Polícia

Caso Capitão Rodrigues: suspeito é indiciado e defesa questiona prisão

Advogado diz que a prisão do empresário “é ilegal, por descumprimento de prazo para o envio de inquérito à autoridade judiciária”

26/04/16 - 17h30 - Atualizado em 26/04/16 - 18h11
Reprodução

A Polícia Militar de Alagoas já instaurou procedimento administrativo para apurar o procedimento da guarnição na abordagem no Bairro de Santa Amélia, em Maceió, que resultou na morte do capitão Rodrigo Moreira Rodrigues. Paralelamente, a defesa de Agnaldo Lopes de Vasconcelos, principal suspeito de atirar e matar no capitão no último dia 10 de abril, disse à reportagem do TNH1 que a prisão do empresário “é ilegal, por descumprimento de prazo legal para o envio de inquérito policial à autoridade judiciária”. 

O advogado Lutero Gomes voltou a falar sobre o caso hoje após o anúncio do iniciamento de Agnaldo Lopes por homicídio e porte de munição de uso restrito de seu cliente. O inquérito deste caso foi concluído e o relatório remetido hoje para a 9ª Vara Criminal da Capital.  

Lutero gomes falou ainda sobre uma suposta negligência na abordagem da PM. “Infelizmente houve uma negligência da guarnição na abordagem, que foi atípica e resultou em uma fatalidade". Segundo o advogado, Agnaldo Lopes, preso preventivamente há exatos 17 dias no sistema prisional, atirou no capitão por achar que sua casa estava sendo invadida.

De acordo com Lutero Gomes, no momento da abordagem a guarnição não estaria com o giroflex ligado e não teria se identificado a ponto de Agnaldo entender que se tratava de uma abordagem policial. “Todo mundo sabe que naquela localidade há um histórico de violência e assaltos. Quando o policial subiu no muro, com a pouca luminosidade do local, Agnaldo pensou se tratar de uma invasão, um assalto”, argumentou.

Outro fato citado pela defesa é que um tiro teria sido disparado de fora para dentro da casa e a marca desse tiro estaria ainda no portão da casa do réu. Foi a partir deste disparo, segundo Lutero, que Agnaldo teria disparado o primeiro tiro, “para dizer que também estava armado”. O segundo, no entanto, teria sido disparado ao ver uma pessoa subindo o muro de sua residência.

A arma do suspeito, de acordo com a defesa, é registrada há 26 anos e foi levada no dia do crime pela polícia.

Ligações realizadas pela sogra de Agnaldo, que mora na mesma rua, e a vizinha do suspeito ao 190, número de emergência da Polícia Militar, também provariam, segundo Lutero, o desespero da família ao ver a casa cercada pelo que parecia ser uma invasão.

Inquérito "incompleto"

O juiz Geraldo Cavalcanti Amorim confirmou à reportagem do TNH1 que recebeu o inquérito e que o mesmo foi devolvido a autoridades policiais porque tinha diversas folhas em branco. No entanto, o juiz determinou um prazo de 24h para a devolução do documento.

Quanto às páginas em branco do processo, o magistrado se limitou a dizer que não contou quantas folhas estavam em branco, mas que “isso acontece devido ao processo de digitalização”.