Aluno sofreu reação alérgica após 'banho com óleo' em escola de aviação

Publicado em 18/07/2026, às 09h05
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Uol

Gustavo Henrique Lara, um aluno de aviação de 27 anos, faleceu após uma reação alérgica grave provocada por um 'banho de óleo' recebido de um instrutor após seu primeiro voo solo em Ponta Grossa (PR). O incidente levanta preocupações sobre a segurança e práticas de trote na formação de pilotos.

O aluno, que havia se dedicado à aviação por cerca de oito anos, começou a passar mal logo após o banho com uma substância oleosa utilizada em motores de aeronaves, resultando em três paradas cardiorrespiratórias antes de sua morte. A polícia investiga se a substância estava adulterada e aguarda laudos periciais para determinar a causa exata do falecimento.

O instrutor responsável pelo ato foi preso em flagrante por homicídio culposo, mas liberado após pagar fiança. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) emitiu um alerta sobre os riscos de produtos químicos aeronáuticos e enfatizou a necessidade de repensar práticas de celebração na formação de pilotos para garantir a segurança dos alunos.

Resumo gerado por IA

O engenheiro e aluno de aviação Gustavo Henrique Lara, 27, morreu após ter uma reação alérgica grave logo após levar um "banho de óleo" de um instrutor em um curso de aviação na cidade de Ponta Grossa (PR). As informações são do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência).

O que aconteceu

  • Gustavo foi socorrido, mas sofreu três paradas cardiorrespiratórias, segundo a TV Globo. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) de Ponta Grossa confirmou que atendeu o jovem e o levou a um hospital na região, onde faleceu.
  • A polícia aguarda o resultado de laudos periciais para confirmar a causa da morte do aluno. O delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, afirmou que o instrutor e outras pessoas relataram que o cheiro do óleo estava estranho. "A polícia quer entender se a substância estava adulterada, se houve ingestão, tem vários pontos a serem vistos para mais correta tipificação do caso", disse.
  • A substância jogada no piloto é um óleo usado nos motores de aeronaves. O trote é uma prática comum para marcar a conquista entre jovens pilotos. O aluno levou o banho logo após seu primeiro voo solo no Centro de Instrução de Aviação Civil de Ponta Grossa. O responsável por jogar a substância na vítima é um instrutor da escola e não teve o nome divulgado.
  • A Anac alertou para os riscos do trote. A Agência Nacional de Aviação Civil emitiu alerta de que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, podendo trazer riscos à saúde.
  • As circunstâncias da morte de Gustavo seguem em apuração pela Polícia Civil. Em nota, o CIAC Ponta Grossa afirmou permanecer à disposição das autoridades competentes e disse que prestará apoio aos familiares, dentro de suas possibilidades.

"A Agência reitera a escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução que, na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco" - ANAC em nota.

Aluno morto celebrou formação horas antes de passar mal


  • Gustavo Henrique Lara celebrou a formação como piloto horas antes de morrer. Em uma postagem no Instagram, ele publicou uma foto do avião que pilotou sozinho e afirmou que aquele era um dia de realização pessoal.

"Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui", - Gustavo Henrique em postagem no Instagram antes de morrer.

  • Gustavo estudava aviação havia cerca de oito anos. Ele tinha concluído o período de aulas teóricas e práticas e teve a oportunidade de realizar um voo solo como parte de sua formação. 
  • Após o voo solo, Gustavo Henrique foi banhado com uma uma substância oleosa que faz parte de motores da aeronave. Pouco tempo depois desse "banho", ele começou a passar mal e morreu.
  • O instrutor de Gustavo assumiu a responsabilidade pelo banho de óleo e foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele pagou fiança de R$ 3.000 e foi solto para responder em liberdade. O UOL não teve acesso à defesa do homem até o momento. O espaço segue aberto para manifestação.
  • Centro de Instrução de Aviação Civil do Aeroclube de Ponta Grossa, onde Gustavo estudou, lamentou o ocorrido. Em nota, o aeroclube manifestou "seu mais profundo pesar pelo falecimento" do piloto e ressaltou que "o lamentável fato ocorreu fora" de suas dependências, "logo após o encerramento da atividade de voo".
  • Aeroclube também se solidarizou com os familiares de Gustavo, e disse colaborar com as investigações. "Em respeito à memória do aluno, à sua família e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, o CIAC não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas", completou.

Gostou? Compartilhe