Maceió

Ato público vai cobrar ordenamento de ambulantes em Maceió: 'Organizar não é riscar uma rua', diz Aliança Comercial

Bruno Soriano | 27/10/21 - 14h44 - Atualizado em 27/10/21 - 15h00
Reunião nesta quarta-feira debateu soluções à ocupação desordenada do Centro por ambulantes | Assessoria

Diretores da Aliança Comercial, Associação Comercial e representantes da Prefeitura de Maceió participaram, na manhã desta quarta-feira (27), de uma reunião cujo objetivo foi discutir a necessidade de ordenamento dos ambulantes que ocupam o Centro da capital. Isso porque os empresários deixaram o encontro ainda preocupados com a quantidade de trabalhadores informais naquela região, exigindo do Município a adoção de medidas que possam permitir uma convivência harmônica entre as partes.

A insatisfação é tamanha que, agora, os comerciantes decidiram realizar um ato público, marcado para a próxima quarta-feira (03). O intuito, segundo a entidade que representa o setor produtivo, é sensibilizar o poder público, empresários e ambulantes, além de frequentadores do Centro e população em geral, sobre a importância do ordenamento.

Em entrevista ao repórter Alan Garcia, da TV Pajuçara, a presidente da Aliança Comercial, Andreia Geraldo, falou em tom de desabafo.  “Nós também desejamos que a Prefeitura oferte condições dignas de trabalho aos ambulantes que ocupam o passeio público. Sabemos que estamos diante de um problema social, agravado, inclusive, pela pandemia da Covid-19, mas não tivemos avanço. Muito pelo contrário, temos um crescimento desenfreado no número de trabalhadores informais, situação que demanda uma solução urgente por parte do Município”, afirmou Geraldo.

Para ela, auxiliar os trabalhadores “não é apenas ‘riscar’ uma rua”. “Isso tem causado grandes transtornos para todos. Os ambulantes necessitam de um local adequado, sobretudo no quesito higiene. Afinal, eles também precisam trabalhar com dignidade”, emendou a presidente da Aliança Comercial.

Também à TV Pajuçara, o secretário municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social (Semscs), Thiago Prado, por sua vez, informou que a Prefeitura de Maceió vem desenvolvendo várias ações para minimizar o problema. “Aumentamos o número de fiscais e, hoje, temos quarenta homens atuando, diariamente, no Centro. Estamos diante de um desafio nacional, já que uma em cada dez pessoas sobrevive do comércio informal no país”, disse o secretário, para quem o trabalho de ordenamento “não acontece do dia para a noite”.

“A Secretaria de Infrestrautura [Seminfra] já iniciou as obras de revitalização do Centro, cujo projeto vai contemplar os chamados camelôdromos, que são áreas específicas para os ambulantes”, emendou o titular da Semscs, cuja assessoria de comunicação também emitiu nota à imprensa sobre o impasse.
 
No último dia 04, após uma discussão com ambulantes na Rua das Árvores, um motorista de aplicativo foi retirado do carro e agredido por ambulantes. Bem Donson, de 33 anos, foi socorrido ao Hospital Geral do Estado (HGE), mas faleceu três dias depois. O fatídico episódio, inclusive, foi lembrado pelos empresários durante o encontro desta manhã com a equipe da Semscs.

Confira, abaixo, a íntegra da nota:

A Secretaria Municipal de Segurança Comunitária e Convívio Social atua desde o início da gestão realizando diversas ações de ordenamento dos comerciantes informais do Centro de Maceió.

O alinhamento dos ambulantes no Calçadão do Comércio, da rua das Árvores, da Praça Palmares e de ruas adjacentes estão entre as ações que resultaram na desobstrução de calçadas e da frente das lojas, trazendo um melhor conforto para pedestres e uma maior fluidez no trânsito no local. Diariamente, 40 fiscais trabalham diretamente na organização dos comerciantes da região.

Vale ressaltar que o comércio informal é uma realidade em todo o país. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 40% dos trabalhadores brasileiros estão atuando no comércio informal. Com isso, a Prefeitura atua para que não sejam prejudicados comerciários e ambulantes, podendo garantir a renda das famílias maceioenses.

Por fim, a Secretaria reforça que nova etapa do ordenamento do comércio informal no Centro de Maceió será realizada após as obras de requalificação do Centro.