Como explicar a força de Alagoas na política brasileira?
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Como Alagoas, um pequeno Estado do Nordeste, região de baixos índices econômicos e sociais, tem alcançado tanto destaque político em nível nacional?
É uma pergunta que todos os brasileiros voltaram a se fazer agora que o deputado federal Alfredo Gaspar foi anunciado candidato a vice-presidente da República pelo PL, na chapa de Flávio Bolsonaro.
Quem explica, em detalhada reportagem no portal UOL, é o jornalista Carlos Madeiro:
“A indicação do deputado federal Alfredo Gaspar (PL) como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) recolocou um político de Alagoas no centro do cenário nacional, algo que vem se repetindo desde a redemocratização brasileira - embora tenha raízes ainda mais antigas, dos primórdios da República.
Da influência do pequeno estado nordestino, com o segundo menor território do país e pouco mais de 3 milhões de habitantes, surgiu a expressão ‘República das Alagoas’. O termo, porém, nasceu como um apelido crítico ao governo Fernando Collor (1990-1992), mas passados mais de 30 anos pode-se dizer que ganhou um significado mais amplo.
A definição de um alagoano para compor a chapa presidencial de Flávio passou diretamente pelo cenário político do estado e foi influenciada por outro nome marcante da política local: o deputado federal Arthur Lira (PP).
Lira teve papel decisivo na indicação —como noticiou ontem esta coluna, em parceria com Letícia Casado. Ele cobrou que lideranças do PL cumprissem o acordo de apoiar seu nome e não lançar candidato ao Senado em Alagoas.
A definição de um alagoano para compor a chapa presidencial de Flávio passou diretamente pelo cenário político do estado e foi influenciada por outro nome marcante da política local: o deputado federal Arthur Lira (PP).
Presidente do PL alagoano, Alfredo Gaspar era pré-candidato ao Senado, o que irritava Lira. Sem conseguir fechar alianças com outros partidos, o PL solucionou o impasse colocando Gaspar na chapa presidencial ao lado de Flávio Bolsonaro.
Alfredo Gaspar e Arthur Lira são apenas os nomes mais recentes de uma lista de políticos alagoanos que tiveram relevância (e, em muitos casos, protagonismo) na história da República.
Essa trajetória remonta ainda ao nascimento da República, com o marechal alagoano Deodoro da Fonseca, líder do movimento militar que derrubou o Império em 15 de novembro de 1889. Ele tornou-se o primeiro presidente do Brasil e permaneceu no cargo até 1891, quando outro alagoano assumiu: Floriano Peixoto (1891-1894), o ‘Marechal de Ferro’.
Na luta pela redemocratização durante a ditadura militar, Alagoas voltou a ganhar projeção nacional com o senador Teotônio Vilela. Conhecido como o "Menestrel das Alagoas", foi um dos principais símbolos da campanha pela anistia e pelo fim do regime militar.
Na primeira eleição direta após a ditadura, em 1989, foi eleito Fernando Collor de Mello. Embora tenha nascido no Rio de Janeiro, ele é de família alagoana e construiu toda a sua carreira política no estado, onde foi prefeito de Maceió, deputado federal e governador antes de se tornar Presidente da República.
Foi nesse período que surgiu a expressão ‘República das Alagoas’, utilizada para criticar a concentração de poder de políticos alagoanos no governo Collor e que, desde então, passou a ser frequentemente lembrada quando se discute a influência do estado na política nacional.
Após o impeachment de Collor, outro alagoano ganhou enorme projeção: o senador Renan Calheiros (MDB), que presidiu o Senado Federal em três oportunidades (2005-2007, 2013-2015 e 2017-2019), tornando-se um dos principais articuladores do Congresso Nacional.
Nesse mesmo período, outros alagoanos também tiveram papel de destaque, como a ex-senadora Heloísa Helena e o ex-deputado Aldo Rebelo, que presidiu a Câmara dos Deputados entre 2005 e 2007 e ocupou ministérios em diferentes governos.
O historiador Geraldo de Majella afirma que a influência dos alagoanos não decorre de uma característica específica do estado, mas do posicionamento estratégico de seus políticos em momentos decisivos da história brasileira.
‘Foi o momento histórico que colocou os alagoanos, em determinadas fases da história do Brasil, nessas posições de protagonismo’, afirma.
‘Os alagoanos são mais inteligentes do que os outros? Não. Isso tem a ver com os fatos que foram acontecendo e com a forma como eles procuraram ocupar seus espaços. À medida que as conjunturas iam surgindo, eles estavam presentes.’
Majella cita Arthur Lira e Renan Calheiros como exemplos recentes desse fenômeno.
‘Arthur estava muito bem posicionado dentro do partido dele quando se criou um ambiente no Centrão que o favoreceu, além de ter sua própria capacidade de articulação. A mesma coisa aconteceu com Renan, que sempre esteve muito bem colocado desde o período em que Ulysses Guimarães comandava o PMDB. Ele nunca foi do baixo clero’, diz.
Para o cientista político Ranulfo Paranhos, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), outro elemento importante é o que ele chama de ‘profissionalização do pragmatismo’.
‘Na ciência política, legisladores com o perfil de Arthur e Renan têm uma flexibilidade ideológica muito grande. Eles também dominam profundamente as regras do jogo, entendem de orçamento, emendas parlamentares e nomeações. Tudo isso vem associado à imagem de políticos confiáveis entre seus pares’, afirma.”
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