Sem o "Professor Ranílson", falecido há exatamente duas décadas, Alagoas está privada de um dos seus maiores especialistas em folclore.
Tanto quanto Théo Brandão e José Maria Tenório da Rocha, Ranílson França alcançou repercussão nacional através do seu trabalho pela cultura popular.
Com uma imodéstia que assemelhava à humildade, ele jamais enalteceu, por exemplo, a condição de ter sido Secretário estadual da Cultura.
Keyler Simões, outra figura dedicada às causas culturais, registra em seu blog a falta que Ranílson França faz:
"No dia 14 de agosto de 2006, Alagoas perdeu um de seus grandes defensores da cultura popular. Naquela data, partia Ranilson França, deixando uma trajetória marcada pelo compromisso, pela paixão e pela dedicação aos mestres, mestras e grupos que mantêm vivas as tradições culturais do nosso Estado.
Em 2026, completam-se 20 anos de sua partida. Duas décadas sem sua presença, mas também duas décadas em que seu legado continua vivo e presente na cultura alagoana.
Ranilson França foi criador, fundador e primeiro presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas – ASFOPAL, entidade criada com uma missão fundamental: proteger, valorizar e enaltecer os mestres, mestras e grupos de cultura popular de Alagoas. À frente dessa instituição, ajudou a construir um espaço de reconhecimento e defesa daqueles que dedicam suas vidas à preservação das tradições e da identidade cultural alagoana.
Sua atuação aconteceu em um momento em que muitos dos nossos mestres e grupos populares enfrentavam dificuldades para manter suas manifestações vivas e reconhecidas. Ranilson compreendeu que não bastava admirar a cultura popular: era preciso organizar, defender, dar visibilidade e lutar pelo reconhecimento daqueles que fazem a cultura acontecer.
A criação da ASFOPAL representa, portanto, uma parte fundamental de sua história. A entidade tornou-se um instrumento de valorização dos folguedos e de seus protagonistas, ajudando a colocar no centro das discussões culturais de Alagoas aqueles que muitas vezes permaneciam invisíveis: os mestres, as mestras, brincantes, músicos, artesãos e integrantes dos grupos populares.
Passados 20 anos de sua morte, sua contribuição ganha ainda mais significado. Cada mestre reconhecido, cada grupo valorizado e cada manifestação popular preservada carrega um pouco daquela luta iniciada por Ranilson. Seu trabalho ajudou a fortalecer a ideia de que a cultura popular não é apenas entretenimento: é patrimônio, identidade, memória e história de um povo.
Neste 14 de agosto de 2026, quando lembramos os 20 anos de sua partida, a saudade se transforma também em gratidão. Gratidão por sua vida, por sua luta e pela iniciativa de criar uma instituição que continua tendo como missão defender aquilo que Alagoas possui de mais precioso: a riqueza de sua cultura popular e as pessoas que dedicam suas vidas a mantê-la viva.
Ranilson França partiu há 20 anos, mas sua obra permanece. Permanece na ASFOPAL, permanece nos folguedos, permanece nos mestres e mestras, permanece nos grupos culturais e, principalmente, permanece na memória de todos aqueles que acreditam que preservar a cultura é preservar a própria identidade de Alagoas.
20 anos sem Ranilson França. 20 anos de saudade. 20 anos de memória.
E um legado que continua vivo na cultura popular de Alagoas."
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