João Augusto, recém-nascido, apresenta saliências na cabeça, o que gerou preocupação na família e nas redes sociais, especialmente devido à experiência anterior com seu irmão mais velho, que teve uma condição semelhante que se resolveu com o tempo.
As formações, conhecidas como 'bossa serossanguínea', são causadas pela pressão durante o parto normal e, segundo especialistas, são benignas e não afetam o cérebro, geralmente desaparecendo em até 30 dias.
A família está seguindo as orientações médicas, monitorando a evolução das saliências e considerando novas condutas apenas após um mês, enquanto Daiane compartilha sua experiência para conectar-se com outras mães que enfrentaram situações semelhantes.
Assim que João Augusto nasceu, a influenciadora Daiane Silva, 25, de Matão (SP), percebeu duas saliências grandes na cabeça do bebê, uma de cada lado. A aparência chamou atenção também nas redes sociais, depois que ela compartilhou uma foto do filho. O pequeno nasceu há 19 dias, em um parto normal rápido e sem complicações.
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“Quando a gente viu o coágulo de sangue, deu uma assustada porque eram dois e eram bem grandes”, conta a mãe, em entrevista a CRESCER. Mas a família já tinha vivido isso antes, com o filho mais velho, José Leonardo, hoje com 1 ano e meio. O primogênito também nasceu com uma formação semelhante. Porém, no caso dele, era menor e acabou calcificando. Atualmente, segundo a mãe, é quase imperceptível.
Com João, o receio é que aconteça o mesmo, já que são duas formações maiores. “Nosso medo é que calcifique e a cabecinha dele fique deformada”, diz ela.
Depois que publicou a foto do recém-nascido, Daiane recebeu muitas perguntas de pessoas que nunca tinham visto algo parecido. Também recebeu críticas por causa da escolha pelo parto normal. “Muitas pessoas julgaram, dizendo que eu não deveria ter tido um parto normal pelo tamanho do bebê, e sim uma cesárea”, diz a mãe.
Ela afirma, porém, que teve acompanhamento durante toda a gestação e não se sente culpada. Segundo Daiane, os médicos explicaram que a formação pode estar relacionada ao fato de o bebê ter permanecido encaixado na pelve por bastante tempo. “Mas isso poderia ter acontecido independente da via de parto, seja cesárea, seja parto normal”, esclarece.
Os médicos que acompanham o bebê orientaram a família a observar a evolução da formação. Durante o banho, o médico recomendou deixar água morna cair sobre o local por três a cinco minutos. João também passa por acompanhamento periódico para verificar se as saliências estão diminuindo.
A família chegou a ouvir de outros médicos a possibilidade de fazer uma punção para drenar o conteúdo, mas o pediatra de João é contra, por causa do risco de infecção. “Às vezes, por algo puramente estético e por pouca paciência, a gente pode causar um problema muito maior”, explica a mãe.
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Daiane afirma ainda que, de acordo com as orientações médicas recebidas, as formações são superficiais e não atingem o cérebro. Não causam nenhum problema. Por enquanto, a família pretende esperar pelo menos 30 dias para avaliar a evolução antes de discutir possibilidades de outras condutas.
A experiência com José também fez Daiane procurar relatos de outras famílias, já que conversar com pessoas que passaram por algo semelhante ajuda a diminuir a ansiedade. “Me dá muita tranquilidade saber que o meu filho não é a única pessoa que nasceu assim, que muitas pessoas passaram por isso e muitas delas deram tudo certo com o tempo, o coágulo saiu sozinho”, afirma, aliviada.
Foi essa identificação que a motivou a compartilhar a história de João. Para ela, foi uma forma de encontrar outras mães que enfrentaram a mesma situação. “Na internet a gente consegue se conectar com muitas pessoas e isso é muito bom”, completa.
Entenda a condição
A condição, conhecida como "bossa serossanguínea", pode ocorrer na cabeça do bebê após o parto normal.
O que acontece, segundo o pediatra Tadeu Fernando Fernandes, do Departamento de Pediatria Ambulatorial da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), é que durante a passagem pelo canal de parto, a cabeça do bebê pode ficar pressionada contra o colo do útero e os ossos da pelve da mãe.
"Essa pressão pode provocar um inchaço no couro cabeludo, causado pelo acúmulo de líquido nos tecidos que ficam entre a pele e o crânio", explica.
É importante saber que o que fica inchado não é o osso da cabeça do bebê, mas os tecidos que ficam por fora do crânio. O pediatra esclarece que a condição é, em geral, passageira e benigna, não causa comprometimento neurológico e não dói.
Na maioria dos casos, o inchaço desaparece espontaneamente à medida que o organismo do bebê reabsorve o líquido. Normalmente, a melhora acontece nos primeiros trinta dias após o nascimento.
"Não aperte, não faça massagens, não use faixas e não aplique água quente ou outros produtos sobre a região. O ideal é apenas observar e seguir as orientações do pediatra", alerta.
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