Especialista esclarece quais são os limites entre utilizar essa tecnologia como apoio aos estudos e depender da ferramenta para aprender
Presente em celulares, computadores e diversas plataformas digitais, a Inteligência Artificial (IA) já integra o dia a dia de muitas crianças e adolescentes. No ambiente educacional, a tecnologia tem sido cada vez mais utilizada como um recurso complementar, trazendo novas possibilidades para pesquisas, atividades e acesso a informações. Mas, apesar de oferecer benefícios para o processo de aprendizagem, a ferramenta também levanta discussões sobre a maneira adequada de utilizá-la na rotina escolar.
LEIA TAMBÉM
Para a psicopedagoga Paula Furtado, o uso excessivo da IA compromete a autonomia e o desenvolvimento do pensamento crítico quando deixa de funcionar como uma ferramenta de apoio à aprendizagem e passa a substituir o processo de reflexão e construção do conhecimento pelo próprio estudante.
De acordo com Paula Furtado, pais e professores precisam ficar atentos aos sinais de que o recurso tecnológico está substituindo o esforço intelectual dos estudantes. Veja os principais:
A psicopedagoga Paula Furtado ressalta que “nenhum desses comportamentos devem ser analisados isoladamente. É importante observar a frequência, a intensidade e as mudanças no comportamento geral”, complementa a especialista em educação.

A tecnologia, por si só, não melhora nem piora a educação. O que define seus efeitos é o projeto pedagógico, a intencionalidade e a mediação humana. Nas escolas, Paula Furtado ressalta que os educadores devem mostrar aos alunos que a rapidez na realização de um exercício nem sempre é vantagem, pois existem aprendizagens que exigem tempo, repetição, esforço, silêncio e maturação.
E, em casa, a profissional orienta os pais a estabelecerem combinados sobre horários, tipos de ferramentas, proteção de dados e situações em que o uso da inteligência artificial é permitido. Ela também recomenda realizar experiências em conjunto, como formular uma pergunta à IA, analisar a resposta, identificar possíveis erros e comparar as informações com fontes confiáveis.
“A supervisão mais eficaz não é aquela em que o adulto vigia cada movimento, mas aquela em que a criança desenvolve critérios para agir mesmo quando ninguém está olhando”, explica Paula Furtado.
A psicopedagoga reforça, portanto, que a inteligência artificial pode acelerar respostas, mas não substitui o desenvolvimento de habilidades como argumentação, criatividade, memória, persistência e pensamento crítico, que são construídas durante o processo de aprendizagem.
Por Elenice Cóstola
+Lidas