Água quente do oceano avança para a Antártida e ameaça geleiras, diz estudo

Publicado em 28/04/2026, às 13h21
Mar de Bellingshausen, perto da Antártida, registrado de um navio de pesquisa em 2025 - Laura Cimoli / Universidade de Cambridge
Mar de Bellingshausen, perto da Antártida, registrado de um navio de pesquisa em 2025 - Laura Cimoli / Universidade de Cambridge

Por Folhapress

Água quente profunda do oceano está se movendo em direção à Antártida, ameaçando as plataformas de gelo que protegem o continente, conforme estudo da Universidade de Cambridge. Essa mudança pode resultar no derretimento acelerado das plataformas, elevando o nível do mar.

Nos últimos 20 anos, uma massa de água quente se expandiu e se deslocou, com dados coletados por navios e dispositivos robóticos confirmando a tendência de aquecimento prevista pelos modelos climáticos. O Oceano Austral, que absorve a maior parte do calor gerado pelo aquecimento global, está no centro dessa questão.

As plataformas de gelo, que contêm grandes massas de água doce, estão em risco, pois a água quente pode desestabilizá-las. Especialistas alertam que as mudanças na temperatura do Oceano Austral podem ter consequências significativas para o sistema climático global.

Resumo gerado por IA

A água quente profunda do oceano tem se deslocado em direção à Antártida e ameaça as plataformas de gelo que protegem o continente. É o que diz o estudo publicado nessa segunda-feira na revista científica Communications Earth & Environment liderado pela Universidade de Cambridge em colaboração com a Universidade da Califórnia.

Uma massa de água quente se expandiu e deslocou em direção à Antártida nos últimos 20 anos. O estudo reuniu medições oceanográficas de longo prazo coletadas por navios e dispositivos flutuantes robóticos.

Tendência de aquecimento era prevista pelos modelos climáticos devido ao aquecimento global. Até então, porém, cientistas não tinham observações oceanográficas suficientes para detectá-lo. Mais de 90% do excesso de calor causado pelo aquecimento global é armazenado no oceano, e o Oceano Austral absorve a maior parte desse calor de origem humana.

É preocupante, porque essa água quente pode fluir por baixo das plataformas de gelo da Antártica, derretendo-as por baixo e desestabilizando-as Joshua Lanham, autor principal do estudo do Departamento de Ciências da Terra de Cambridge

Risco principal é o derretimento das plataformas de gelo, o que pode acelerar a elevação do nível do mar. As plataformas de gelo desempenham um papel importante ao conter as grandes massas de gelo interior e as geleiras da Antártica, que juntas armazenam água doce suficiente para elevar o nível do mar em cerca de 58 metros.

No passado, as plataformas de gelo eram protegidas por um banho de água fria, que impedia o derretimento. Agora parece que a circulação do oceano mudou, e é quase como se alguém tivesse aberto a torneira de água quente e o banho estivesse esquentando Sarah Purkey, professora do Instituto de Oceanografia Scripps e uma das autoras do estudo.

Problema pode ser ainda maior, já que o aquecimento não implicaria apenas no derretimento do gelo e na elevação do nível do mar. "O Oceano Austral desempenha um papel fundamental na regulação do armazenamento global de calor e carbono. Por isso, mudanças na distribuição de calor nessa região têm implicações mais amplas para o sistema climático global", explica o professor Ali Mashayek, um dos autores sênior do estudo da Universidade de Cambridge.

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