Atirador diz que não viu empresária antes de atingi-la na nádega após briga em show

Publicado em 16/04/2026, às 10h18
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Por UOL

Um homem foi preso após disparar contra uma empresária em Franca, São Paulo, alegando que agiu em legítima defesa contra ameaças do marido da vítima. O advogado do acusado afirma que ele não tinha intenção de ferir a mulher, que permanece internada em estado grave.

O advogado do réu argumenta que seu cliente foi agredido anteriormente pelo casal e que os disparos foram uma resposta a ameaças de morte recebidas. A defesa nega que o homem estivesse embriagado, apesar de indícios de consumo de álcool durante a agressão.

A defesa do acusado planeja solicitar sua libertação, enquanto o casal de vítimas alega que as imagens do incidente demonstram a intenção de Rafael de atingir ambos. O caso foi reclassificado de lesão corporal para tentativa de homicídio, e a polícia investiga as circunstâncias dos disparos e as ameaças feitas ao réu.

Resumo gerado por IA

O advogado de defesa do homem que efetuou disparos de arma de fogo e atingiu uma empresária nas nádegas no domingo (12) afirmou que o cliente alega não ter visto a mulher antes de feri-la. O caso ocorreu na rua Acácio de Lima, em Franca, no interior de São Paulo.

O que aconteceu

O defensor afirmou ao site UOL que o cliente não buscou "matar alguém", mas repelir as ameaças de Marcelo Rossato, 33, esposo da mulher ferida. O advogado Márcio Cunha declarou que o cliente, Rafael Araldi, não tinha conhecimento que a empresária, Giovanna Abdalla, 29, estava no local. "Ele tinha visto somente o senhor Marcelo. (...) Ele não teve intenção nenhuma de matar qualquer um deles ali na questão."

Meu cliente viu a ponta da caminhonete pelo recuo do apartamento e aí ele fez os disparos ali na ponta do veículo. Ele nem viu a senhora Giovanna passando. Ela saiu correndo e foi atingida durante os disparos", afirmou o advogado Márcio Cunha, ao UOL.

O defensor vê "inustiça" na prisão de Rafael, que é CAC. Ele ressaltou que o cliente —que é CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador)— foi agredido, inclusive pelo casal, em um camarote no show de Henrique e Juliano, e depois foi ameaçado de morte por Marcelo por meio de ligações telefônicas. O advogado do casal, Rafael Sousa Barbosa, afirmou em nota à reportagem na terça-feira (14) que a cliente seguia internada em estado grave.

A defesa nega que empresário preso tenha ingerido bebida alcoólica antes dos disparos. Sobre a embriaguez, Cunha informou que o cliente foi atingido por um balde com gelo e bebidas alcoólicas quando foi agredido no camarote e, por isso, estava com odor alcoólico. Todavia, um documento médico adicionado ao processo aponta que o homem estava com "sinais clínicos de estar alcoolizado, mas não embriagado".

Cunha falou que a defesa entrará com um pedido de liberdade para Rafael na justiça. Ele apontou que o homem, também empresário e que está preso, nunca teve passagens pela polícia, acionou a autoridade policial após os disparos, entregou a arma quando exigido e também não está fugindo de nenhuma responsabilidade.

Ele [Rafael] ficou muito abalado por ter acertado a senhora Giovanna e até questionou sobre a situação de saúde dela", disse o advogado Márcio Cunha.

Rafael também abriu um boletim de ocorrência contra o casal por lesão corporal e ameaça. Às autoridades, ele relatou ter disparado aproximadamente oito vezes. Porém, um documento no processo indica que entre os objetos apreendidos após o episódio estão 15 cartuchos deflagrados.

A defesa de casal diz que imagens do ocorrido mostram a intenção "do agressor de atingir ambas as vítimas". Isso, segundo Barbosa, reforça a gravidade concreta da conduta. Ele também declarou que o caso foi reclassificado de lesão corporal para tentativa de homicídio: "medida que se mostra juridicamente adequada diante dos elementos já apurados".

À reportagem, Barbosa também disse que a perícia feita no veículo de Marcelo trará esclarecimentos. Entre eles, a comprovação de que Rafael tinha ângulo de onde estava para ver Giovanna e que mudava de posição para "acertar os alvos". "Por fim, a defesa reitera sua confiança nas instituições e seguirá atuando para que a justiça seja plenamente realizada."

Entenda o caso

Rafael foi preso em flagrante após efetuar disparos de arma de fogo. Policiais militares foram acionados e apuraram que o suspeito havia discutido com um casal no camarote de um show da dupla Henrique e Juliano na cidade. Câmeras de segurança flagraram Giovanna e o marido dela, Marcelo, saindo de um carro.

Giovanna utiliza um cinto nas mãos e bate contra o portão da casa do suspeito. Marcelo chega a entrar em um hall da residência em determinado momento e, ao deixar o espaço, começa a correr. A empresária vira e cai no chão após ser atingida. O casal entra no carro e deixa o local na sequência.

De acordo com a SSP-SP, o suspeito disse à polícia que foi agredido com socos e chutes por algumas pessoas, incluindo o casal, no camarote. Rafael declarou ter deixado o local, mas informou que Marcelo ligou para ele algumas vezes e fez ameaças de morte. Depois, o casal foi até a residência dele.

O suspeito alegou ter ficado com medo e, por isso, efetuou os disparos que atingiram a vítima. Segundo Rafael, ele e o casal eram conhecidos.

Giovanna foi socorrida e encaminhada a um hospital da região. Ela passou por cirurgia, segundo consta no boletim de ocorrência, obtido pelo UOL.

À polícia, Marcelo negou ter agredido Rafael e afirmou que a esposa foi ofendida pelo suspeito no camarote. Ele também declarou ter ouvido Rafael dizendo que iria matá-lo enquanto o homem disparava contra o casal. Às autoridades, o homem disse ser produtor do show da dupla.

Já Rafael disse às autoridades que não teve a intenção de matar. Ele argumentou ter feito os disparos para afugentar Marcelo do local após as ameaças que diz ter sofrido. A arma utilizada por ele na ocorrência, uma pistola calibre .380, estava regularmente registrada.

O caso foi registrado como disparo de arma de fogo, ameaça e lesão corporal no plantão da Delegacia Seccional de Franca. Rafael passou por audiência de custódia segunda-feira (13) e a prisão dele foi mantida.

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