Saúde

Com recorde no número de casos, Alagoas tem mais da metade dos infectados já recuperados

João Victor Souza e Ana Carla Vieira | 02/06/20 - 16h22 - Atualizado em 02/06/20 - 16h22
Arquivo/Folhapress

Alagoas encerrou o mês de maio com 10.288 casos confirmados de covid-19. O número recorde assusta ainda mais porque o mês anterior, abril, foi encerrado com pouco mais de mil infectados, o que mostra um crescimento 10 vezes maior no número de casos registrados em 30 dias. Porém, apesar dos tempos difíceis com o enfrentamento da pandemia, há algo de positivo a ser destacado: de acordo com os dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), mais da metade das pessoas que contraíram o vírus já está recuperada.

Segundo o Boletim Epidemiológico divulgado ontem (1º), mais 459 casos foram confirmados no Estado e o número saltou para 10.837. Também houve um aumento dos pacientes recuperados, cujo número agora é de 5.951. 

Até 31 de maio, 5.480 pacientes já haviam finalizado o período de isolamento e não apresentado mais sintomas da doença. O que reforça a importância de manter distanciamento social para não oferecer riscos de contágio ao outro e se curar mais rapidamente. Isolamento que deve ser seguido também por quem não está doente, para evitar novas transmissões comunitárias. 

Para compreender a melhora do quadro clínico dos enfermos, o TNH1 conversou com a médica infectologista Luciana Pacheco, que também é diretora-médica do Hospital Escola Helvio Auto, uma das referências em Alagoas no atendimento a pacientes com covid-19. À reportagem, ela comemorou a cura de mais da metade dos pacientes infectados, mas afirmou que a condição já era esperada pelas medidas de combate ao vírus.

"A recuperação é o que todos nós esperamos e ela depende da estrutura do atendimento médico e do manejo do paciente. Ele também precisa seguir as medidas recomendadas para ter uma rápida recuperação. Em 80% das pessoas, o vírus ataca de forma mais leve, por isso a tendência é que a pessoa tenha recuperação apenas com isolamento domiciliar, não entrando em contato com outras pessoas. Porém, em outros casos se torna necessário a internação, são os casos mais graves. Não teríamos leitos para suportar todo mundo se o vírus atacasse de forma mais pesada um maior número de pessoas".

Luciana Pacheco também destacou que encara o cenário da pandemia como drástico e disse que a situação pode se tornar mais preocupante se as pessoas não continuarem em isolamento para evitar o contágio do coronavírus.

"É um cenário drástico, vendo o número grande de internações, de óbitos, de novos casos confirmados surgindo a cada dia. Então, as pessoas seguem se contaminando e transmitindo para outras. Também há a preocupação em relação aos leitos. No interior, temos uma situação complicada, pois a quantidade de leitos não é suficiente, e muitos pacientes acabam vindo buscar tratamento em Maceió", reforçou a médica.

A infectologista alertou que muitas pessoas com sintomas da doença acabam sendo resistentes em não procurar atendimento. "Elas podem achar que não é nada, e esse caso acaba não sendo notificado. Por isso acredito que temos um número maior de pessoas com suspeita, ou com a própria covid, e esse número acaba não entrando no boletim". 

"Outras doenças como influenza e dengue, que estão presentes paralelamente à covid, também têm sintomas semelhantes. Então há casos em investigação que no final não se confirmam e que podem estar relacionados a essas doenças", acrescentou.

Pessoas de 30 a 49 anos lideram casos confirmados

Segundo o Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde (CIEVS/AL), 5.024 alagoanos entre 30 e 49 anos testaram positivo para a doença até 31 de maio. O número representa quase a metade de todos os casos confirmados no Estado nesse mês.

Dos mais de 5 mil, 4.730 apresentaram síndromes gripais e 294 estavam com síndrome respiratória aguda grave.

Levando-se em consideração as demais faixas etárias, a síndrome gripal, detalhada no Boletim Epidemiológico da Sesau, também atingiu 5.085 pessoas, que já estão curadas, e 4.099 ainda em isolamento domiciliar. Já entre os pacientes com síndrome respiratória aguda grave, 395 deles estão recuperados, 259 hospitalizados, cinco em isolamento domiciliar e dois morreram por outras causas. Os dados de junho não foram contabilizados neste registro.

Ainda de acordo com o CIEVS, Alagoas já se aproximava no último domingo de 20 mil casos notificados, entre confirmados, descartados e em investigação. Ontem, com a atualização do boletim, o número de pessoas que já foram acompanhadas chegou a 20.715.