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Bruna Marquezine lamenta falta de mais oportunidades no cinema

Beatriz Vilanova/Folhapress | 07/03/20 - 20h51
Reprodução

Bruna Marquezine, 24, é uma das atrizes mais famosas do Brasil, lembrada especialmente por seus papéis em produções da Globo, como "I Love Paraisópolis" (2015), "Deus Salve o Rei" (2018) e "Em Família" (2014). Mas mesmo com tamanho reconhecimento, ela nunca chegou a fazer um papel de fôlego no cinema, e lamenta a falta de oportunidades.

"Ainda existe um certo preconceito dentro do mundo das artes. Muitas pessoas enxergam atores e atrizes como 'de TV', 'de cinema' ou 'de teatro'. Nunca recebi muitas propostas para fazer cinema, porque cresci dentro da TV e fui vista como atriz de TV", diz Marquezine. Na última quinta (5), ela fez sua estreia como protagonista do longa-metragem "Vou Nadar Até Você".

Antes disso, ela havia feito somente participações pontuais em seis filmes, como "Xuxa em o Mistério da Feiurinha" (2009). Em conversa com os jornalistas para lançamento da produção, a atriz contou que gostou muito de gravar uma obra fechada, e que a experiência foi diferente do que estava acostumada a fazer - ainda mais porque trata-se de um filme no qual a fotografia é protagonista, e sua personagem tem poucas falas.

"Foi interessantíssimo para mim sair de uma experiência de novela, onde a palavra tem muito valor e cada vírgula é necessária, e poder me libertar da palavra para poder viver cada cena", diz a atriz. "Na vida, de modo geral, as palavras atrapalham".

Ophelia

Na trama, escrita e dirigida por Klaus Mitteldorf, Marquezine é Ophelia, uma jovem de 21 anos que vai nadando de Santos a Ubatuba, no litoral paulista, a fim de encontrar o pai alemão que ela nunca pôde conhecer.

Ophelia tem uma relação forte com a fotografia, assim como seu pai, que está em Ubatuba justamente expondo seu trabalho como fotógrafo. Ela, então, escreve uma carta a ele para dizer que irá encontrá-lo. Ele, por sua vez, manda um de seus ajudantes persegui-la sem ser notado.

"Ophelia é um tanto autêntica, muito diferente das personagens de 20 anos que me apareceram até então. Por incrível que pareça, muitas pessoas me perguntaram 'por que você escolheu (fazer) esse filme?', num tom de como se a oferta para fazer cinema fosse gigantesca", diz a atriz.

"Só de eles (produtores do filme) olharem para mim para viver esse desafio, já me senti extremamente honrada", completa Marquezine, ao ressaltar que a trajetória de sua personagem, tão relacionada à arte, a fez se reconectar com sua própria carreira e lado artístico, depois de tantos anos de ritmo acelerado em produções televisivas.

"Eu sabia que era algo muito distante de tudo o que já fiz por ser um filme sensorial, visual, e tudo isso me encantou. Eu, enquanto artista, precisava viver isso, algo novo, e não mais do mesmo. Até para me reciclar e poder lembrar o porquê da paixão pela minha arte."

Mitteldorf afirma que "foi um grande desafio" deslocar uma atriz conhecida pela TV e pelo Instagram, para colocá-la em um filme de arte. "Eu conheci quem era a Bruna nesse momento: uma grande atriz que eu acho que precisava dessa válvula de escape para mostrar quem ela é", diz ele. "Ajudei ela a sair desse nicho que ela estava."