'Acha que segunda já tenho que estar fora?', perguntou Vorcaro a Moraes 2 dias antes de prisão, diz jornal

Publicado em 01/09/2026, às 14h24
Daniel Vorcaro está preso por fraudes ligadas ao Banco Master - Reprodução
Daniel Vorcaro está preso por fraudes ligadas ao Banco Master - Reprodução

Por José Marques e Luísa Martins / Folhapress

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal em 17 de novembro de 2025, após enviar mensagens ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, questionando se deveria deixar o país antes da prisão. A situação levanta questões sobre a possível influência de Moraes nas ações de Vorcaro e a relação entre eles.

As mensagens revelam que Vorcaro buscava apoio de figuras chave, como o diretor-geral da Polícia Federal e o procurador-geral da República, para evitar sua detenção e a liquidação do banco. A investigação da PF inclui diálogos que indicam tentativas de manipulação do processo judicial.

Após a prisão de Vorcaro, o Banco Central anunciou a liquidação do Banco Master, intensificando a crise financeira da instituição. O ministro André Mendonça solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre as mensagens, enquanto Moraes e outros envolvidos ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as acusações.

Resumo gerado por IA

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), se deveria dever deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Em 15 de novembro de 2025, um sábado, Vorcaro teria enviado a Moraes a mensagem: "Acha que segunda já tenho que estar fora?", de acordo com o jornal. Na segunda-feira (17), o banqueiro foi preso pela PF quando se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Malta.

A revelação amplia o conjunto de mensagens entre Vorcaro e um interlocutor que a Polícia Federal suspeita ser Moraes. Parte desses diálogos está em documento sobre o qual o ministro André Mendonça, do STF, pediu manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Um dia antes da prisão, em 16 de novembro, Vorcaro também teria perguntado ao ministro:

"Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?", segundo o Estadão.

A ordem de prisão preventiva foi assinada pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, às 15h29 de 17 de novembro, segundo o jornal. Horas depois, Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de São Paulo.

O Estadão afirma ainda que, no dia 15, Vorcaro perguntou a Moraes: "Aquele mesmo juiz Ricardo? E o [Gabriel] Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo?". Já às 17h26 do dia em que acabou preso, teria enviado: "Conseguiu ter notícia ou bloquear?".

As mensagens extraídas do celular de Vorcaro não permitem saber o conteúdo de eventuais respostas de Moraes. Os dois usariam imagens de visualização única com capturas de textos escritos no aplicativo de notas, e a extração teria recuperado apenas conteúdos enviados pelo banqueiro.

A investigação da PF apresenta uma série de mensagens enviadas por Vorcaro a partir de 30 de outubro de 2025. Em outros diálogos já revelados, o banqueiro pede a um interlocutor a atuação de "Andrei e Paulo" a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

A pessoa para quem a mensagem foi enviada não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja Moraes. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela reportagem.

Em uma das mensagens, Vorcaro afirma que era "importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco". Em outra, divulgada pelo Estadão, pede que o interlocutor tente adiar uma ação da PF: "Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível".

Mendonça deu prazo de cinco dias para que a PGR se manifeste sobre o documento da PF. A reportagem procurou nesta terça-feira (1º) Andrei, Gonet e Moraes, que ainda não haviam se manifestado.

O Estadão também publicou que Moraes fez edições em uma minuta do contrato entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes.

Em nota, o escritório afirmou que seu setor de compliance solicitou informações ao ministro, "na condição de marido da sócia diretora", sobre eventuais impedimentos legais para a contratação.

Segundo o escritório, não havia impedimento porque não estava prevista atuação perante o STF e Moraes não havia julgado causas envolvendo o Master. O contrato previa pagamentos de R$ 129 milhões ao longo de três anos, a R$ 3,6 milhões por mês.

Em março, O Globo revelou que Vorcaro trocou mensagens de WhatsApp com Moraes ao longo do dia de sua primeira prisão. A informação foi confirmada pela Folha de S.Paulo.

À época, Moraes afirmou que "não recebeu essas mensagens" citadas em reportagens e classificou como "ilação mentirosa" a afirmação de que elas teriam sido enviadas a ele.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro, quando se preparava para embarcar para o exterior. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master.

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