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Alagoana que trabalha em serviço de emergência no Texas conta rotina durante a pandemia nos EUA

Gilson Monteiro | 31/03/21 - 11h11 - Atualizado em 31/03/21 - 14h57
Foto: Arquivo Pessoal

Estar na linha de frente na luta contra a Covid-19 tem sido uma experiência dura e exaustiva para os profissionais de saúde. Seja em Alagoas ou em qualquer ponto do planeta, a pandemia mudou a rotina radicalmente, numa corrida pelo vida que acontece diariamente nas unidades de saúde. 

Na série de entrevistas com alagoanos que vivem a pandemia em outros países, o TNH1 entrevistou Clara Ticianelli, que trabalha como EMT,  profissional que atua em atendimento de emergência, equivalente ao enfermeiro no Brasil.

Morando na cidade de Austin, capital do estado do Texas, nos Estados Unidos, Clara contou ao TNH1, em entrevista pelo WhatsApp, como tem sido sua rotina de trabalho durante a pandemia, narrando momentos traumáticos. No pico da pandemia em 2020, como as leis do Texas permitem, em casos mais críticos, médicos chegavam a saber dos pacientes se eles desejavam ou não serem ressuscitados, caso fossem intubados. Isso aqui é um procedimento normal. 

“Aqui tem uma lei que você pode pedir ao profissional de saúde para nos ressuscitar. Você preenche um documento com advogado, juiz e pede para não ressuscitar”, conta. Foi muito triste não só os pacientes, como nossa sobrecarga de trabalho”. No vídeo abaixo, Clara conta um pouco da rotina de seu trabalho por lá. 

Edição de vídeo: Wando Cajueiro

4700 atendimentos por Covid

Ela conta que o serviço médico para o qual trabalha já atendeu 4700 pessoas com Covid desde o início da pandemia. “Foram 4700 pacientes só de Covid. 4700 mil só de Covid. Temos muitas histórias dramáticas. Crianças com parada cardiorrespiratória, parecia que estávamos atendendo vítimas de um desastre, muitos morrendo por conta do vírus. Ouvi paciente dizendo: por favor, deixa o oxigênio comigo, que eu não consigo respirar. Foi muito triste não só os pacientes, como nossa sobrecarga”, conta Clara.

Com quase 1 milhão de habitantes, a cidade de Austin possui muitos abrigos para idosos, vítimas mais comuns da Covid-19. Desde o início da pandemia, Austin acumula 79.085 casos da doença, com 952 mortes, segundo o mapa de casos de Covid da Universidade Johns Hopkins.

“Aqui tem muito abrigo de idosos e foram fechados para visitantes, são vários idosos sozinhos, com Covid, sem família, sem outro lugar pra ficar, simplesmente isolados. Muitos morreram sozinhos, com essa doença, sem poder fazer contato com a família, que não podia visitá-los”, lamentou a alagoana.

Vacina

A alagoana conta (assista também ao vídeo abaixo) que tomou a primeira dose de vacina em dezembro do ano passado, e a segunda dose em janeiro deste ano. No Texas o poder público disponibilizou três tipos de vacina: Pfizer, Moderna e Johnson & Johnson. 

“Grande parte da população já recebeu a vacina. A vacinação começou em dezembro. Aqui foi dividida em cinco fases. Atualmente estamos na fase dois, que vai até junho, julho, aproximadamente”.

Conhecendo tão de perto o drama da Covid, Clara manda um recado aos brasileiros. “Espero que aí no Brasil as pessoas se cuidem, se isolem, se previnam, usem macara, isso vai passar”.