Polícia

Deic investiga ameaças virtuais contra tenente-coronel dos Bombeiros

Eberth Lins | 31/07/20 - 09h34 - Atualizado em 31/07/20 - 10h20
enente-coronel do CB-AL, Camila Paiva, também é líder do movimento Somos Todas Marias | Foto: Reprodução / Instagram

A Divisão Especial de Investigações Criminais (Deic) está investigando a exposição da tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de Alagoas (CB-AL), Camila Paiva, em um grupo virtual racista que atua nacionalmente, com ameaças e crimes contra a honra de pessoas que encabeçam movimentos de direitos humanos, a exemplo de líderes feministas e LGBTs.

Em entrevista ao TNH1, o coordenador da Deic, o delegado Gustavo Henrique, informou que o caso já está sendo apurado na Seção de Crimes Cibernéticos, da Polícia Civil de Alagoas (PC-AL).  

"Inclusive algumas diligências já foram realizadas e existem indícios que apontam para um grupo racista de âmbito nacional, que atua praticando os mais diversos crimes na internet, exatamente como tem acontecendo com a tenente-coronel.  Esses grupos têm as minorias como inimigos, o que eles chamam de gatos. Eles identificam pessoas que fazem parte, criam perfis fakes nas redes sociais e passam a atacá-las", detalhou Henrique, acrescentando que gravou um vídeo sobre a investigação. 

A investigação será comandada por José Carlos.


As ameaças

Líder de uma campanha que denuncia o assédio nos quartéis de todo o Brasil, o movimento intitulado "Somos Todas Marias", a tenente-coronel Camila Paiva teve dados e informações vazados em um grupo de ódio.

"Recebi uma mensagem no meu instagram de um homem que se dizia 'líder dos imortais e pedia morte das feministas, LGBTs e militantes'. Ele tinham dados como meus documentos, endereço e nome dos meus familiares. Na hora, não dei muita importância e achei que fosse algo só para me assustar.. Até que recebi uma mensagem de uma colega bombeira do Acre, que já tinha sido contactada pela escritora Lola Aronovich, uma famosa escritora feminista. A Lola, por já ter sido vítima de ataques, monitora esses grupos de ódio, quando ela entrou e viu que um grupo estava orquestrando um ataque contra mim. Ela conhecia uma colega bombeira do Acre e comunicou para que chegasse até mim", detalhou Camila Paiva ao TNH1.

"Esses grupos de ódio conta com pessoas de todo o Brasil. O delegado conseguiu entrar e já viu uma atualização de uma matéria falando sobre as ameaças que sofri. Eles estão alimentando o grupo com informações detalhadas sobre mim, o que chamou atenção da polícia que constatou parecer mais grave do que parecia", acrescentou a tenente-coronel.

Na semana passada, Camila Paiva denunciou ter sido vítima de assédio sexual praticado por um major da Polícia Militar de Alagoas (PM-AL). A tenente-coronel, que também é influenciadora digital com mais de 43 mil seguidores no Instagram, teve uma uma foto onde aparecia de biquini compartilhada em um grupo de oficiais militares homens. Comentários que caracterizam assédio sexual e também palavras de baixo calão foram printados e denunciados. O caso está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Militar.