Comprovantes de depósitos mostraram ligação de Deolane com o PCC, diz MP

Publicado em 21/05/2026, às 10h00
Reprodução/Instagram
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Por UOL

A influenciadora Deolane Bezerra foi presa sob suspeita de envolvimento com o PCC, após a polícia encontrar evidências de transações financeiras suspeitas em sua conta, incluindo depósitos feitos por indivíduos ligados ao crime organizado.

As investigações revelaram que Deolane recebeu pagamentos de laranjas do PCC e de um comparsa de Marcola, além de estar associada a uma transportadora que lavava milhões para a organização criminosa.

Além da prisão de Deolane, a operação resultou em outros mandados de prisão e no bloqueio de bens avaliados em R$ 8 milhões, enquanto a polícia continua a investigar as transações financeiras relacionadas ao crime.

Resumo gerado por IA

Imagens de comprovantes de depósitos bancários e conversas pedindo transferências de dinheiro foram algumas das evidências que levaram a polícia a prender a influenciadora Deolane Bezerra por suspeita de envolvimento com o PCC.

O que aconteceu

Imagens que constam na investigação do Ministério Público mostram três operações diferentes na conta da influenciadora no dia 5 de agosto de 2020. A primeira operação, no valor de R$ 2.000,00 foi realizada às 14h49. A segunda, de R$ 3.000,00, às 14h51; e a terceira, de R$ 5.000,00 às 14h52.

Os depósitos foram feitos por Ciro César Lemos, acusado de lavar dinheiro para a família de Marcola, preso desde 1996. Ciro e a mulher dele, Elidiane Saldanha Lopes Lemos foram condenados sob a acusação de serem "laranjas" em uma transportadora de veículos em Presidente Venceslau (SP).

O casal teria lavado R$ 23,7 milhões para o PCC com uma transportadora de veículos que ficava ao lado do presídio de Presidente Venceslau (SP). Lemos foi condenado a 14 anos e 10 meses de prisão e Elidiane foi condenada e 11 anos e três meses.

Outra imagem que consta na investigação do Ministério Público mostra uma negociação entre duas pessoas por um valor a ser depositado na conta de Deolane. O solicitante do dinheiro pergunta quanto será enviado para a influenciadora, para "estar fechando com o pessoal". A tratativa foi feita em 20 de setembro de 2020.

O UOL entrou em contato com o advogado que supostamente representa Deolane, e aguarda retorno sobre o assunto. O espaço será atualizado se houver posicionamento.

A irmã de Deolane, Daniele Bezerra, que também é advogada, afirmou que "tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações". Em publicação nas redes sociais, ela disse que a prisão nasce de alegações "cercadas de ilações, narrativas e perseguições".

Links de Deolane com o PCC

Além de receber dinheiro dos laranjas do PCC, a investigação também apontou que a influenciadora recebia pagamentos de Everton de Sousa, comparsa do irmão de Marcola. O homem era conhecido como Gordão" e foi preso em 27 de outubro de 2021 por lavagem de dinheiro para o PCC.

Ele disse em interrogatório que pagava R$ 5.000 por mês pelo aluguel de um apartamento de propriedade da influenciadora. O aluguel em questão seria de um apartamento na Rua Anália Franco, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo.

A mulher de Gordão foi presa na mesma operação e disse que apartamento foi alugado porque o marido era amigo de Deolane. Ela não soube dizer o valor da locação e disse que o contrato entre os dois foi feito "de boca".

Entenda o caso

Deolane foi presa na manhã de hoje por suspeita de envolvimento com o PCC. Além de prender a advogada, a operação cumpre outros cinco mandados de prisão preventiva, um deles contra Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, que já está preso.

Empresária estaria envolvida com transações para familiares de Marcola, segundo o Ministério Público. Ela teria usado as próprias contas para transferir dinheiro de uma transportadora de cargas que, por sua vez, lavava dinheiro para Marcola e seus parentes.

Deolane usaria a sua fama e poder aquisitivo para mascarar as transações de altos valores, segundo a investigação. A polícia também pediu o bloqueio de veículos avaliados em R$ 8 milhões e o bloqueio de mais de R$ 300 milhões nas contas dos investigados na operação de hoje.

Outra prisão

Esta não é a primeira vez que a influenciadora é presa. Em 2024, Deolane foi detida preventivamente em uma operação da Polícia Civil de Pernambuco com a própria mãe. A advogada ficou em uma cela separada da CPFB (Colônia Penal Feminina de Buíque), a 280 km do Recife.

Na ocasião, elas foram alvo da operação Integration, para desarticular uma organização criminosa voltada à prática de lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Deolane foi liberada para cumprir prisão domiciliar, mas voltou à cadeia no dia seguinte após violar uma medida cautelar.

Ela e a mãe foram oficialmente soltas da cadeia após 20 dias, após determinação da Justiça. A decisão também revogou as prisões preventivas do CEO da empresa Esportes da Sorte, Darwin Da Silva Filho e para outros 14 réus.

Primeira operação que prendeu Deolane começou com uma apuração de 2022. A investigação indicou a migração de indivíduos associados ao jogo do bicho —que é ilegal no Brasil— para os jogos online.

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