Polícia

Caso Jonas Seixas: mãe recebe intimação endereçada ao filho desaparecido: “Como pode?”

Bruno Soriano | 18/10/21 - 16h46 - Atualizado em 18/10/21 - 17h21
Servente de pedreiro Jonas Seixas está desaparecido há mais de um ano | Arquivo pessoal

Uma situação inusitada deixou ainda mais entristecida quem ainda não teve sequer o direito de vivenciar por completo o luto pelo sumiço de um filho. Isso porque, nesta segunda-feira (18), o servente de pedreiro Jonas Seixas da Silva, de 32 anos, recebeu uma intimação para comparecer à delegacia no próximo dia 25 deste mês de outubro. O detalhe é que ele segue desaparecido há mais de um ano, quando foi abordado por guarnição da Polícia Militar, na Grota do Cigano, no Jacintinho, em Maceió.

Segundo Neide Seixas, a equipe de policiais civis esteve, inicialmente, na casa de sua irmã, de onde seguiram para sua residência, também no Jacintinho. Ao receber a intimação, Neide se assustou ao ver o nome do filho no documento. “Fiquei revoltada porque foi a polícia quem o levou e, agora, a mesma polícia me procura para entregar uma intimação para meu filho. É um absurdo”, desabafou.

Ao TNH1, Neide contou que um policial a pediu para assinar o documento, esclarecendo, na verdade, que ela é quem deve, mais uma vez, comparecer ao prédio do Grupo Especial de Apoio Investigativo (GEAI) da Polícia Civil, no bairro de Jatiúca, para prestar esclarecimentos.

A assessoria de comunicação da Polícia Civil, por sua vez, confirmou o equívoco, afirmando que o nome da mãe é que deveria constar no mandado de intimação. 

“Ele havia mudado de vida. Era um pai de família, mas morava numa grota. Que o levassem preso para a Central de Flagrantes, como disseram, mas continuar sem saber o paradeiro do meu filho, e depois de tanto tempo, é muito revoltante. Meus dois netos e minha nora, inclusive, estão morando na casa de uma amiga minha porque não tenho condições de abrigar todo mundo na minha casa. A Angélica [nora] faz o que pode e sobrevive fazendo faxinas”, emendou a mãe de Jonas.

No último dia 09, amigos, familiares e integrantes de movimentos sociais realizaram, no Calçadão do Comércio, no centro de Maceió, um ato alusivo aos 365 dias do desaparecimento do servente de pedreiro.

Cinco policiais militares acusados de participação no desaparecimento de Jonas seguem presos. Os mandados foram expedidos pela 7ª Vara Criminal da Capital, após parecer favorável do Ministério Público Estadual (MPE) à representação formulada pela comissão de delegados da Delegacia de Homicídios, que investigou o caso. Eles foram indiciados pelos crimes de sequestro, tortura, homicídio e ocultação de cadáver. 

A defesa dos acusados – que devem ir à júri popular – já chegou a apresentar, sem sucesso, ao menos três pedidos de liberdade.