Saúde

Contribuição da população é 'única forma' de evitar 2ª onda da Covid em AL, diz infectologista 

Eberth Lins | 08/10/20 - 10h11 - Atualizado em 08/10/20 - 10h29
Sarah Dominique, médica infectologista | Foto: Agência Alagoas

A determinação da Justiça de proibir caminhadas e comícios para evitar aglomerações em municípios de Alagoas parece ter agradado a comunidade médica, que teme uma segunda onda da Covid-19 no estado.

Marcadas para 15 de novembro, as eleições acontecem em meio à pandemia do novo coronavírus, que já fez 88.426 vítimas e resultou em 2.115 mortes em território alagoano, segundo o boletim mais recente da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), divulgado na tarde dessa quarta-feira (07).

"Ainda que a Sesau organize um protocolo, por ora não será realizada campanha presencial em caminhada, o que acho prudente", afirmou a médica infectologista Sarah Dominique em entrevista ao TNH1, referindo-se a decisão do Tribunal Região Eleitoral (TRE) de suspender esta modalidade de campanha.

A infectologista definiu as caminhadas como "situações de muito risco" neste período de pandemia. "Oferece risco para políticos, assessores e população, uma vez que a aglomeração e a fragilidade quanto à manutenção das máscaras expõem consideravelmente as pessoas envolvidas ao novo coronavírus. Já se tem caso registrado confirmado de candidato com Covid-19", frisou.

Segunda onda da doença

A médica também ressaltou a preocupação com a falsa impressão de fim da pandemia e não descartou uma segunda onda da doença no estado. "Os casos da doença se mantém, embora a quantidade numérica esteja flutuando bastante ainda. De fato, as hospitalizações reduziram significativamente, mas a doença permanece, ainda é prevalente, e não temos certeza do seu controle, haja vista Europa com segunda onda e alguns países com retorno ao isolamento social. Podemos, sim, passar pelo mesmo", frisou. 

Maceió teve um crescimento de casos da Covid-19 após uma estabilização de cinco semanas, além de um "leve aumento" nos casos de óbitos no estado, segundo o Observatório da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

"Sem dúvida é um alerta, a comunidade médica científica de Alagoas se preocupa e discute internamente a possibilidade de crescimento de números de casos de Covid à medida que o distanciamento se reduz, e principalmente o descumprimento do uso de máscaras", comentou Dominique.

Para a médica, a contribuição da população da população com o cumprimento das medidas sanitárias, a exemplo do uso de máscara e evitar aglomerações, é a "única forma" de evitar uma segunda onda da doença.

"Peço que as pessoas evitem festas, confraternizações, eventos nos quais haja promoção de aglomeração. Os casos estão surgindo desse tipo de situação, como festas de adolescentes e jantares entre amigos", acrescentou a infectologista.