Alagoas

Centro de Acolhimento recebe pessoas em situação de vulnerabilidade infectadas pela covid

Ascom Seades | 27/07/20 - 16h41 - Atualizado em 27/07/20 - 17h00
Ascom Seades

O Centro de Acolhimento e Isolamento Social (Cais) foi inaugurado, hoje (27), em Alagoas.  A Secretaria de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social (Seades), com o objetivo de oferecer a pessoas em situação de vulnerabilidade social, diagnosticadas com a COVID-19, local adequado para o isolamento de 14 dias, fechou parceria público-privada com a Fundação Itaú, por meio do programa Todos pela Saúde, para a implantação do Centro. Com funcionamento inicial de 60 dias, podendo ser prorrogado por mais um mês, o CAIS será gerenciado pelo Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (CEJAM), Organização Social sem Fins Lucrativos (OS). 

O projeto, cujo modelo já foi implantado em outros estados, é totalmente financiado pela Fundação Itaú, com investimento de R$ 3 milhões. A iniciativa em Alagoas contou com o apoio da rede de saúde municipal e estadual, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), na cessão da Escola Estadual Dr. Francisco Melo, onde funcionará o Centro. Após a desativação do Cais, a instituição de ensino, localizada no Conjunto Moacir Andrade, bairro do Benedito Bentes, em Maceió, ficará em posse do refeitório e da reforma completa promovida na escola. Está em discussão a construção de uma quadra esportiva.

O Secretário de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, Sílvio Bulhões, fala da importância da implantação do Cais em Alagoas. “O Centro de Acolhimento e Isolamento Social é mais uma ferramenta no combate à pandemia do novo coronavírus em Alagoas. Ele vai permitir que pessoas em situação de vulnerabilidade social, que testem positivo para a COVID-19 e que não tenham condições de cumprir o período de quarentena de maneira adequada, por não possuírem espaço em suas residências, ou por serem população de rua, cumpram o isolamento com todos os cuidados necessários e com o acompanhamento de uma grande equipe mobilizada para isso”. 

E esclarece a importância da parceria com a Fundação Itaú. “O Cais é uma parceria público-privada muito importante, firmada entre o governo do estado, por meio da Seades, com a Fundação Itaú, no programa Todos pela Saúde. A iniciativa vai permitir que Alagoas conte com o Centro no combate à disseminação do novo coronavírus aqui no estado”.

O Cais não é um centro hospitalar, nem uma unidade de saúde. Ele irá funcionar como moradia àqueles que não possuem um lugar adequado para cumprir o período de isolamento. Serão oferecidos 13 dormitórios masculinos e femininos (sete estão ativados no momento); cinco refeições ao dia, individuais e em embalagem descartável; oito banheiros com chuveiros e sanitários, quatro masculinos e quatro femininos; ventiladores; lavadoras de roupas; refeitório, centro de convivência, com mesa de pebolim, televisão e espaço de leitura, onde serão ministradas oficinas online e presencial pelas equipes monitoras. Os residentes receberão toalhas de banho e material completo de higiene pessoal.

Atendimento 24 horas 

O Centro funcionará 24h por dia e contará com uma ambulância permanente para o deslocamento dos residentes em caso de agravamento do quadro da doença. Daniela Gazzaneo, Superintendente de Avaliação e Gestão da Informação, da Seades, e coordenadora administrativa do Centro, explica esse procedimento. “Os residentes são referenciados pela saúde. Caso haja alguma piora, ele volta referenciado para a equipe ou para a Upa. "Estamos bem alinhados com a Upa do Benedito Bentes e do Jacintinho, como também com o Hospital Metropolitano para que, havendo necessidade, possamos referenciar para essas unidades de saúde”. Para facilitar o diagnóstico de infecção, a Fundação Itaú forneceu à rede pública de saúde kits do exame RT-LAMP, que detecta o vírus em 24 horas.

Os residentes serão acompanhados por coordenadores geral e administrativo, além de uma equipe de 40 profissionais, com distintas áreas de atuação: enfermeiros, técnicos de enfermagem, bombeiros civis, agentes de segurança e de limpeza, auxiliares administrativos, copeiros, cozinheiros, controladores de acesso e porteiros. Todos os profissionais receberam Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) e passaram por capacitação com consultoria especializada. O Cais pode abrigar até 156 pessoas ao mesmo tempo. No momento, ele tem capacidade para receber 120. Em sistema de rodízio, o número pode chegar a 500. A princípio, serão acolhidas pessoas da capital do estado.

A entrada no Centro é voluntária e será oferecida aos interessados na rede de saúde municipal e estadual. Para se ter acesso, é preciso ser diagnosticado com o coronavírus, por meio de exames laboratoriais; possuir autonomia de locomoção, e estar em posse da medicação prescrita para o tratamento da COVID-19. Os residentes serão identificados por ficha de admissão e receberão orientações sobre o regulamento interno do Cais. O Centro acolhe pessoas em qualquer fase da infecção, mas o ideal é que o acolhimento ocorra no início da quarentena. Os residentes estarão separados em espaços distintos de acordo com o tempo de contágio, de 0 a 7 dias, ou de 7 a 14 dias.

Alagoas seria o primeiro estado do Nordeste a implantar o Cais, mas as chuvas do fim de semana atrasaram as obras de reforma da escola; por isso, a inauguração, inicialmente prevista para o dia 23/7, precisou ser adiada. Os estados do Ceará, Piauí e Pernambuco tiveram seus Centros inaugurados na última semana. Kenny Bahia, operadora local, contratada pela Cejam, esclarece a importância de projetos em parcerias público-privadas. “Nós entendemos que parcerias como esta são essenciais para que equipamentos venham ajudar a comunidade em período de pandemia. Faz toda a diferença quando podemos compartilhar conhecimentos em benefício da população. É uma parceria que tem tudo para dar certo; é o caminho para aumentar atendimentos e serviços de qualidade”.