Publicado em 15/04/2026, às 17h06
O presidente do CRB, Mário Marroquim, afirmou nesta quarta-feira, 15, que novas contratações só serão realizadas pelo clube em caso de classificações nas copas, com saídas e negociações de jogadores do elenco ou com empréstimos de jogadores de times da Série A. A declaração foi dada em entrevista coletiva convocada pela diretoria regatiana no momento de maus resultados na temporada.
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Ao lado do vice-presidente Eduardo Marinho, do executivo de futebol Ari Barros e do chefe do departamento médico Ajax Caldas, a cúpula falou sobre as seguidas lesões que têm prejudicado o rendimento do time na Copa do Nordeste e na Série B do Campeonato Brasileiro.
O Galo, por exemplo, joga com o time reserva e com atletas da base nesta quarta, às 19h, contra o Fluminense-PI no Lindolfo Monteiro, pela quarta rodada da Copa do Nordeste. Com apenas um ponto, o Regatas é o lanterna do Grupo B. Na Série B, o clube ainda não venceu, tem dois pontos e está na 18ª colocação. O técnico Eduardo Barroca e o time titular não viajaram e ficaram no CT Ninho do Galo para priorizar o jogo com o Juventude, no sábado, pela 5ª rodada do Brasileiro.
Veja abaixo os tópicos abordados pela direção do Galo:
Orçamento e reforços
Mário Marroquim: "Estou com 59 anos, ainda não consegui ver dinheiro nascer. Já plantei um bocado, mas dinheiro não nasce. Ou entra dinheiro novo ou você não tem o que fazer. Para ter contratação, ou você tem recurso em caixa ou você é irresponsável. Como não somos irresponsáveis, não tem dinheiro em caixa. Não adianta ter cobrança de: 'Ah, tem que contratar'. Não, tem que ter dinheiro. Não tem dinheiro. Dinheiro para ter, ou você vai ter realocação de atleta, como o Ari falou, fato. Algum atleta que esteja insatisfeito ou vice e versa, a gente realoca no mercado, abre espaço financeiro e traz outro atleta".
"Opção dois: vender atleta. Ora, tem alguns atletas nossos que estão sendo consultados. Se tiver proposta boa, cria para gente abertura financeira do salário do cara e mais um dinheiro em caixa. Aí você vai ao mercado e contrata. Opção três: passagens de fases. Ah, passou em mais fases, dinheiro novo. Com dinheiro novo, você vai ao mercado e vai lá (contratar). Tirando isso, não tem o que se falar em contratação. Não tem dinheiro. Se não tem dinheiro, só contrata o que pode".
Ari Barros: "Temos que rever algumas coisas, sim. A janela está fechada. Estamos trabalhando num clube que não tem dinheiro sobrando para estar contratando, então nós respeitamos demais a questão financeira e orçamentária do clube. Isso a gente não pode deixar de citar, porque temos um presidente e uma diretoria responsáveis. Não adianta fazer o que dá na cabeça, fazendo loucuras. Aqui a gente totalmente respeita o que é pedido, e está certo, não está errado.
Tem tantos clubes que estão passando por situações complicadas no futebol, vai existir de fato o fair play financeiro e o CRB está sossegado quanto a isso. Se daqui a pouco houver e precisar fazer uma troca no meio da temporada, quando abrir a janela, tem várias formas de fazermos isso. Jogador não está satisfeito porque não está jogando, a gente chega num consenso, realoca esse atleta, vai atrás de outro no mercado. Temos que ter sabedoria para conduzir esses feitos, para não prejudicar principalmente a questão financeira do clube".
Lesões
Ajax Caldas: "Fizemos levantamento dos lesionados. Com relação a isso, está totalmente dentro da nossa previsibilidade do que a gente pode intervir. Quando falo intervir não é evitar, não existe lesão zero no futebol. Estamos falando do esporte que tem o maior número de lesões no mundo. Aquelas lesões que a gente pode intervir é para reduzir o risco de ocasionar e risco de relesão.
- "Crystopher tem uma lesão no adutor. Estamos falando da intensidade do calendário. O CRB disputou 21 partidas e o Crystopher atuou em 19. Viagens desgastantes contra Sousa e Itabaiana. O início é sempre muito complicado e conturbado pra gente, começa a melhorar quando começa o Campeonato Brasileiro. O Crystopher teve essa lesão do adutor e a previsão dele é em torno de três semanas".
- "O Geovane teve uma lesão na coxa, foi diagnosticada ontem com um novo exame. A previsão dele também está dentro dessas três semanas".
- "O outro atleta que também não está disponível para a comissão técnica é o Thiaguinho. Porém, o Thiaguinho não está no departamento médico, está na preparação física, já foi liberado para a transição. O Thiaguinho foi mais um atleta que veio a se lesionar por conta de lesão traumática. Na reta final do Alagoano, ele sofreu um trauma bem contuso no joelho, ocorreu a lesão do ligamento colateral medial. Clinicamente o atleta estava até se sentindo bem. Passamos os riscos para ele, inclusive, ele mesmo quis se colocar à disposição em uma reunião entre eu, ele e o Ari, ele quis se colocar à disposição pelo menos no banco, já que estávamos falando de uma final. Passada a final, a gente retorna ele ao DM, organiza a transição, porque a nossa maior principal preocupação, além de evitar lesões, é não ter as relesões".
- "O Léo Campos tem uma fratura na mandíbula e será operado sexta-feira. A previsão de retorno a gente só pode dar quando ocorrer a cirurgia, porque existem alguns fatores intraoperatórios que torcemos que não venham ocasionar".
- "Luiz Phellype, que teve o trauma no joelho naquele jogo contra o Itabaiana, está liberado".
- "O Pedro Castro, que sofreu uma lesão contusa no joelho, também está liberado".
- "O João Neto teve um trauma no pé e ficou fora do jogo. Ele foi para o jogo e viu no aquecimento que não ia conseguir performar bem caso o treinador precisasse dele. Ele conversou com a gente, pediu para retirá-lo, mas já está liberado, inclusive, viajou e está à disposição do treinador lá no Piauí".
Técnico Eduardo Barroca tem respaldo
Mário Marroquim: "O treinador tem todo o nosso respeito e respaldo. Continua firme e forte, independente de qualquer resultado hoje. Não tem esse negócio de 'ah, vai cair o treinador'. Não, não vai cair o treinador, não vai cair nada. A gente vai continuar trabalhando porque tem convicção no que está fazendo".
Departamento de futebol
Ari Barros: "Eu não vejo que a gente perdeu a rota ou está numa rota errada. Aconteceram situações que não tem como prever. É impossível você prever traumas, não tem como você prever isso. Temos um elenco com 26 jogadores de linha e quatro goleiros. Acreditamos que daqui a pouco, quando todos esses atletas estiverem à disposição, vai dar um suporte melhor para o nosso técnico, para os próprios companheiros. O Patrick de Lucca nós acabamos colocando para jogo por conta do quantitativo. Temos que ter inteligência e sabedoria, porque daqui a pouco quando tudo voltar ao normal, ninguém vai dizer que o planejamento foi errado ou atropelado".
Mário Marroquim: "Hoje estamos tendo o equilíbrio de dizer como a gente passa dessa situação. Realmente, se pudéssemos voltar atrás, é importante dizer isso, talvez os quatro que nós emprestamos, não tivéssemos emprestado para ficar aqui. Financeiramente poderíamos fazer algo a mais? Não, não poderíamos, estávamos no limite financeiro. Estamos falando de alguns mais baratos que emprestamos talvez tivessem ficado. Não dá para voltar atrás no que foi feito. Temos 30 atletas. Desses 30, tem vários que estão no departamento médico com problemas traumáticos, que a gente não controla, e isso atrapalhou nosso planejamento, de fato, não tem o que fazer, é recuperar. A decisão nossa é acertada, é compartilhada e corroborada pela comissão técnica, diretoria e Conselho Deliberativo. É importante que a gente diga que compartilha e divide as responsabilidades".
Responsabilidade financeira
Eduardo Marinho: "Essa premissa da responsabilidade financeira é da gestão do clube. Não é de hoje, mas de muitos anos, desde a época do presidente Marcos Barbosa e seguindo na gestão do presidente Mário. O CRB tem muita responsabilidade financeira nesse momento de contratação. Irresponsabilidade de ir ao mercado de qualquer forma é algo que não vamos ver nessa gestão. Não significa que a gestão vai fechar os olhos para, de repente, numa necessidade ou outra que houver".
"O Ari colocou bem que existem alternativas e formas de ir ao mercado e conseguir reforçar o elenco através de uma troca, uma parceria com um clube da Série A, um jogador que não está sendo aproveitado em outro clube. O mercado de futebol é aberto, o CRB tem grandes profissionais, nosso diretor de futebol está sempre atento às oportunidades para que possamos trazer uma peça ou outra que venha reforçar o elenco. O trazer por trazer não faz sentido".
"Temos um elenco qualificado. Temos reforços dentro do próprio elenco. Temos uma lista longa de atletas que estão no DM ou voltando do DM. Sendo reintegrados ao grupo, tenho certeza que vamos fortalecer o grupo e, com trabalho, reencontrar o caminho das vitórias".
Reservas e base na Copa do Nordeste
Ari Barros: "A questão da gente oportunizar o G2 (quem não vem jogando) para atuar hoje em Teresina foi uma questão de quem está com mais saúde, mais preparado fisicamente hoje. Jogamos uma partida tão difícil contra o Athletic e hoje não caberia uma viagem e mais um jogo. Os atletas que estão lá hoje vão representar o CRB da melhor forma possível. Por mais que a gente enxergue que estamos em último colocado do nosso grupo, se acontecer os mesmos resultados da semana passada e nós vencermos hoje, entramos no G2 e vamos buscar a classificação. Não posso daqui a pouco dizer que joguei a toalha. O CRB é uma camisa muito forte, um clube centenário, todas as competições que vai enfrentar, o CRB entra como protagonista para buscar os objetivos".
"Estou triste pelas condições que vêm acontecendo, como citado pelo presidente, com relação a traumas que não temos como controlar. Há 15 dias, quando estávamos há nove jogos sem perder, era 'Ah, o melhor elenco, vai buscar o acesso, e coisa e tal, e bla bla bla'. Estamos acostumados a esse momento. Não posso estar dando desculpas, porque o torcedor está cansado de desculpas. Mas estamos aqui por respeito e consideração que temos com o nosso torcedor. Estamos aqui para dar a cara a tapa, dizer que estamos buscando as soluções, que vamos buscar o que for preciso fazer para que nossa equipe volte a vencer. Quando passar essa turbulência e mais fase, tudo passa na vida, a gente acredita que logo mais vai voltar às vitórias e siga as competições. Só jogamos quatro jogos na Série B, ainda faltam 34, tem jogo pra caramba. Tenho certeza que no final a gente vai estar aqui tendo uma reunião totalmente diferente e contando situações favoráveis do CRB".
Mário Marroquim: "Chega às vezes, em determinado momento, que se você joga essa carga e continua dando essa carga, a chance de ter lesões por questões musculares, aumenta bastante. Temos hoje, inclusive, um problema sério, estamos indo com nossa equipe toda alternativa para o jogo no Piauí. Uma decisão acertadíssima de todos nós. Corroborada por unanimidade pelo Conselho Deliberativo".
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