Estudos recentes revelam que esquilos do Pleistoceno se alimentavam de carcaças de grandes animais, como mamutes e bisontes, desafiando a percepção comum sobre sua dieta. Essa descoberta, baseada em análises de DNA de fezes fossilizadas, sugere um comportamento de forrageamento diferente do que se observa nos esquilos modernos.
As fezes fossilizadas, conhecidas como coprólitos, foram preservadas em permafrost canadense e contêm vestígios de uma dieta diversificada, incluindo vermes parasitas e restos de mamíferos. A pesquisa, publicada na revista Nature Communications, destaca a importância desses coprólitos como fontes de informação sobre a ecologia de espécies pré-históricas.
Os pesquisadores planejam realizar um estudo adicional focado nas sequências genéticas de mamutes, utilizando os coprólitos como 'paleoarquivos' para investigar comportamentos antigos. A datação dos coprólitos, baseada em cinzas vulcânicas, pode fornecer as amostras de DNA mais antigas já registradas, ampliando o conhecimento sobre a fauna do passado.
Ao pensar em pequenos esquilos, o ato de se alimentar de carne definitivamente não é o primeiro a vir à cabeça. Os roedores que conhecemos se alimentam principalmente de sementes, nozes, frutas secas e insetos, porém a história era diferente há centenas de milhares de anos.
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Segundo um novo estudo, análises de DNA de fezes fossilizadas de esquilos do Pleistoceno indicam que esses animais tinham o costume de sair do subsolo para se alimentar da carcaça de outros seres como mamutes, bisontes e grandes felinos.
Denominadas coprólitos, essas fezes são um meio raro de se obter informações da dieta de espécies pré-históricas, porém o comportamento de escavação observado em esquilos de até 700 mil anos atrás ajudou a deixar os excrementos extremamente bem preservados. Os resultados da pesquisa foram publicados em 9 de junho na revista científica Nature Communications.
História debaixo da terra
Assim como esquilos terrestres atuais, seus ancestrais do gênero Urocitellus também tinham períodos de hibernação em tocas escavadas na terra. Ao emergirem depois de meses, esses animais comem tudo o que veem pela frente e deixam suas fezes para trás.
O caso das tocas de Klondike, no Canadá, é especial pelo fato de que elas estiveram aprisionadas no permafrost (solo congelado) por milhares de anos, preservando o que estava dentro. A extração de DNA mitocondrial dos coprólitos preservados permitiu que os cientistas verificassem o que esquilos que viveram entre 700 mil e 17 mil anos atrás consumiam.
Dentro da dieta desse roedor glacial, foram encontrados vestígios de códigos genéticos de vermes parasitas, plantas, morcegos, pássaros, mamutes-lanosos, bisontes e um grande felino. Segundo comunicado, a explicação para isso seria o hábito dos esquilos de emergirem da terra para se alimentar de carcaças espalhadas no ambiente. Os autores do estudo brincam que o animal era um zumbi pré-histórico.
Expectativas de estudos futuros
A datação dos coprólitos foi feita a partir da análise de depósitos de cinzas vulcânicas encontrados na superfície deles. Caso as estimativas sejam precisas, as amostras de DNA de mamutes e outros organismos de 700 mil anos atrás podem ser as mais antigas que se tem registro na pesquisa.
Os pesquisadores planejam que um estudo focado nas sequências genéticas de mamute seja realizado em breve, e que outros coprólitos possam servir de “paleoarquivos” para desvendar ainda mais comportamentos intrigantes.
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