Os acionistas do BRB (Banco de Brasília) aprovaram autorização para que o banco possa acionar na Justiça ex-administradores que sejam identificados como responsáveis por prejuízos causados à instituição financeira em operações relacionadas ao caso do Banco Master e da Reag.
A decisão foi tomada em Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã desta segunda-feira (24). De acordo com o banco, a deliberação durante assembleia é um rito necessário para que as apurações de responsabilidade por parte da Polícia Federal e demais órgãos investigativos tenham continuidade.
"A medida reforça o compromisso do BRB com a transparência, a governança e a defesa dos interesses dos acionistas, visando ao eventual ressarcimento de danos ao patrimônio da instituição", afirmou a instituição financeira em nota.
Na semana passada, a Polícia Federal disse ter encontrado suspeitas sobre mais diretores do BRB no inquérito que investiga a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, de Daniel Vorcaro, e pediu mais 60 dias ao STF (Supremo Tribunal Federal) para concluir a investigação.
A tendência é que o ministro André Mendonça, relator do caso, conceda a prorrogação.
No documento enviado ao Supremo nesta quinta-feira (20), a PF diz que será necessário colher depoimentos de integrantes da Diretoria Colegiada do BRB que aprovaram operações financeiras do Master.
Nos últimos meses, o BRB está numa corrida para cobrir o rombo bilionário deixado por operações feitas com o Banco Master. Segundo investigações, a instituição do Distrito Federal comprou R$ 12,2 bilhões em créditos falsificados do banco de Daniel Vorcaro, mas disse ter recuperado parcialmente esse valor.
De acordo com o Banco Central, o montante necessário para a instituição cobrir as perdas decorrentes dos negócios poderia chegar a R$ 5 bilhões, em razão da baixa qualidade dos ativos. Segundo os últimos dados disponíveis, referentes ao terceiro trimestre de 2025, o banco tinha um patrimônio líquido de R$ 4,9 bilhões.
A extensão real dos danos ainda é incerta, dado que diversos membros da gestão passada são investigados por possível participação na fraude.
Para avaliar a real condição do BRB, foi feita uma auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da Kroll. A investigação foi concluída no início de abril e o relatório final para a Polícia Federal para a adoção de "eventuais medidas cabíveis".
Já o raio-X financeiro da instituição após auditoria ainda não foi divulgado. A estatal deveria ter apresentado o balanço de 2025 no fim de março, mas o resultado ainda não foi publicado.
Segundo o BRB, a publicação das demonstrações financeiras foi postergada "em razão da necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense contratada para apuração dos eventos relacionados à operação Compliance Zero, bem como da adequada avaliação, pela administração da companhia e pelo auditor independente, de seus potenciais impactos."