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Confronto no Alemão foi tão intenso que munição do Bope acabou em 2 horas, diz porta-voz da PM

Folhapress | 22/07/22 - 15h49
Eduardo Anizelli/Folhapress

Porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, o tenente-coronel Ivan Blaz afirmou que a troca de tiros no Complexo do Alemão nesta quinta-feira (21) foi tão intensa que a munição do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) acabou em duas horas. "Ontem por volta das 7h30 a munição já havia sido totalmente consumida dada a intensidade do confronto armado. Eu estou falando de uma ordem de grandeza de centenas de fuzis naquela região", disse em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo.

Blaz afirmou ainda que a entrada de armas é a variável que mais impacta na realidade do Rio de Janeiro. Ele disse também que as operações em favelas são necessárias para deter o avanço do crime organizado. "É fundamental que tenha alguém para enxugar gelo. Se não, a sociedade vai morrer afogada", disse.

A operação, realizada em conjunto pela PM e pela Polícia Civil, durou cerca de 12 horas com intenso tiroteio. Nas redes sociais, circulam imagens de uma vasta quantidade de munição espalhada por ruas da favela.

Ao menos 18 pessoas morreram nesta quinta, sendo 16 suspeitos, segundo a polícia. Também morreram um policial militar e uma mulher que passava pela região. Na manhã desta sexta-feira (22) mais uma mulher foi baleada e morreu.

Participaram da ação 400 policiais do Bope, da PM, e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), da Polícia Civil. Também foram utilizados dez blindados e quatro helicópteros.
A Polícia Militar informou a apreensão de uma metralhadora .50, armamento de guerra que foi utilizado para tentar derrubar as aeronaves durante a operação, quatro fuzis cal. 7.62, duas pistolas e 56 artefatos explosivos.

Coordenador da Core, o delegado Fabricio Oliveira disse em entrevista a jornalistas nesta quinta que os policiais foram violentamente atacados. Ele citou vídeos que circulam nas redes sociais mostrando rajadas efetuadas contra helicópteros das forças de segurança.

Oliveira disse que os traficantes utilizaram três tipos de tática para combater os policiais. Primeiro, a tática militar de espalhar barricadas com fogo, que impedem o trânsito dos veículos das polícias. Segundo, a tática de guerrilha de espalhar óleo nas ladeiras, com o mesmo objetivo.

Por último, afirmou que os criminosos estão lançando mão da tática terrorista de utilizar a população como escudo humano. Segundo ele, há registro de pedidos de traficantes para que mototaxistas e moradores simpáticos ao crime fossem às ruas fazer manifestações. "Quem se associar será responsabilizado", disse.

Questionado pela Folha de S.Paulo sobre como diferenciar o morador que vai às ruas protestar em conluio com o tráfico daquele que protesta por vontade própria, fazendo valer seu direito como qualquer cidadão, Oliveira respondeu que, nas últimas ações, "as pessoas que vão para a rua fazer baderna são simpáticas ao tráfico".

"Basta fazer uma busca nas redes sociais. Eles falam 'morador, vamos pra pista que estão fazendo covardia com a gente'. Mas, quando vai ver os vídeos das operações, o traficante está dando tiro de rajada contra a aeronave."