Ampliação das instalações da Ceasa terá área exclusiva para a agricultura familiar

Publicado em 28/10/2026, às 15h45
Divulgação
Divulgação

Por Assessoria

A concessão de uso da Central de Abastecimento de Alagoas (Ceasa), prevista no Projeto de Lei em tramitação na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), prevê a ampliação do espaço em mais de 3,4 mil metros quadrados, possibilitando a criação de uma área exclusiva para os agricultores familiares do estado.
De acordo com o texto, o novo espaço permitirá que os produtores familiares de Alagoas vendam seus produtos diretamente aos clientes, sem a interferência de atravessadores.
Segundo Fábio Teixeira Soares, diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Alagoas (Ideral), que administra a Ceasa, além de garantir novos espaços para a agricultura familiar – hoje inexistentes –, a ampliação também abrirá vagas para novos comerciantes, o que não ocorria há 20 anos. "A expansão atrai novos grandes comerciantes e aumenta a competitividade no comércio hortifrutigranjeiro no estado e, com isso, promove a melhoria nos preços", destacou.
Ele também ressalta que a concessão atrai investimentos privados e a equalização das taxas de uso. “Esse projeto beneficia tanto os empresários da Ceasa quanto a população, que terá mais opções de compra. Além disso, há os benefícios sociais, em que os pequenos agricultores terão espaço para comercializar livremente, sem os tais atravessadores", acrescenta.
Dados do Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2017 – o estudo mais recente sobre o setor – mostram que a agricultura familiar responde por 83,6% dos estabelecimentos agropecuários do estado, gerando um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 705,5 milhões.
Ao todo, Alagoas contabiliza 82.369 estabelecimentos de agricultura familiar, ocupando 33,7% da área agrícola total do estado. O segmento emprega 227.115 pessoas, o que representa 69,5% de toda a mão de obra ocupada no campo alagoano. Do total de trabalhadores do setor, 85,3% têm laço de parentesco com o produtor.
Segundo o IBGE, o Agreste alagoano concentra a maior fatia dos estabelecimentos familiares do estado, com 43,9% do total. Na região, 85,42% das propriedades rurais pertencem ao perfil familiar, ocupando 42,10% da área regional.
Já o Sertão reúne 33,9% dos estabelecimentos familiares de Alagoas e registra a maior proporção territorial ocupada pelo segmento (62,56% da área regional). É a região onde predomina a produção voltada à subsistência e ao consumo próprio, alcançando 79,57% das propriedades.
Embora concentre o menor percentual de estabelecimentos (19,8% das propriedades familiares) e de área (14,80%), o Leste de Alagoas é a região mais voltada ao mercado, com 85,30% da produção destinada à comercialização e 72,04% de toda a área irrigada do estado.
Neste mês, o IBGE iniciou em Alagoas a preparação das equipes que vão atuar no Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola (Cafa) de 2027, que traçará o novo perfil da agricultura familiar no estado.
Segundo o superintendente substituto do órgão em Alagoas, Alcimar Trancoso, os servidores treinados terão a responsabilidade de transmitir os conhecimentos às equipes que irão a campo. “São cerca de 500 contratados por meio de concurso público. Há pessoas de vários níveis para ocupar os cargos”, afirmou.

Gostou? Compartilhe