Bia Borinn, atriz brasileira radicada em Los Angeles, vive um momento de destaque após mais de uma década nos Estados Unidos, acumulando participações em produções internacionais ao lado de grandes nomes como RuPaul e Naomi Watts.
A trajetória de Bia começou em 2014, quando se mudou para Nova York com a família, inicialmente sem planos de carreira internacional, mas a mudança de foco levou à obtenção do green card e à mudança para Los Angeles em 2017, onde enfrentou desafios como a pandemia e a greve dos atores.
Atualmente, Bia está desenvolvendo um musical sobre Carmen Miranda, que será apresentado em inglês, mantendo as músicas em português, com o objetivo de levar elementos do teatro brasileiro para o público americano.
Depois de mais de uma década vivendo nos Estados Unidos, a brasileira Bia Borinn começa a viver uma fase que define como de colheita. Radicada em Los Angeles desde 2017, a atriz vem acumulando participações em produções internacionais e dividindo o set com nomes como RuPaul, Naomi Watts e Kim Kardashian.
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A trajetória fora do Brasil começou em 2014, quando ela se mudou para Nova York ao lado do marido, o ator Eduardo Muniz, e do filho Miguel, então com dois anos e meio. A mudança, no entanto, não tinha como objetivo conquistar Hollywood.
"A ideia era passar um ano estudando atuação em inglês com o Harold Guskin", afirma. "A gente queria se aperfeiçoar e voltar para o Brasil. Não era um plano de carreira internacional."
Os planos mudaram com o passar do tempo. O casal iniciou o processo para obtenção do green card e decidiu permanecer no país. Em 2017, a família trocou Nova York por Los Angeles, mas a adaptação não foi simples.
Pouco depois da mudança, nasceu seu segundo filho. Em seguida vieram a pandemia, a greve dos atores e o aprofundamento das transformações provocadas pela expansão dos serviços de streaming. "Foi um período muito difícil. Eu sou mulher, imigrante, sem família por perto", comenta. "Tive que conciliar maternidade e carreira em um momento em que a própria indústria estava mudando completamente."
Aos poucos, as oportunidades foram voltando a aparecer. Uma delas foi uma participação no filme "Stop! That! Train!", lançado neste ano e estrelado por RuPaul. A experiência rendeu uma história que ela não esquece.
"Em uma cena, eu precisava entregar um objeto importante para o RuPaul, mas nunca surgia a oportunidade", conta ela, que acabou decidindo ignorar o receio de ultrapassar os limites do roteiro e fazer sua parte. "Eu pensei: 'Vou fazer isso nem que seja demitida'. Em Hollywood existe uma hierarquia muito forte. Você não chega falando com os grandes nomes; tudo tem um protocolo."
O improviso deu certo. "Quando consegui colocar o objeto onde precisava estar, achei que teria problemas", lembra. "Mas o RuPaul teve uma crise de riso. Ele chorava de rir e precisou até refazer a maquiagem. Depois veio falar comigo e me parabenizar."
A experiência reforçou uma percepção que ela desenvolveu ao longo dos anos sobre a indústria americana. "Costumo dizer que Hollywood é um castelo. Para entrar, você precisa ser convidado ou encontrar uma forma de subir degrau por degrau", compara. "É um processo muito longo."
Ao longo desse caminho, ela também teve contato com outras celebridades. Entre elas, Naomi Watts e Kim Kardashian, durante as gravações da série "Tudo É Justo". "A Naomi foi muito simpática e aberta para conversar", elogia.
"Já a Kim estava extremamente concentrada", comenta. "Era um dos primeiros dias de filmagem e dava para perceber o peso da responsabilidade que ela carregava. Dá para perceber a diferença entre alguém que vem da atuação e alguém que vem da cultura da celebridade."
Antes de se mudar para os EUA, Bia construiu a maior parte de sua trajetória artística nos palcos. Trabalhou com diretores como Zé Henrique de Paula, Roberto Lage, Márcia Bujes e Renata Melo, além de integrar o Núcleo Experimental de Teatro do Sesi.
Embora o teatro tenha sido sua principal atividade profissional, ela também fez participações em novelas, comerciais e na série "Experimentos Extraordinários", em 2014, primeira produção live-action do Cartoon Network no Brasil. "O teatro sempre foi meu lugar de felicidade e meu principal ganha-pão. O audiovisual acabava ficando em segundo plano", explica.
Agora, a atriz concentra seus esforços em um projeto que considera uma missão pessoal: um musical sobre Carmen Miranda. O espetáculo será apresentado em inglês, mas manterá as músicas em português e pretende apresentar ao público americano elementos do teatro de revista brasileiro.
"Quero fazer o caminho contrário. Em vez de trazer a Broadway para o Brasil, quero levar um pouco da nossa tradição teatral para Los Angeles", diz.
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