Alagoas

Covid: especialistas alertam que queda nos números não assegura mudança para fase amarela

Ana Carla Vieira e Eberth Lins | 13/07/20 - 14h55 - Atualizado em 13/07/20 - 15h08
TNH1/Itawi Albuquerque

O decreto em vigência no estado de Alagoas, que trouxe para a capital, Maceió, o avanço para a fase laranja, foi publicado no último dia 30 e deve valer apenas até amanhã (14). Mas, apesar dos setores estarem se organizando, esperando serem autorizados a funcionar a partir da próxima semana (seria o avanço para a fase amarela), especialistas da área da saúde chamam a atenção ainda para os dados diários. 

Segundo o último boletim do Observatório Alagoano de Políticas Públicas de Enfretamento à Covid-19 (OAPPEC), divulgado nesta segunda-feira (13), sete das dez regiões de saúde de Alagoas apresentaram redução no número de casos de Covid-19 e óbitos causados pela doença. Conforme o estudo, os números indicam para uma melhora do quadro epidemiológico de Alagoas. No entanto, a pesquisa não aponta para o início de uma flexibilização segura em nenhuma das regiões do estado. A avaliação é realizada seguindo recomendações do Subcomitê de Epidemiologia do Consórcio Nordeste.

De acordo com o coordenador do estudo, o matemático Gabriel Bádue, o boletim da semana epidemiológica 28 (a semana passada, que foi a primeira da implantação da fase laranja) acende um alerta principalmente para Maceió, onde foi iniciado um Plano de Distanciamento Social Controlado do Governo de Alagoas.

“Em Maceió, antes da flexibilização, a taxa estava em 0,76 e na semana que ocorreu a flexibilização já está indicando 1,2. Se esse número continuar aumentando provavelmente teremos que retomar medidas mais rígidas de isolamento”, disse Bádue.

600 novos casos por dia

De acordo com a médica infectologista Sarah Dominique, há cerca de um mês Alagoas se mantém na média de 600 novos casos por dia. Mas como há dias em que o número aumenta, ainda não dá para dizer que a curva fez um platô (apresentou uma linha reta, que representa estagnação).

Na terça-feira passada (07), por exemplo, foram registrados mais 955 casos, com 20 mortes. 

"Do ponto de vista técnico, precisamos de duas semanas com estabilização nos casos para poder pensar em um avanço. De fato, houve uma redução significativa no número de internações no Hospital da Mulher [que se tornou referência para tratamento de Covid no estado e onde a médica comanda a equipe]. Mas isso nos leitos de enfermaria, para onde são levados os casos menos críticos. A taxa menor de ocupação na enfermaria significa que estamos conseguindo dar uma melhor assistência e esses casos não têm evoluído. Muitos pacientes estão também se cuidando em casa, com a devida assistência. Mas na Terapia Intensiva (UTI), não sentimos redução, ficando na casa dos 80%. Precisamos manter UTI’s disponíveis”, pontuou a infectologista.

Sarah Dominique ressaltou ainda que houve uma melhora expressiva na performance médica nas unidades. “Muitos profissionais não tinham experiência com UTI e o recrutamento foi necessário nesse momento. A capacitação foi se dando no dia a dia. Em quatro meses de pandemia, vejo muito claramente que hoje a rotina é muito melhor, todos estão mais adaptados. E isso aconteceu no mundo todo, não foi só aqui”, observou a médica.

“No meu ponto de vista, Alagoas soube conduzir muito bem a situação. Em nenhum momento houve colapso no sistema de saúde. Agora, do ponto de vista técnico e científico não é hora de avanço, é momento de esperar e observar mais um pouco. Mas entendo todas as outras questões que são levadas em conta numa decisão como essa”, disse Sarah Dominique, se referindo à decisão do Governador de avançar ou não de fase no próximo decreto.

O coordenador do OAPPEC, Gabriel Bádue, também falou sobre a flexibilização. “A gente entende que, além das medidas de controle e rastreamento, as autoridades precisam adotar as demais recomendações do comitê, que passam pela estratégia de identificação e isolamento de novos casos e contenção de surtos em locais de alta vulnerabilidade, a exemplo de abrigos de idosos e sistema prisional”, complementou Bádue.

O OAPPEC está vinculado ao Núcleo de Bioestatística em Saúde e Nutrição da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O grupo de pesquisadores conta com matemático, epidemiologista, nutricionista, cientista social e economista.

Fase Amarela

A fase amarela, quando for implantada, permite a abertura de Lojas ou estabelecimentos de rua acima de 400 m², shoppings centers, galerias, centros comerciais e estabelecimentos congêneres; Templos, igrejas e demais instituições religiosas, funcionando com 50% da capacidade; bares e restaurantes, funcionando com 50% da capacidade; e Transporte Intermunicipal e Turístico, funcionando com 50% da capacidade.