Agiotagem: PM é investigado por extorsão, roubo e cárcere privado na Ponta Verde

Publicado em 28/04/2026, às 10h20
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Por TNH1

Um sargento da Polícia Militar de Alagoas é investigado por extorsão, roubo e cárcere privado em um esquema de agiotagem, envolvendo uma vítima que contraiu uma dívida de R$ 2 mil e foi ameaçada após não conseguir pagá-la.

O caso, que ocorreu em dezembro de 2025, revela que a vítima foi agredida e forçada a transferir todos os seus recursos financeiros, além de ter seus bens subtraídos pelos suspeitos, incluindo o sargento.

A Corregedoria da Polícia Militar instaurou uma investigação em 16 de dezembro, e a Promotora de Justiça determinou a evolução do caso para um procedimento administrativo, destacando a gravidade das ações do sargento como transgressão militar e quebra de decoro.

Resumo gerado por IA

Um sargento da Polícia Militar está sendo investigado pelo Ministério Público de Alagoas por supostos crimes de extorsão, roubo e cárcere privado contra um homem de 28 anos em um esquema de agiotagem, no bairro da Ponta Verde, em Maceió. A denúncia aponta que o caso teria acontecido em dezembro de 2025. 

O TNH1 teve acesso, com exclusividade, aos autos do processo do Ministério Público. No depoimento, a vítima relatou que pegou emprestado R$ 2 mil com um suposto agiota, sob juros de 40%. Porém, após não conseguir quitar a dívida, passou a receber mensagens ameaçadoras do suspeito, incluindo fotos de armas e frases como: “Sua hora está chegando”.

Segundo o relato, após ignorar as ameaças, no dia 6 de dezembro, o homem recebeu uma ligação de um amigo convidando-o para jogar videogame. Ao chegar ao local, encontrou o colega rendido pelo agiota e por um sargento da Polícia Militar.

O amigo teria sido abordado pelos dois suspeitos momentos antes na frente de um futevôlei na Praia de Ponta Verde. A dupla o obrigou a entrar no carro e a fazer a ligação para o suposto devedor. 

Vítima ficou só de cueca e foi agredida

No local, o Policial Militar colocou a arma na cabeça da vítima e pediu para ela realizar um pagamento de R$ 3 mil. Enquanto isso, o comparsa ordenou que ele tirasse as roupas e um cordão de ouro e ficasse apenas de cueca. 

Em seguida, os suspeitos mandaram o homem ir para um quarto da casa andando de joelhos. Dentro do cômodo, os dois começaram a filmar enquanto o agrediam no rosto. Um dos envolvidos chegou a tirar a sandália e dar chineladas no rosto da vítima. 

Ainda segundo o relato da vítima, a dupla pediu que ele abrisse as contas bancárias e que fizesse um pix de todo o valor que tivesse. A vítima tinha apenas R$ 193 no banco e R$ 100 em espécie e passou todo o valor para os supostos autores. Além disso, eles também ficaram com o cordão de ouro e disseram que iria dar mais “uma chance” para a vítima realizar o pagamento. 

Investigação do Ministério Público

Após um pedido do Ministério Público, a Corregedoria Geral da Polícia Militar do Estado de
Alagoas informou que instaurou uma portaria para investigar o caso no dia 16 de dezembro, porém não foram repassadas novas atualizações. 

No último dia 23 de abril, a Promotora de Justiça Alexandra Beurlen determinou que o caso evoluísse para um procedimento administrativo, com o objetivo de ter o devido acompanhamento e receber o resultado conclusivo da corregedoria. 

Ainda nos autos, o Ministério Público classifica a postura do Sargento da Polícia Militar como transgressão militar, quebra do decoro militar e “completa dissociação com os deveres inerentes à função de policial militar”. Confira: 

“A conduta do Sargento PM, ao valer-se de sua condição de Agente de Segurança Pública, fazer uso de arma de fogo e aplicar grave ameaça para cometer extorsão e roubo em benefício próprio e de terceiro demonstra o total desvio de finalidade do aparato estatal e a completa dissociação com os deveres inerentes à função de policial militar. Tal modus operandi configura, em tese, a prática de crimes de natureza hedionda e representa inquestionável quebra do decoro militar e gravíssima transgressão disciplinar, exigindo pronta e rigorosa apuração por parte da Corregedoria”, consta nos autos. 

O TNH1 procurou a Polícia Militar de Alagoas, por meio da assessoria de comunicação, e aguarda um posicionamento sobre o caso. 

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