O deputado estadual Fernando Pereira testemunhou no julgamento de Carlos Henrique Ferreira Santos, acusado de assassinar o blogueiro Adriano de Farias Firmino Silva, revelando que possui vídeos de uma tentativa de homicídio anterior ao crime, o que pode impactar a percepção pública sobre a segurança na região.
Adriano foi morto em junho de 2024, e sua irmã, Rosineide, acusou Valdir, filho da ex-prefeita, e Maria Rejane de serem os mandantes do assassinato, citando conflitos familiares e ameaças que a vítima enfrentava como causas do crime.
O julgamento prossegue com a oitiva de testemunhas, enquanto o clima de medo na cidade é destacado, com relatos de pessoas que temem represálias e a saída de outros blogueiros devido a ameaças, evidenciando a tensão social na comunidade.
O deputado estadual Fernando Pereira foi ouvido nesta segunda-feira (5) como testemunha no julgamento de Carlos Henrique Ferreira Santos, acusado de executar o blogueiro político Adriano de Farias Firmino Silva, de 33 anos. Durante o depoimento, o parlamentar afirmou ter vídeos que, segundo ele, mostram uma tentativa anterior de matar a vítima, três dias antes do assassinato.
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O julgamento ocorre no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Adriano foi morto a tiros dentro do próprio carro, em 18 de junho de 2024, no município de Junqueiro, no interior de Alagoas.
Em depoimento por videoconferência, Fernando Pereira disse que estava em uma sessão na Assembleia Legislativa de Alagoas quando soube da morte do blogueiro. Ele afirmou que, nas imagens que possui, o acusado teria desistido de atirar ao perceber que Adriano estava acompanhado de uma criança no carro, mas teria cometido o crime três dias depois.
"A vítima também tinha problemas com a mãe do prefeito porque ela estaria invadindo um terreno que era da mãe do Adriano. Ele denunciou e não gostaram", contou o deputado em juri.
O deputado também confirmou que Adriano havia trabalhado para Valdir, filho da ex-prefeita de Teotônio Vilela, Maria Rejane. A informação também foi relatada anteriormente pela irmã da vítima, que depôs durante o julgamento.
Irmã aponta supostos mandantes
Antes do depoimento do parlamentar, a irmã de Adriano, Rosineide Farias, afirmou que acredita que Valdir e a ex-prefeita Maria Rejane foram os mandantes do assassinato. As declarações foram feitas durante o júri e devem ser tratadas como acusações apresentadas pela testemunha.
Segundo ela, Adriano trabalhou em uma cerâmica pertencente ao irmão do prefeito. A testemunha relatou que o irmão da vítima teria adoecido por causa do trabalho pesado e procurado ajuda para comprar medicamentos, mas o pedido teria sido negado.
Ainda conforme o depoimento, depois de buscar os próprios direitos na Justiça, Adriano teria ouvido de Valdir que a situação constrangedora vivida no Fórum de Penedo “não ia ficar assim”. A irmã também afirmou que a vítima sofria ameaças de morte e relatou que o autor dos disparos estaria em um Jeep preto, no banco traseiro.
Rosineide disse ainda que pessoas que poderiam testemunhar sobre o caso teriam medo de falar por receio de represálias violentas. Adriano deixou duas filhas, atualmente com nove e 11 anos, segundo o relato apresentado no julgamento.
Testemunha fala sobre medo na cidade
Durante as perguntas da acusação, Fernando Pereira afirmou que o réu era guarda municipal e teria atuado como segurança de Valdir durante a campanha eleitoral para a Prefeitura de Teotônio Vilela. O parlamentar também declarou que Carlos Henrique era conhecido na cidade como matador de aluguel.
Questionado sobre o motivo de outras pessoas que supostamente presenciaram o assassinato não terem comparecido para testemunhar, o parlamentar afirmou que elas temeriam pela própria segurança. Ele também relatou que outro blogueiro teria deixado a cidade após sofrer ameaças e um atentado.
O julgamento continua nesta segunda-feira, com a oitiva das testemunhas e as demais etapas previstas no Tribunal do Júri.
Estagiária sob supervisão.
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