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Atentado suicida na Caxemira indiana deixa 34 mortos

O grupo terrorista Jaish-e-Mohammad assumiu a autoria do ataque, o mais letal contra alvos militares dos últimos 17 anos

VEJA.com | 14/02/19 - 15h25
Ilustração | Reprodução/Internet

Pelo menos 34 policiais morreram e dezenas ficaram feridos em um ataque suicida na região da Caxemira indiana nesta quinta-feira, 14. Segundo autoridades locais, um carro carregado de explosivos bateu contra um ônibus que transportava militares para a cidade de Srinagar. O atentado é considerado o mais agressivo contra as forças de segurança na região em 17 anos.

“Temos informações de que 12 pessoas da Força Central de Polícia de Reserva (CRPF) morreram no ataque, quando transitavam por uma estrada do distrito de Pulwama”, afirmou o diretor-adjunto da Polícia de Caxemira, Munir Khan. Novas informações da Polícia Federal indiana à BBC deram conta de 34 mortos, e o número pode aumentar dado o estado crítico dos feridos.

O grupo terrorista islâmico Jaish-e-Mohammad (JeM) assumiu a autoria do atentado. Seus líderes desejam a anexação da disputada região da Caxemira indiana ao território do Paquistão. Após a explosão, o tráfego foi suspenso na estrada e a área foi isolada pelas forças de segurança, que já abriram uma investigação.

Em comunicado enviado à agência local Global News Service, Muhammad Hassan, porta-voz do JeM, afirmou que “dúzias de veículos das forças de segurança foram destruídos no ataque” e identificou o suicida que dirigia o carro-bomba como Aadil Ahmad.

“Ainda não está claro quantos veículos faziam parte do comboio, que ia de Jammu para Srinagar, mas um carro os pegou de surpresa e atingiu em cheio o ônibus com 44 funcionários à bordo”, contou uma autoridade ouvida pela BBC.

Este é o atentado mais fatal na região desde 2016, quando 17 soldados morreram durante um ataque contra uma base militar em Uri, perto da fronteira com o Paquistão. Nova Delhi culpou o Estado vizinho, onde têm ocorrido protestos violentos contra a posse indiana de parte da Caxemira.

Ambos os países, que já se envolveram em três guerras e possuem armamento nuclear, desejam a posse completa da região majoritariamente islâmica. A disputa pelo território começou em 1948, um ano depois da independência e da criação dos estados soberanos da Índia e do Paquistão.

Em 1949, a Organização das Nações Unidas (ONU) interferiu e tentou resolver o impasse dividindo a Caxemira em duas partes: um terço para o Paquistão, sob o nome de Azad Caxemira, e dois terços para a Índia, a Jammu-Caxemira. Mas os protestos contra a dominação indiana são frequentes, já que a região é a única com maioria muçulmana no país e está culturalmente mais alinhada com os paquistaneses pela religião.