Alta do dólar começa a impactar açúcar, trigo e café, que podem ficar mais caros para o consumidor

Publicado em 04/11/2026, às 11h51
Foto: Agência Brasil
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Por Folhapress

A reeleição do presidente Lula resultou em uma alta de 9,2% no dólar, impactando as cotações de commodities agrícolas como soja, milho, açúcar e café, o que pode afetar tanto os produtores quanto os consumidores brasileiros.

A valorização do dólar aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, elevando os preços das commodities, com a saca de soja alcançando R$ 152,45 e a de milho R$ 66,19, refletindo um aumento significativo desde o segundo turno das eleições.

Medidas como a renovação da subvenção ao diesel e a análise do impacto do fenômeno El Niño nas lavouras são cruciais, enquanto o Cepea observa que a alta do dólar também sustenta os preços do café, que se mantêm firmes no mercado nacional.

Resumo gerado por IA
A alta do dólar após a reeleição do presidente Lula (PT) começa a impactar as cotações de commodities agrícolas como soja, milho, açúcar, trigo e café. Se de um lado o avanço da moeda americana pode ajudar o produtor, de outro ameaça afetar o bolso do consumidor brasileiro.
Segundo analistas, a situação pode gerar repasses para os preços finais de parte dos alimentos caso o câmbio siga pressionando as cotações. Soja e milho afetam a produção de carnes por servirem de base para a alimentação animal.
Na semana passada, após a vitória de Lula, o dólar acumulou alta de 9,2%. A moeda americana atingiu na terça-feira (3) o maior nível desde dezembro de 2025, a R$ 5,486 —o avanço diário foi de 0,7%. Agentes do mercado financeiro têm manifestado preocupação com o rumo das contas públicas no quarto mandato de Lula. Nesat quarta a moeda abriu em queda, após os democratas conquistarem a maioria nas duas casas do Congresso dos EUA. Às 9h48, recuava 0,20%, cotada a R$ 5,475.
"Quanto mais tempo o dólar permanecer acima do pré-eleição, maior é a probabilidade de ter algum impacto nos preços", diz o economista André Braz, do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).
O Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) disse na terça que a alta do dólar frente ao real aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, estimulando o interesse de compradores estrangeiros.
Conforme a instituição, o movimento impulsionou os preços, que voltaram aos níveis do início de outubro.
Nesta terça, a saca de 60 kg de soja custava R$ 152,45 no Paraná, aponta indicador do Cepea. Isso representa uma alta de 3,9% ante o patamar de 23 de outubro (R$ 146,69), antes do segundo turno das eleições.
O centro também afirmou que as cotações do milho voltaram a subir, favorecidas pela valorização do dólar e pelo avanço dos preços nos portos.
A saca de 60 kg custava R$ 66,19 nesta terça, 3% a mais do que às vésperas do segundo turno (R$ 64,27). A região de referência dos dados é a de Campinas (SP).
"Teve algumas altas até bem expressivas de soja em grão e milho, porque os preços da maioria das commodities que a gente exporta são feitos de fora para dentro", diz o analista Gabriel Viana, da consultoria Safras & Mercado, em referência ao impacto do câmbio.
ALÉM DO DÓLAR
Enquanto o dólar pressiona, outros fatores impedem um aumento mais intenso das cotações neste momento, segundo Viana. Um deles é o avanço do plantio da soja no Brasil.
O especialista afirma que o clima até agora tem permitido a semeadura na maioria das regiões, exceto em locais que sofrem com fortes chuvas na região Sul.
A questão é que a alta das temperaturas prevista com o fenômeno climático El Niño pode atrapalhar as lavouras mais à frente, pondera o analista.
Outro fator a ser observado é o comportamento dos preços do óleo diesel, uma vez que o combustível é um dos insumos utilizados na produção agrícola.
Com a alta do petróleo após o início da guerra no Irã, o governo passou a subsidiar os preços do diesel no Brasil. A subvenção ao combustível foi renovada por 30 dias na semana passada.
"Em caso de uma mudança na política da subvenção, a gente pode ter um aumento de preço do diesel muito agressivo justamente no momento de cuidados com a lavoura e talvez até no início de colheita", diz o consultor.
AÇÚCAR E TRIGO TAMBÉM SÃO IMPACTADOS
De acordo com o Cepea, o movimento de alta nas cotações do açúcar cristal no mercado à vista foi intensificado na última semana de outubro, após o segundo turno das eleições. A instituição associou o impulso à valorização do dólar.
Na média semanal de 26 a 30 de outubro, os preços do açúcar cristal branco no estado de São Paulo registraram média de R$ 128,57 por saca de 50 kg, aumento de 2,3% frente à semana anterior (R$ 125,63). Foi a 15ª alta semanal consecutiva —sequência de valorização mais longa desde 2020.
A saca de açúcar abriu esta semana cotada a R$ 127,33 nesta terça. O valor é 1,5% superior ao de 23 de outubro (R$ 125,44).
Outro reflexo envolve o trigo, insumo usado na produção de alimentos como pães, massas e biscoitos.
Nesta quarta (4), o Cepea afirmou que a oferta restrita do cereal de boa qualidade, devido a chuvas durante a colheita, está elevando as cotações. O cenário, conforme a instituição, foi reforçado pela alta do dólar na última semana de outubro.
O preço médio do trigo teve alta de 2,2% no mês passado no Rio Grande do Sul, indica o Cepea. O estado é o maior produtor do país, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O Rio Grande do Sul também lidera a produção nacional de arroz. Nesta quarta, o Cepea afirmou que o forte avanço do dólar na última semana de outubro voltou a colocar as exportações de arroz em casca no radar do mercado no estado.
Segundo o centro de estudos, a expectativa de retomada da demanda externa levou parte dos vendedores a adiar negócios, enquanto as indústrias seguiram limitando as compras, diante das vendas fracas e da dificuldade de repassar os preços da matéria-prima.
Em outubro, a média de preços calculada no Rio Grande do Sul foi a maior, em termos nominais, desde fevereiro de 2025, disse o Cepea.
DÓLAR ALTO SUSTENTA PREÇOS DO CAFÉ
Na semana passada, o centro afirmou que as cotações do café estão firmes no mercado nacional, impulsionadas pela valorização do dólar.
Conforme a instituição, o movimento cambial sustentou os preços domésticos, mesmo diante das quedas observadas no cenário internacional.
A saca de 60 kg do tipo robusta saía por R$ 975,32 nesta terça, 4,1% acima do patamar às vésperas do segundo turno (R$ 936,73).
Já o arábica custava R$ 1.611,06, nível 0,6% acima do registrado em 23 de outubro (R$ 1.601,95).

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