão possível, apesar da imensa pressão da Rede Globo para condená-la. Foram quase quatro anos de notícias falsas e parciais. Nunca levaram em conta os argumentos da defesa nem as contradições entre os depoimentos dos delatores, que mudavam de versão cada vez que suas mentiras eram derrubadas pelos fatos e pela investigação.

E você enfrentou toda essa pressão com a indignação dos inocentes e a coragem dos que lutam pela verdade e pela justiça. Você é forte, sempre esteve ao lado do povo, é a presidenta do Partido dos Trabalhadores. É por isso que eles tentaram te destruir numa farsa judicial. No julgamento dessa terça-feira, sua defesa mostrou que a Lava Jato construiu uma denúncia falsa a partir de depoimentos negociados com criminosos, em troca de benefícios penais e até financeiros.

E pela primeira vez o STF reagiu claramente diante da indústria das delações em um caso concreto, desmoralizando o discurso e a prática da Lava Jato.
Sua absolvição, conquistada por unanimidade, diz muito sobre sua integridade e a reputação como pessoa honesta e líder na política.

Mais do que isso, foi uma importante vitória da democracia e do estado de direito sobre os que vêm tentando impor um regime de exceção contra o PT e as forças populares e democráticas mais expressivas do país. E agora me pergunto: quem vai te pedir desculpas por quatro anos de acusações falsas, de manchetes nos jornais e na Rede Globo, que tanto sofrimento causaram a você, sua família, seus amigos e companheiros?

Nada espero dos que te acusaram falsamente. Mas tenho certeza de que o povo brasileiro saberá reconhecer seu exemplo de coragem e integridade para enfrentar a máquina de mentiras da Lava Jato e da TV Globo.

E assim, de vitória em vitória, vamos reconstruir este país e restaurar a esperança na democracia, na justiça e na igualdade.Salve companheira Gleisi, salve companheira inocente!
A verdade sempre vencerá!

Um grande abraço do Lula

Curitiba, 20 de junho de 2018"

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