Polícia

Delegado revela detalhes de sequestro: criminosos cobravam dívida de 250 mil; ouça entrevista

João Victor Souza | 25/05/20 - 12h52 - Atualizado em 25/05/20 - 12h54
Arquivo/Polícia Civil

Os dois suspeitos do sequestro do empresário em Maceió alegaram, em depoimento à polícia, que queriam cobrar uma suposta dívida de R$ 250 mil acumulada após um investimento feito pela vítima na bolsa de valores. A informação foi confirmada pelo delegado José Carlos Santos, da Seção Antissequestro e Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, em entrevista à Rádio Pajuçara FM Maceió 103,7, na manhã de hoje. A entrevista, você confere no áudio abaixo: 

O delegado contou que um homem de 32 anos, que trabalha como guarda municipal no Rio de Janeiro, teria dado uma quantia em torno de R$ 100 mil para o empresário investir para ele no mercado financeiro. O empresário, vítima do sequestro, disse para a polícia que devolveu o dinheiro, porém o suspeito do crime afirmou que não recebeu nenhum valor.

"Eles vieram do Rio de Janeiro especificamente em busca da vítima. O guarda municipal alegou que deu essa quantia alta em dinheiro para o empresário aplicar. A vítima disse que devolveu, não com rendimento esperado, mas que tinha devolvido o dinheiro. O guarda nega, disse que não recebeu, que tentou várias tratativas com o empresário, mas não foram bem sucedidas. Com juros e rendimentos, o valor chegaria a R$ 250 mil hoje", destacou o delegado.

Com a ajuda do sogro, de 58 anos, que integra o quadro de militares do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, o guarda armou o sequestro para extorquir a vítima e tentar recuperar o dinheiro.

"Havia uma motivação específica para que os indivíduos se deslocassem do Rio de Janeiro para Alagoas para praticar essa extorsão com sequestro. A ideia principal era extorquir o empresário e pegar o dinheiro que teria sido investido, ou até algo mais", disse José Carlos.

"Eles estavam há dias em Maceió, levantando toda a vida do empresário. Foi apreendido o dossiê com informações sobre a rotina da vítima no quarto do motel. Então eles já estavam hospedados nesse mesmo estabelecimento onde o crime foi descoberto, já mapeando a vítima", continuou.

Ainda de acordo com o delegado, a dupla identificou o local que o empresário ia estar e foi até a residência. Lá, os dois informaram para ele que eram policiais e que havia um mandado de prisão aberto contra a vítima, sendo declarada presa. O empresário foi colocado em um carro modelo Virtus, de cor prata, conduzido por um dos suspeitos. O outro suspeito levou o veículo de luxo do empresário, modelo Jaguar azul. 

"Eles levaram o empresário para o motel. Lá, tinham todos os materiais e o empresário poderia ser torturado, possivelmente morto", concluiu José Carlos.


Investigação sobre mais envolvidos e possível participação em milícia 

A Polícia Civil também vai investigar se os dois presos contaram com a ajuda de mais pessoas no crime e se ambos integram grupos de milícias no Rio de Janeiro. 

"Vai ser investigado se eles participam de grupos de milícias, pois a ação que praticaram aqui foi típica desses grupos. O empresário também citou o nome de outras pessoas que também estariam o ameaçando. Então vamos investigar se mais pessoas podem estar envolvidas no crime", destacou o delegado.

Os dois continuam presos em Alagoas e estão à disposição da Justiça. O Poder Judiciário vai decidir se, com o flagrante, eles ficam reclusos com prisão preventiva ou se vai ser definido um valor de fiança para liberá-los mediante a pagamento.

O sequestro

O empresário foi resgatado, por policias do Batalhão de Radiopatrulha nesse domingo, de um motel situado no bairro São Jorge, em Maceió. Ele havia sido abordado pelos homens com camisa com identificação da polícia no bairro Trapiche da Barra e foi obrigado a seguir para o motel. Lá, ele foi mantido em cárcere privado.

O homem foi encontrado amarrado com os braços para trás e com capuz na cabeça. Ele estava na companhia de um sequestrador e o outro foi flagrado dentro do carro estacionado na garagem, com um arma de fogo. Nenhum deles reagiu.

A polícia apreendeu uma faca e duas pistolas, de calibre 380, com cinco carregadores, além de 62 munições. Os bandidos também foram encontrados com dois celulares da marca iPhone, um notebook e o carro usado para chegar até a vítima, um Volkswagen Virtus prata, de placa LMP-6G89/Brasil. O Jaguar, que pertence ao empresário, foi recuperado.

Outros materiais usados no sequestro também foram recolhidos pela PM, como um galão com cinco litros de gasolina, uma peça de fio com pontas desemcapadas, uma algema, uma balaclava, duas camisas com identificação da polícia, que foram usadas para enganar a vítima, dois coldres, que são estojos de couro para guardar armas, e três lacres de plásticos conhecidos como "engasga gato".

As armas, os utensílios e o dossiê foram levados para a delegacia para os procedimentos cabíveis. A dupla foi presa, autuada por extorsão mediante sequestro.