A seleção brasileira convocada por Carlo Ancelotti para a Copa do Mundo apresenta uma mistura de jogadores em diferentes fases, com alguns em alta após conquistas e outros enfrentando lesões ou críticas. Essa disparidade pode impactar a coesão da equipe durante o torneio.
Entre os convocados, destaque para Raphinha e Gabriel Martinelli, que se destacaram em suas ligas, enquanto goleiros como Alisson e Ederson enfrentam desafios significativos, incluindo lesões e críticas severas. A situação de Neymar também é preocupante, com baixa participação em jogos e gols na temporada.
Os jogadores se apresentarão para treinos em 27 de maio, com amistosos programados contra Panamá e Egito antes da estreia no Mundial em 13 de junho. A comissão técnica terá que focar na recuperação dos goleiros e na integração do grupo para garantir um desempenho competitivo.
Não há homogeneidade no grupo de 26 convocados pelo treinador da seleção brasileira Carlo Ancelotti para a disputa da Copa do Mundo, com jogadores que atravessam momentos bastante distintos em seus respectivos clubes.
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Enquanto alguns nomes chegam com a moral elevada por terem conquistado títulos nas ligas nacionais que disputam ou por viverem uma fase goleadora em seus times na Europa, há outros em baixa, por ainda estarem em recuperação de lesões ou por falhas cometidas recentemente.
O cronograma da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) prevê que os jogadores devem se apresentar no dia 27 de maio para o início dos treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis. Eles ainda disputam um amistoso contra o Panamá no dia 31, no Maracanã, antes do embarque para os Estados Unidos.
Haverá ainda mais um amistoso contra o Egito, em Cleveland, no dia 6 de junho, antes da estreia no dia 13 contra o Marrocos, em East Rutherford, nos arredores de Nova Jersey.
Nos treinamentos e nos amistosos, a comissão técnica liderada por Ancelotti terá de se debruçar -com especial atenção- para o gol.
Titular absoluto nas duas últimas Copas, Alisson não entra em campo pelo Liverpool há mais de dois meses, afastado por conta de uma lesão muscular na coxa direita.
O Liverpool informou que o goleiro está na fase final do processo de recuperação, mas é possível que o goleiro se apresente à seleção ainda sem ter voltado aos gramados -o time tem apenas mais uma partida até lá, no domingo (24), contra o Brentford, pela última rodada da Premier League.
Reserva imediato nos dois últimos Mundiais, Ederson convive com uma série de críticas em sua primeira -e talvez última- temporada no Fenerbahçe.
Após uma passagem vencedora pelo Manchester City, o goleiro foi anunciado pelo clube turco em setembro de 2025, com contrato até 2028, mas não tem conseguido repetir o bom desempenho.
Em 36 jogos na temporada, Ederson já foi vazado 37 vezes. Recentemente, cometeu uma falha grave em duelo contra o Rizespor que impediu o Fenerbahçe de assumir a liderança do Campeonato Turco, e, na sequência, foi expulso no clássico contra o Galatasaray, quando chegou a danificar com um chute o equipamento do VAR à beira do campo.
Com ameaças de torcedores dirigidas aos seus familiares, Ederson já estaria inclusive cogitando uma transferência de clube, segundo a imprensa turca.
Weverton, do Grêmio, convocado surpreendentemente como terceiro goleiro, não atua pela seleção há mais de três anos e, portanto, ainda não foi testado por Ancelotti. Sua última partida pela equipe nacional foi em março de 2023, na derrota por 2 a 1 para o Marrocos, quando a equipe ainda era comandada por Ramon Menezes.
CAMPEÕES NACIONAIS E ARTILHEIROS NO ATAQUE
Na linha de frente, por outro lado, a seleção conta com uma porção de nomes em grande fase em seus clubes na Europa, com alguns tendo inclusive conquistado recentemente títulos nas respectivas ligas locais.
Na Espanha, Raphinha voltou a ser um dos protagonistas na campanha do bicampeonato espanhol do Barcelona. É o vice-artilheiro da equipe na temporada, com 21 gols, atrás apenas de Lamine Yamal, com 24.
O atacante vive o segundo ano mais artilheiro da carreira, superado só pela temporada passada, quando balançou as redes 34 vezes e chegou a ter o nome defendido por torcedores para o prêmio de melhor do mundo.
Na Inglaterra, Gabriel Martinelli também deu importante contribuição para o Arsenal voltar a levantar a taça da Premier League após um hiato de 22 anos. É o vice-artilheiro do clube na temporada, com 11 gols, atrás do sueco Viktor Gyökeres, com 21.
Também na Premier League, Rayan, revelado nas categorias de base do Vasco, vem sendo um dos destaques do Bournemouth.
Em 6º lugar na tabela, o clube caminha para alcançar sua melhor colocação na história do campeonato, com vaga já assegurada pela primeira vez na Liga Europa.
Mais novo dos convocados por Ancelotti, Rayan estreou no fim de janeiro, já tendo marcado 5 vezes em 14 partidas -é o quinto maior goleador do time.
Quem também chega em alta pela performance recente na liga inglesa é Igor Thiago, artilheiro disparado do Brentford, com 25 bolas na rede -o vice tem sete-, atrás apenas do norueguês Erling Haaland na Premier League.
Na França, Endrick, o segundo mais novo da seleção no Mundial, garantiu sua convocação -e seu retorno ao Real Madrid- com gols e assistências pelo Lyon.
Em 21 partidas pelo time francês desde o início do ano, Endrick marcou oito gols -é o terceiro goleador da equipe na temporada- e distribuiu sete assistências -líder no quesito.
Magalhães e Marquinhos seguros na zaga
Companheiro de Gabriel Martinelli no Arsenal, Gabriel Magalhães se consolidou como um dos principais zagueiros em atuação hoje nas principais ligas europeias.
Com atuações sólidas e um estilo de jogo marcado pela imposição física, Magalhães foi o único brasileiro incluído na seleção da Premier League na temporada passada. Com a confirmação do título inglês, o zagueiro tem boas chances de voltar a ser incluído na seleção do campeonato.
Seu companheiro na linha de defesa na seleção de Ancelotti, Marquinhos -que levantou a taça de campeão francês pela quinta vez seguida com o PSG- chega para sua terceira Copa estabelecido como uma das principais lideranças.
Ainda veloz na cobertura defensiva aos 32 anos e reconhecido pela inteligência tática privilegiada, o defensor deve ser um dos capitães do Brasil no Mundial, alternando a braçadeira com Casemiro.
NEYMAR AINDA EM BUSCA DA FORMA IDEAL
Embora ainda seja reverenciado pelos companheiros como uma das principais lideranças técnicas do grupo, Neymar tem tido dificuldades para ter uma sequência de jogos no Santos, o que fez Ancelotti deixar sua inclusão na lista para os 45 minutos do segundo tempo.
O atacante participou de menos da metade dos jogos do time na temporada, e chega à Copa com a menor participação em gols da carreira. Em 2026, balançou as redes seis vezes e distribuiu quatro assistências em 15 partidas.
Longe do auge físico, Neymar ainda deve perder as duas próximas partidas do Santos, contra San Lorenzo e Grêmio, pela Copa Sul-Americana e pelo Campeonato Brasileiro, respectivamente, devido a um desconforto na panturrilha sentido durante a derrota por 3 a 0 para o Coritiba.
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