por Pedro Acioli*
Publicado em 27/05/2026, às 11h48
O ex-diretor de presídio Tiago Sóstenes Miranda de Matos foi denunciado pelo Ministério Público de Sergipe pelo homicídio da empresária Flávia Barros, ocorrido em um hotel em Aracaju no dia 22 de março. As imagens de câmeras de segurança mostram a invasão do quarto da vítima e os disparos efetuados por Tiago, que ocorreram apenas minutos após sua chegada ao local.
A motivação do crime está relacionada à violência doméstica e ao comportamento possessivo do acusado, que havia mantido um relacionamento conturbado com Flávia, marcado por ciúmes e tentativas de controle. Dias antes do homicídio, Flávia havia rompido o namoro, mas foi persuadida a reatar após pedidos de desculpas do agressor.
O Ministério Público solicitou que Tiago seja levado a júri popular por feminicídio, considerando agravantes como a surpresa na ação e o uso de arma de fogo. O suspeito foi preso em flagrante na cena do crime, onde foi encontrado ao lado do corpo da vítima, e sua alegação de tentativa de suicídio foi refutada pelas investigações.
Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelo Ministério Público de Sergipe de mostram o momento em que o ex-diretor de presídio Tiago Sóstenes Miranda de Matos invade o quarto da empresária Flávia Barros em um hotel de Aracaju. O crise aconteceu no dia 22 de março deste ano, e o policial penal foi denunciado pelo MP-SE nessa terça-feira (26).
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As imagens mostram a movimentação de Tiago durante os dias em que esteve hospedado no hotel, desde a chegada, no dia 20 de março, até a extensão da diária no dia 21 e o dia do crime, em 22 de março.
Na madrugada do homicídio, por volta das 4h38, Flávia Barros chega sozinha ao hotel. Cerca de oito minutos depois, Tiago também entra no local e segue até a porta do quarto da empresária, onde permanece por aproximadamente 15 minutos trocando mensagens com a vítima.
Às 5h04, o ex-diretor arromba a porta do quarto e efetua diversos disparos de arma de fogo. A Polícia Militar foi acionada e chegou ao hotel por volta das 5h22. Confira o vídeo:
Denunciado pelo Ministério Público
A acusação do MP aponta que o crime foi motivado por razões da condição do sexo feminino, envolvendo violência doméstica e familiar, além de ter sido impelido por motivo torpe.
O histórico do relacionamento entre ambos, que durava alguns meses, era marcado por comportamento possessivo, ciúme excessivo e tentativas de controle por parte do denunciado.
Dias antes do homicídio, Flávia havia rompido o namoro após o homem ter efetuado disparos para o alto durante uma festividade na cidade de Paulo Afonso (BA), mas foi convencida a reatar a relação após insistentes pedidos de desculpas.
"Não tentou tirar própria vida"
O MP-SE informou que as circunstâncias apuradas esclareceram a origem dos ferimentos apresentados pelo acusado no dia do crime.
"Tiago Sóstenes não tentou tirar a própria vida. Ele foi atingido inclusive de forma superficial na cabeça por tiros que ricochetearam em outros alvos. Essa alegação de que ele estava absolutamente abalado e que, portanto, acabou tentando tirar a própria vida cai por terra com base nas provas que até o momento foram produzidas", afirmou a promotora de Justiça Luciana Duarte em entrevista coletiva.
Ex-diretor tinha vida dupla
O Ministério Público também detalhou que o denunciado mantinha uma vida dupla, ocultando da vítima o fato de ser legalmente casado e possuir família constituída em outro Estado da Federação, enquanto publicamente mantinha o noivado com Flávia.
Na noite anterior ao crime, durante uma festa em Aracaju com amigos, o agressor demonstrou contrariedade, retirou-se do local sozinho e permaneceu na parte externa do hotel aguardando o retorno da namorada.
Na denúncia, a Promotoria de Justiça pede que o denunciado seja levado a júri popular por feminicídio consumado com duas causas de aumento de pena: emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima (ação de surpresa, invadindo o quarto no repouso noturno) e uso de arma de fogo de uso restrito praticado no contexto de violência doméstica.
O flagrante foi convertido em prisão preventiva logo após o crime, quando policiais militares acionados por testemunhas encontraram o suspeito deitado na cena do crime ao lado do corpo da vítima.
*Estagiário sob supervisão
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