Política

Dissidência de última hora no PSB preocupa grupo pró-impeachment

16/04/16 - 17h52 - Atualizado em 16/04/16 - 17h53
R7

A oposição iniciou ofensiva para conter movimento de última hora de deputados do PSB contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O partido orientou sua bancada, de 32 deputados, pela posição a favor do afastamento de Dilma, mas sem punições aos que seguirem o caminho contrário.

Nas últimas horas, deputados que apareciam na contabilidade pró-impeachment deram sinais de que podem mudar de opinião até este domingo (17), dia da votação em plenário.

Dois deles são de Pernambuco: Gonzaga Patriota e Marinaldo Rosendo. Ambos estariam dispostos a optar, ao menos, pela abstenção, diminuindo o placar pró-impeachment.

Nos bastidores da Câmara, líderes anti-Dilma debitavam a mudança de posição deles numa suposta atuação do governador de Pernambuco, Paulo Câmara, também do PSB.

Procurado pela Folha neste sábado (16), o governador negou essa versão: "Eu não tenho tido contato com deputados sobre isso. Mantenho minha posição a favor do impeachment, como decidiu meu partido".

Preocupado com essas dissidências, o líder do PSB na Câmara, Fernando Coelho Filho, também de Pernambuco, telefonou para o governador direto do Salão Verde da Câmara. Pelas contas dele e de outros líderes feitas neste sábado, os votos pelo impeachment estariam entre 364 e 367 –são necessários no mínimo 342 para o processo passar ao Senado.

Além de Patriota e Rosendo, o PSB pode perder os votos de José Reinaldo (MA) e Júlio Delgado (MG).

O movimento de José Reinaldo contra o processo seria um contraponto à articulação da família Sarney, adversária política dele no Maranhão, pelo afastamento de Dilma do Palácio do Planalto.

Já Delgado tem analisado optar pela abstenção, como voto de protesto pelo fato de o processo de impeachment ser conduzido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), réu no STF (Supremo Tribunal Federal) sob acusação de recebimento de propina do esquema de desvios da Petrobras. "Minha tendência é seguir o meu partido, mas essa tese da falta de legitimidade do Cunha é forte", disse Delgado, neste sábado.