Nordeste

Abuso sexual e extorsão: policiais e agentes são demitidos no Ceará

Com O Povo | 29/08/19 - 10h10 - Atualizado em 29/08/19 - 13h09

Um delegado de Polícia Civil, dois agentes penitenciários e oito policiais civis, entre escrivães e inspetores, tiveram as demissões publicadas no Diário Oficial do Estado do Ceará nessa quarta-feira, 28, após responderem a processos na Controladoria Geral de Disciplina.

Eles são envolvidos em crimes de extorsão, roubo de gado, relação sexual com detenta, abuso sexual em unidade de trabalho, abandono de função e apropriação de material apreendido.

Em um dos casos investigados, o do delegado, ele realizou uma prisão em dezembro de 2010 e arbitrou fiança de R$ 530, mas só recolheu para a polícia R$ 180. A investigação concluiu que ele usou o restante do dinheiro em benefício próprio.

Uma das situações mais graves é a de um perito criminal, que trabalhou em Brejo Santo, no ano de 2012. Ele teria abusado sexualmente de mulheres que buscavam o atendimento dele no posto de identificação da cidade. Quatro jovens foram vítimas do homem, segundo a apuração. Ele passava a mão nos cabelos e nos seios das vítimas alegando que iria arrumá-las para uma melhor imagens da fotografia da identidade, e ainda passava as genitais nas mulheres.

Há ainda na lista de demitidos um escrivão que teria se apropriado de R$ 2.700 apreendidos em um inquérito policial, além de R$ 105 de um Termo Circunstanciado de Ocorrência. O dinheiro sumiu quando o profissional era chefe do cartório. Em depoimentos, colegas disseram que ele afirmou ter depositado o dinheiro na própria conta bancária.

Um dos agentes penitenciários foi demitido por abandono de função, enquando outro foi flagrado por um promotor de Justiça trancado com uma detenta em um alojamento. O agente tinha um relacionamento amoroso com a presa. Além disso, ele era investigado pela suposta promoção de festas, facilitação de fugas, entradas de bebidas alcoólicas e desvio de alimentação dos presos para a venda de comércio local na Cadeia Municipal de Uruburetama.

"Saliente-se, que a referida detenta, perante a Comissão Processante, descreveu com detalhes a dinâmica dos fatos que culminaram nas relações sexuais com o AGP como também foi clara ao atribuir as relações sexuais ao medo que tinha em ser transferida de unidade prisional. Devendo-se ressaltar que nos crimes contra a liberdade sexual a palavra da vítima, especialmente corroborada por outros elementos de convicção, como no caso concreto em tela, tem grande validade como meio de prova; considerando que a configuração da falta disciplinar tipificada na Lei 9.826/1974 é aplicável aos agentes públicos que, por ação ou omissão, violem os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade", divulgou a Controladoria.

Outros quatro inspetores da Polícia Civil foram demitidos acusados de exigir R$ 10 mil de familiares de um detido para libertá-lo. Com os policiais civis foram apreendidos R$ 7.500 divididos em quatro envelopes da Caixa Econômica Federal.

Outro demitido é um inspetor que foi investigado por ter repassado dados sigilosos de operações aos integrantes de uma associação criminosa voltada a furto de gado, em Santana do Acaraú.

Ainda mais dois inspetores do 35º DP foram demitidos em razão de uma investigação sobre uma abordagem em uma residência em que teriam subtraído dinheiro e confecções. Além de solicitar R$ 20 mil pela soltura da vítima.