Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como 'Boss', foi preso em Maceió e é acusado de fornecer drogas exclusivamente para o Comando Vermelho, mantendo ligações com o Primeiro Comando da Capital em São Paulo para facilitar operações de tráfico e lavagem de dinheiro.
As investigações revelaram que Boss desempenhava um papel central no esquema do Comando Vermelho, movimentando cerca de R$ 70 milhões e utilizando táticas de discrição para evitar a detecção pelas autoridades.
A prisão de Boss foi resultado de investigações que começaram com a apreensão de anotações de outro líder do Comando Vermelho, revelando uma complexa estrutura de tráfico com divisão de tarefas entre os envolvidos.
O promotor de Justiça Décio Alonso, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), afirmou, em entrevista ao portal O Globo, na manhã desta terça-feira (22), que Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss", preso em Maceió nessa segunda (21), fornecia drogas exclusivamente para o Comando Vermelho (CV), mas mantinha articulações com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em outros estados, principalmente em São Paulo.
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"As articulações eram feitas para evitar problemas na passagem de cargas por áreas do PCC e também para realizar operações de lavagem de dinheiro em São Paulo. Não encontramos nenhum indício de fornecimento de drogas para a facção paulista", disse ao site.
Boss tinha diversos itens de luxo em casa, na capital alagoana. Durante a ação para prendê-lo, os agentes encontraram tênis da Prada e da Dolce & Gabbana, óculos da Louis Vuitton, relógios e roupas de grife. Ainda não se sabe se os produtos são originais.
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Segundo as investigações, Boss ocupava um papel central no esquema do Comando Vermelho para o transporte de drogas, mas teria conseguido se manter por anos longe dos inquéritos ao agir discretamente e mudar constantemente de endereço para dificultar a localização. O esquema comandado por ele teria movimentado cerca de R$ 70 milhões, segundo o MPRJ.
De acordo com o promotor, Boss tinha uma função que antes era exercida por Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor. Ele articulava diretamente com chefes do CV o abastecimento de comunidades e era responsável por negociar cargas, organizar fretes e pagamentos, coordenar operadores logísticos e utilizar laranjas para movimentar o dinheiro do tráfico.
"Ele ocupava um papel de liderança dentro da estrutura do Comando Vermelho. Mas, como adotava uma política de isolamento e “não colocava a cara”, conseguiu ficar muitos anos sem ser identificado nas investigações", explicou Décio Alonso.
A investigação
A investigação teve início a partir da apreensão de anotações de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, conhecido como “My Thor”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho.
Entre as anotações apreendidas, os investigadores identificaram registros de contabilidade do tráfico que indicavam pagamentos realizados por My Thor a Boss.
Segundo as investigações, Boss atuava como fornecedor de drogas e articulava diretamente com lideranças do Comando Vermelho o abastecimento de comunidades. Ele também seria responsável por negociar cargas, organizar fretes e pagamentos, coordenar operadores logísticos e utilizar pessoas interpostas para movimentar valores provenientes da atividade criminosa.
As diligências identificaram uma estrutura com divisão de tarefas entre liderança, operadores logísticos, transportadores, responsáveis pela cobrança e pelo recolhimento de valores e pessoas interpostas.
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