Cinzia Dal Pino, uma socialite italiana de 67 anos, foi condenada a 18 anos de prisão por atropelar intencionalmente um ladrão, gerando um intenso debate sobre empatia e justiça na sociedade italiana.
O incidente ocorreu em setembro de 2024, quando Cinzia passou com seu SUV sobre Nourdine Mezgoui, um imigrante marroquino, ao menos três vezes, após ele ter roubado sua bolsa, enquanto já estava inconsciente.
Embora a Promotoria tenha pedido prisão perpétua, Cinzia cumprirá sua pena em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, e seu advogado anunciou a intenção de recorrer da decisão judicial.
Uma socialite italiana foi condenada a 18 anos de prisão por ter atropelado de forma intencional um ladrão na Itália.
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Cinzia Dal Pino, de 67 anos, com semblante sério, compareceu à audiência de quinta-feira (11/6), em Lucca (Toscana Itália), acompanhada da filha.
O juiz do caso autorizou que Cinzia cumpra a pena por homicídio em prisão domiciliar. Ela será monitorada por tornozeleira eletrônica.
Imagens de câmera de segurança num resort à beira-mar em Viareggio mostraram Cinzia passando com o seu SUV Mercedes sobre Nourdine Mezgoui, um cidadão marroquino em situação irregular na Itália, em setembro de 2024. A socialite passou com o carro sobre o corpo do imigrante, já inconsciente, ao menos três vezes.
A divulgação do vídeo das câmeras de segurança chocou o país. A frieza com que a empresária atropelou o homem, pegou a bolsa de volta e foi embora sem prestar socorro alimentou o debate sobre a perda de empatia na sociedade.
A Promotoria alegou que a rica mulher havia atropelado o marroquino em ato de "vingança excessiva" e pediu a aplicação da pena de prisão perpétua. Promotores e críticos argumentaram que a ação foi uma "justiça privada", apontando que não houve legítima defesa, pois o assaltante já estava fugindo a pé e não ameaçava a vida da socialite no momento do atropelamento.
A defesa, por sua vez, argumentou que ela apenas queria recuperar sua bolsa e solicitou que a acusação fosse reduzida para "excesso negligente de legítima defesa".
"Eu esperava um resultado diferente, tanto em termos da classificação legal quanto da severidade da pena", disse à imprensa local o advogado Entico Marzaduri, que representa a socialite. Ele anunciou que vai recorrer da decisão.
Na noite do atropelamento, Cinzia saiu do carro, pegou a sua bolsa e foi embora dirigindo. O caso gerou fortes debates na Itália sobre imigração, legítima defesa, justiça com as próprias mãos e a segurança pública nas cidades.
Nourdine morreu devido a uma grave laceração da aorta abdominal e hemorragia interna, segundo legistas.