Maceió

Após suspensão de obras, especialista ressalta importância de sítio arqueológico no Centro de Maceió

Não é a primeira vez que são encontrados vestígios arqueológicos no Centro; na década de 20 foram encontrados fragmentos de animais pré-históricos na Rua do Comércio

Eberth Lins | 12/11/21 - 10h09 - Atualizado em 12/11/21 - 10h45
Iphan suspendeu obras de revitalização no Centro de Maceió por possível dano ao patrimônio arqueológico | Foto: Reprodução

Motivo de dores de cabeça e descontentamento por parte de comerciantes e frequentadores do Centro de Maceió, a obra paralisada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) na Rua da Alegria, após possíveis danos ao patrimônio arqueológico, pode demorar até ser retomada e finalizada. Nesta sexta-feira (12), o TNH1 conversou com o professor José Roberto dos Santos Lima, do curso de História da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e também especialista em História de Alagoas, que defendeu a paralisação da obra para que se possa "entender" o que de fato são os artefatos e vestígios de um possível sítio arqueológico encontrado durante as obras de revitalização do Centro, em trecho da Rua da Alegria.

"Num primeiro momento, se foi identificada a presença de material, mesmo que em uma área urbana, é preciso parar com a obra e iniciar um estudo científico para prospectar a importância desse patrimônio e direcionar um plano de pesquisa", disse, reforçando que a medida do Iphan está amparada na legislação. 

Perguntando sobre o tempo que poderia levar o levantamento, o professor respondeu que não há previsão. "Podem ser seis meses, um ano. Não se tem um tempo estabelecido. E o Iphan ainda precisa realocar um arqueólogo de outro estado para esse trabalho. Vai atrasar a vida de alguém a exemplo de comerciantes? É bem possível, mas é importante fazer esse trabalho para dimensionar a importância desse patrimônio arqueológico", frisou.

De acordo com o professor, o ideal seria que a Prefeitura de Maceió contasse com um acompanhamento especializado, a exemplo de um estudo prévio, e informasse aos comerciantes e frequentadores da região da importância do estudo. "A maioria dos sítios arqueológicos de Alagoas estão em estado de destruição pela falta de cuidado e omissão do poder público".

Segundo o professor, esta não é a primeira vez que elementos ancestrais são encontrados na região. "Durante a instalação da rede de água, na década de 20, também foram encontrados fragmentos de animais pré-históricos na Rua do Comércio", lembrou.

Esses sítios são geralmente compostos por ossos de peixes, pássaros e mamíferos, além de conchas de moluscos e outros materiais orgânicos
Esses sítios são geralmente compostos por ossos de peixes, pássaros e mamíferos, além de conchas de moluscos e outros materiais orgânicos (Foto: Cortesia ao TNH1)
Esses sítios são geralmente compostos por ossos de peixes, pássaros e mamíferos, além de conchas de moluscos e outros materiais orgânicos
Esses sítios são geralmente compostos por ossos de peixes, pássaros e mamíferos, além de conchas de moluscos e outros materiais orgânicos (Foto: Cortesia ao TNH1)

Entenda o caso - Durante a execução das obras de revitalização do Centro de Maceió, um trabalho orçado em R$ 4,4 milhões, trabalhadores encontrarem vestígios dos trilhos dos antigos bondes que circulavam na cidade, além de elementos que, possivelmente, podem caracterizar um sambaqui (sítios arqueológicos deixados por povos pré-históricos que habitavam a costa brasileira de 7 a 8 mil anos atrás, muito antes dos tupis-guaranis. Com a informação, o Iphan determinou a paralisação das obras por tempo indeterminado.

Técnicos do Iphan e da Prefeitura de Maceió devem se reunir nesta sexta-feira, 12, para definir as medidas que serão tomadas com relação à preservação do sítio arqueológico e à retomada das obras.