Polícia

'Caso Joyce': dez dias após o crime, polícia continua ouvindo testemunhas

Redação TNH1 | 06/03/20 - 09h33 - Atualizado em 06/03/20 - 09h53
Arquivo Pessoal

Dez dias se passaram e o principal suspeito de matar a adolescente Joyce Mariele Cândido da Silva Santana segue em liberdade. Lucas Felipe Cardoso Moleda, de 18 anos, já admitiu que pretende se entregar à polícia, mas diversos agentes se movimentam desde a última semana para localizá-lo.

A polícia confirmou ao TNH1, na manhã desta sexta-feira (06) que as buscas para encontrar o paradeiro de Lucas Moleda continuam e cinco testemunhas foram ouvidas nesta semana. Porém, a delegada Tacyane Ribeiro afirmou que o interrogatório das pessoas não apresentou um fato novo sobre o crime, nem sobre o esconderijo do suspeito. A delegada disse ainda que mais pessoas serão ouvidas.

Anteriormente, a polícia já havia revelado que levantamentos estão sendo feitos, junto com o serviço de inteligência, para fechar o cerco e prender Lucas Moleda. Vários locais estão sendo monitorados. As polícias de outros estados já estão cientes do foragido, caso ele tenha decidido deixar Alagoas para se esconder em outro lugar. 

O feminicídio chocou a população alagoana pelas imagens que apresentaram frieza e crueldade do assassino. Joyce tinha 16 anos e teria tido um relacionamento amoroso com o rapaz. Ela teria brigado com ele no dia anterior da morte e chegou a ser agredida com um tapa, de acordo com testemunhas. 

A polícia destacou a importância da população em denunciar o suspeito. Quem tiver informações sobre a localização de Lucas Moleda pode entrar em contato com a polícia através do Disque Denúncia, número 181. A identificação do denunciante será preservada.

Câmera registra crime

Uma câmera de videomonitoramento flagrou o momento em que a adolescente de 16 anos foi morta com um tiro disparado pelo rapazO crime aconteceu na Rua Otacílio Holanda, no Village Campestre II, na tarde da terça-feira de Carnaval, dia 25. O vídeo mostra cenas muito fortes.

As imagens mostram que o assassino chega pilotando a moto em frente a um condomínio às 15h53. A vítima e a amiga dela dividem a garupa do veículo. Instantes após descer da moto, a amiga de Joyce entra no residencial e deixa os dois a sós.

O jovem, que estava sem camisa e com capacete, pega a vítima pelo pescoço com uma arma de fogo na outra mão às 15h55. Logo depois, ele derruba a adolescente no chão e atira, aparentemente na cabeça dela. 

Após o crime, o assassino sobe na moto e foge. A amiga de Joyce se aproxima dela caída e percebe que ela foi baleada. Ela procura ajuda dentro do condomínio. Nas imagens não foi possível observar a chegada de mais pessoas na cena do crime.

A arma utilizada no assassinato foi apreendida dentro da casa de Lucas Moleda. O revólver pertence ao padrasto do suspeito e foi entregue ao Instituto de Criminalística (IC), para passar por perícia. O padrasto é policial militar e estaria colaborando com as investigações, além de ter informado que não forneceu a arma ao suspeito. 

Buscas por Lucas Moleda

Um dos primeiros locais onde os policiais fizeram buscas por Lucas Moleda foi a Grota do Rafael, no bairro de Jacintinho A polícia esteve à procura do jovem na região após receber a informação de que ele havia ido para a casa de um parente no mesmo dia do crime. Outros pontos também foram observados, mas não revelados pela polícia.

Lucas havia relatado, em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, um dia depois do assassinato, que iria se entregar, porém segundo ele, esperava a "poeira baixar".

Ele negou ter tido um relacionamento amoroso com a Joyce. Porém um vídeo gravado por um amigo dele, dentro de um veículo, deixa em dúvida a sua versão. A filmagem mostra que Lucas estava no banco do passageiro e pega uma garrafa de vidro para passar uma imagem de que bebia e sofria ao escutar uma música romântica.

Antes disso, ele havia colocado a mão na cabeça por ter ouvido o nome da adolescente gritado por outro ocupante do carro: "Pensando na Joyce". Em outro momento, o mesmo colega chama a vítima de covarde por aparentemente fazer Lucas sofrer. 

Amiga de Joyce se defende de envolvimento

A amiga que estava com Joyce no momento em que a adolescente foi morta publicou um desabafo nas redes sociais na última semana. Ela deu detalhes do que aconteceu 24 horas antes do crime, como também instantes antes da morte da adolescente. A amiga dela negou estar envolvida e pediu por justiça. 

"Paramos a moto como vocês viram no vídeo, eu chamei ela pra entrar, ela não quis e disse que achava que ele queria conversar. Tudo bem, entendi, achei que iam se acertar. Daí escutei o disparo, já vi ela caída no chão e ainda vi quando ele deu a volta na moto. Chamei socorro e, até o socorro chegar, infelizmente ela faleceu", relatou.

"Um dia antes ele tinha ameaçado ela, dizendo que ia matar ela, que isso e aquilo, e mandou ela ir na casa da tal namorada dele, que também era minha "amiga". Que também perguntou pelo Whatsapp da minha mãe onde eu estava. Daí as duas se pegaram no tapa, o Lucas deu um tapão na cara da Joyce. Teve um menino que deu uma bomba na boca dele, para mandar ele parar. Isso um dia antes da morte dela. A tal namorada dele disse: 'Tá tudo confirmado viu?'. A Joyce me disse: 'Você escutou? Foi ameaça'. Daí fomos embora e ele já chegou no dia do acontecimento. Muitas pessoas tão dizendo que eu sabia, que eu quem fiz a 'cocó', que eu soube que ele confirmou. Me levaram para dar depoimento e ele disse: 'Eu vou pegar um por um'. O próprio delegado viu. Fugiram os dois".

"Consciência limpa. Eu amava minha amiga. Só eu sei como doeu ver ela ali e não acordar nunca mais, nem escutar a voz dela e nem poder ir ao enterro. Enfim, foi isso. Eu te amo, amiga. A Justiça será feita", finaliza a amiga no texto.