Nide Lins
Para começo de conversa, a Boa Lembrança (@boalembranca) é uma associação que reúne restaurantes de diferentes regiões do Brasil, valorizando a gastronomia, os ingredientes locais e a identidade de cada lugar. E tem uma tradição muito especial: todos os anos, cada restaurante associado cria uma receita exclusiva para o Prato da Boa Lembrança. Quem pede a receita leva para casa, além da experiência gastronômica, um prato de cerâmica pintado com uma arte inspirada naquela criação. É uma lembrança daquelas que não ficam apenas na memória: vão para a parede, entram para a coleção e passam a contar a história de uma viagem e de uma boa mesa.
Em Alagoas, a melhor maneira de conhecer a Boa Lembrança é sentando à mesa dos restaurantes participantes. Em Maceió, estão Divina Gula (@divinagulabr), Akuaba (@akuababr), Picuí (@akuababr)e Piccola Villa (@piccola.villa). E, em Piranhas, está o Nalva (@nalvacozinhaautoral). Cada casa tem a missão de criar uma receita que converse com sua cozinha e valorize ingredientes, sabores e referências do território. Assim, percorrer os restaurantes da associação é também fazer uma viagem pela gastronomia brasileira, prato por prato.
E agora ficou ainda mais fácil seguir essa rota. A Associação da Boa Lembrança lançou um guia reunindo os restaurantes participantes espalhados pelo Brasil. É daqueles guias para guardar na mala: por onde você viajar, pode descobrir um novo restaurante, provar a criação exclusiva e trazer para casa uma verdadeira Boa Lembrança. Em Alagoas, o lançamento do guia aconteceu no Divina Gula, reunindo gastronomia, histórias e, claro, o tradicional prato de cerâmica que transformou a Boa Lembrança em objeto de desejo de quem ama comida, viagens e boas histórias.
Divina Gula: Furdunço Cozinhado
O Divina Gula foi o primeiro restaurante de Alagoas a fazer parte da Associação da Boa Lembrança e, ao longo dessa trajetória, colecionou pratos e receitas recheados de histórias. Entre eles está a Feijoada do Chico, criada em homenagem ao antigo Boteco do Chico, em Maceió. Em 2026, os chefs André e Vitor Generoso capricharam mais uma vez e batizaram a nova criação de Furdunço Cozinhado. E o nome já entrega a proposta: é celebração à mesa!
A carne é cozida lentamente até ficar macia e chega mergulhada em um caldo rico e perfumado, acompanhada de minibatatas, cenoura, abóbora e o toque adocicado da banana-da-terra. O paio traz o sabor defumado, enquanto o tutano assado acrescenta ainda mais personalidade ao prato.Para completar esse verdadeiro furdunço de sabores, entra em cena o pirão preparado com o próprio caldo, daqueles, como se diz por aqui, de lamber os beiços. Arroz e couve refogada completam a gostosura. É uma verdadeira festa no prato. Divina Gula: Av. Eng. Paulo Brandão Nogueira, 85 - Jatiúca, Maceió
Akuaba: Ehba-tápa de Camarão
No Akuaba, dos chefs Vera e Jonatas Moreira, a Boa Lembrança de 2026 chega à mesa com o Ehba-tápa de Camarão, uma criação inspirada no vatapá e que brinca até no nome com a origem do prato.A receita traz crustáceos frescos cozidos em uma base de vatapá preparada com gengibre, cebola, amendoim e camarão defumado. O azeite de dendê entra no final para perfumar e marcar presença, enquanto as rodelas de banana-da-terra frita fazem aquele delicioso encontro entre o doce e o salgado. É uma receita que traduz bem a cozinha do Akuaba: cheia de ancestralidade, sabor e axé. R. Ferroviário Manoel Gonçalves Filho, 6 - Jatiúca, Maceió
Piccola Villa: Ossobuco Della Piccola
Tempo, paciência e memória de família temperam a Boa Lembrança 2026 da Piccola Villa, em Maceió. O chef Beto Macias buscou inspiração nos clássicos do norte da Itália para criar o Ossobuco Della Piccola, uma receita que celebra tradição e mesa compartilhada. A carne é braseada lentamente, respeitando o tempo da carne e do fogo, como se fazia antigamente. Chega à mesa acompanhado de risoni envolvido no próprio molho da cocção e f inalizado com gremolata fresca e Grana Padano. O risoni absorve os sabores intensos do braseado, enquanto a gremolata traz frescor e equilíbrio. É a Itália servida à mesa com aquele ingrediente que não se compra: o tempo.R. Jangadeiros Alagoanos, 1564 - Pajuçara, Maceió
Picuí: Massa dos Deuses
Na criação do chef Wanderson Medeiros, o famoso Picuí, Itália e Nordeste resolveram dividir o mesmo prato. E desse encontro nasceu a Massa dos Deuses. A receita traz linguine ao molho de Grana Padano e cogumelos, acompanhado de cubinhos de carne de sol na manteiga de garrafa e finalizado com crispy de carne seca. A cremosidade do queijo e os sabores dos cogumelos encontram a intensidade da carne de sol e o perfume inconfundível da manteiga de garrafa. Para completar, o crispy de carne seca acrescenta textura e reforça ainda mais a presença nordestina. O nome já avisa, e o prato confirma: é dos deuses.
Nalva: Ode ao Bode, uma homenagem ao sertão
A Caatinga e os sabores do sertão inspiram o Ode ao Bode, criação do Nalva que tem como protagonista uma das carnes mais presentes na cultura gastronômica dos sertões de Alagoas e Sergipe. A receita traz contrafilé de bode com demi-glace de bode, gratin de batata-doce, cebolas assadas e azeite de cactos. Uma combinação que aproxima ingredientes e referências do território em uma leitura criativa do chef Antônio Mendes. Em Piranhas, diante do Rio São Francisco e em pleno sertão alagoano, o prato ganha ainda mais sentido. É uma homenagem ao bode, à Caatinga e a uma cozinha que sabe transformar território em sabor. R. José Martiniano Vasco - Centro Histórico, Piranhas -
No fim das contas, a Boa Lembrança faz exatamente o que o nome promete: transforma uma experiência à mesa em memória. Você prova a receita, conhece um pouco da história de cada restaurante e ainda leva para casa um prato de cerâmica para lembrar daquele sabor. Porque viagem boa também é aquela que a gente guarda na parede e na memória.
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