Meio Ambiente

Banhistas se assustam e confundem arraias com tubarões na Praia de Jatiúca; vídeo

Ana Carla Vieira | 25/05/21 - 11h37 - Atualizado em 25/05/21 - 11h45
Reprodução

Nas imagens que viralizaram nas redes sociais, os banhistas que estão na Praia de Jatiúca, na orla de Maceió, comentam com espanto: "é tubarão, é tubarão, são dois. Certeza".

Assustados, eles continuam filmando, na tentativa de registrar o animal com clareza. Veja as imagens:

Procurado pela reportagem do TNH1, o professor da UFAL Penedo, e coordenador do Laboratório de Ictiologia e Conservação, Cláudio Sampaio, afirmou que também recebeu as imagens mas conseguiu constatar que não se tratam de tubarões, mas de arraias. No entanto, segundo o professor, pelas imagens não se pode precisar muita coisa.

"As imagens compartilhadas nas redes sociais não ajudam muito. Além de não mostrar nenhuma estrutura que confirme a localização do local onde o vídeo foi gravado, a qualidade é baixa. As imagens mostram rapidamente duas nadadeiras pontudas, que podem ter gerado a confusão, acreditando ser de dois tubarões. Contudo o colorido (uma face escura, a dorsal, e outra clara, a ventral), o formato e o movimento de batimento dessas nadadeiras são semelhantes à arraias da Familia Mobulidae, que são conhecidas pelos pescadores pelos nomes de 'arraia boca de gaveta', 'arraia jamanta' ou 'arraia manta'", explicou Claudio Sampaio.

"Essas arraias mostradas no vídeo, diferentes daquelas que são mais frequentemente observadas em Alagoas - chamadas popularmente de arraia prego, arraia lixa -, nadam ativamente, ficando pouco tempo repousando no fundo. As Mobulidae são arraias oceânicas e maiores do mundo, algumas podem alcançar 7 metros de envergadura e duas toneladas de peso. Apesar desse grande porte são inofensivas, alimentam-se de pequenos peixes e camarões", continuou o professor da Ufal Penedo.

Ainda de acordo com Claudio Sampaio, nesse período de chuvas, as arraias costumam frequentar águas mais próximas das praias, ficando então vulneráveis a capturas em redes e arpão, além de ficarem suscetíveis a ingerirem lixo acidentalmente. "Chamamos a atenção que essas arraias são protegidas por leis federais, inclusive internacionais. Em caso de captura acidental, o pescador deve soltar o animal, que vale muito mais viva para o turismo do que morta, na pesca", orientou.

"Em caso de encontrar um animal encalhado, vivo ou morto, entre em contato com o Instituto Biota, IBAMA, IMA e UFAL. Esses animais, mesmo mortos e em decomposição, podem fornecer importantes informações sobre a saúde e conservação dos oceanos", complementou o pesquisador.

Flagrante na Praia da Avenida

No último sábado (22) foi flagrada, na praia da Avenida, uma arraia da mesma Família, a 'Mobula birostris', que tinha sido capturada irregularmente. As imagens compartilhadas pelo Instituto Biota de Conservação mostram o animal batendo as nadadeiras na areia da praia. Várias pessoas ao redor filmaram a situação. 

O Instituto Biota chamou a atenção para a proibição da pesca desse tipo de animal, protegido inclusive em convenção internacional.