Eleições 2018

Bolsonaro diz ter mais votos do que Lula

Estatizante no passado, Bolsonaro quer ficar conhecido como o presidente que mudou o país para uma economia liberal

31/07/18 - 14h41 - Atualizado em 31/07/18 - 14h44
Reprodução/Roda Viva


Em entrevista ao programa Roda Viva na noite desta segunda-feira (30), o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que gostaria de deixar como marca de seu governo, se eleito, que a "economia passe a ser liberal". 

O deputado disse ainda que o sentimento que tem nas ruas é que tem até mais votos que o ex-presidente Lula. "É uma realidade. É uma aceitação enorme para com meu nome", disse o deputado.

Regime militar

Questionado sobre o período ditatorial instaurado no Brasil a partir de 1964, que Bolsonaro defende com ardor, o candidato reconheceu, ao ser questionado sobre tortura, que "aconteceu alguma maldade em alguns casos". 

Mas voltou a defender o regime e disse que se os militares não tivessem tomado o poder o país hoje teria "virado uma Cuba". Ele voltou a defender o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o Doi-Codi de São Paulo durante a repressão. "A esquerda tem esse discurso para conseguir indenização (de anistiado), voto e poder".

Ao ser questionado se irá abrir os arquivos da ditadura, se eleito, Bolsonaro desconversou e disse que esse assunto é passado e que é preciso olhar para a frente. 

"Não tem mais arquivo nenhum. Desconheço. Temos uma Lei da Anistia. A esquerda vai abrir seus arquivos também? Isso é uma ferida que tem que ser cicatrizada. Esquece isso aí. O povo está sofrendo. São 14 milhões de desempregados, violência. O negócio é daqui para a frente. O passado é com a Justiça e os historiadores", afirmou.

Comparação com Trump

Jair Bolsonaro elogiou o presidente norte-americano Donald Trump, que, para ele, faz um governo excelente. E disse que sofre aqui a perseguição que o presidente dos Estados Unidos também sofreu. 

"O que o Trump sofreu nas prévias eu já venho sofrendo aqui há três anos. Ele faz um excelente governo no seu país. Diminuiu a carga tributária, resgatou o emprego. Não sei o que tenho em comum com ele. Ele fala em Deus, eu também falo. Ele defende a família, eu também. Eu defendo um Brasil grande e ele defende um Estados Unidos grande". 

Bolsonaro volta a fazer discurso contra as cotas e diz que, se eleito, vai tentar no Congresso Nacional reduzir o percentual de seleção por esses critérios.

"Não posso pagar passagem aérea com meu salário"

Sorry, the video player failed to load.(Error Code: 101104)

Bolsonaro teve que voltar a falar sobre o auxílio-moradia que recebia na Câmara até ser denunciado pela imprensa, quando desistiu dessa verba. E falou de verba parlamentar destinada aos deputados, que pagam de taxa de Correio a salários de funcionários e aluguel de escritório nos estados. 

"Dos R$ 400 mil dessa verba, não gastei R$ 200 mil. Recebi auxílio-moradia, mas não era ilegal. Está na lei. Agora, como posso pagar passagem aérea com meu salário. Não tenho condições".

O salário de um deputado é de R$ 33.763.

Intervenção militar no Rio

O candidato afirmou que, se eleito, não prorrogaria a intervenção militar no Rio de Janeiro, que, para ele, não deu certo. 

"Essa intervenção que está aí, não a colocaria em prática. Não está resolvendo nada. Quem é esse garoto que está engajado, com fuzil colocado lá pelo Exército. É um garoto que torce para o Flamengo, o Vasco, vai à praia. É justo que, se houver um entrevero, uma troca de tiros e morra um inocente. É justo colocar esse garoto numa auditoria militar (para responder por essa morte)", indagou Bolsonaro. 

"Vamos continuar tratando bandidos com os direitos humanos? Se me der o excludente de licitude nem precisa de Exército". Perguntado se isso era carta branca para matar, respondeu: "então deixa ele (criminoso) atirar e vai lá e dá uma florzinha para ele".

Ironia e livro de cabeceira

Bolsonaro utilizou do mesmo raciocínio com o qual atacou a deputada Maria do Rosário (PT-RS) -- afirmou que ela é feia e por isso não merece ser estuprada -- para se referir ao José Gregori, ex-ministro de Direitos Humanos do governo FHC. Gregori enviou uma pergunta ao programa sobre uma suposta frase de Bolsonaro de que ele (Gregori) deveria ter sido morto pela ditadura. O candidato se referiu assim sobre Fernando Henrique. E disse que Gregori não "merecia essa atenção", ter sido morto pelo regime militar.

"Não disse isso sobre você (Gregori). Você não merecia essa atenção. Um guerrilheiro com seu biotipo... É de garganta", disse o candidato do PSL. 

No final do programa, ao ser perguntado sobre qual seu livro de cabeceira, citou "Verdade Sufocada", de autoria do coronel Brilhante Ustra. E também perguntado se o capitão Wilson Machado, que morreu quando tentava colocar uma bomba num show no Riocentro na década de 80, era um herói ou não, respondeu: 

"Parece que ele não estava fazendo seu papel corretamente".